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“Valmir Santos"

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“Valmir Santos"

Crítica

Porto Alegre – Os textos A mulher arrastada, de Diones Camargo, cuja encenação acaba de cumprir oito sessões na capital do Rio Grande do Sul, e Buraquinhos ou O vento é inimigo do picumã, de Jhonny Salaberg, em temporada a partir desta semana, no Centro Cultural São Paulo, distanciam-se no tempo, no espaço e nos procedimentos documental e ficcional de um e de outro. Em comum, no entanto, as peças releem a naturalização da violência policial contra mulheres e homens negros, alvos diletos das forças de segurança nas cidades brasileiras. Realidades de classe e de raça sacramentadas pela impunidade. Leia mais

Crítica

Pode soar familiar ao espectador brasileiro um texto desagradável, na acepção que Nelson Rodrigues (1912-1980) impingiu ao próprio teatro pela diligência às “obras pestilentas, fétidas, capazes, por si sós, de produzir o tifo e a malária na platéia”. Ele declarou isso na primeira década de produção dramatúrgica, nos anos 1940, coerente com sua verve. Aquela frase bastante citada, e de certo modo amortecida com o tempo, reaviva a memória diante de um espetáculo como Hilda, que introduz o teatro da romancista Marie NDiaye entre nós, por meio do Núcleo Caixa Preta, com a fundadora Cácia Goulart no elenco e tendo Roberto Audio como diretor convidado. Leia mais

Crítica

No monte composto por milhares de partículas tênues ou na espessa lama que aos poucos seca na superfície do chão ou da pele, o pó é elemento essencial em dois trabalhos recentes do Grupo Sobrevento: Terra (2016) e Escombros (2017). A fonte primal do solo da natureza (donde a conhecida apropriação bíblica que modela o homem a partir da argila) está na base dramatúrgica capaz de instaurar campos narrativos de fertilidade e aridez, respectivamente. O primeiro espetáculo permite vislumbrar o caminho imaterial, a via do afeto. O segundo, a condição humana sob as formas do abandono material. Leia mais

Encontro com o Espectador

O projeto “Semear _ por uma arte do encontro sem fronteiras”, da Trupe Sinhá Zózima, foi tema do 16º. Encontro com o Espectador, que aconteceu no Ágora Teatro em 27 de novembro de 2017. Estiveram presentes, entre outros – e além dos artistas pesquisadores do núcleo artístico permanente do grupo –, a dramaturga Cláudia Barral, autora de Cordel do amor sem fim (2007) e de Os minutos que se vão com o tempo (2016) – pela ordem de criação, primeiro e terceiro espetáculos abarcados nesse projeto; o dramaturgo Rudinei Borges, autor de Dentro é lugar longe (2013), a montagem intermediária; e Luiz Gayotto, músico e diretor musical do espetáculo mais recente. Leia mais

Crítica

Em Curitiba

Talvez a cena mais emblemática na segunda noite de Extinção, no Festival de Curitiba, no mês passado, tenha sido a dos aplausos. Denise Stoklos vai à boca de cena ladeada por dez profissionais. Entre eles o codiretor Francisco Medeiros, numa extremidade da fila formada no palco, com quem trabalha pela primeira vez, e o cenógrafo J.C. Serroni, noutra ponta, que colaborou em um dos seus espetáculos nos anos 1980. Medeiros e Serroni são da mesma geração da atriz e versados em processos criativos verticais em equipe. Ela passou quase 40 dos 50 anos de carreira centrada em solos nos quais, em regra, controla funções-chave. Dirige, escreve e atua sozinha no que nomeia Teatro Essencial, buscando sistematizar atitude, pesquisa e treinamento em voz, corpo e memória. Leia mais

Crítica

Em Curitiba

Artistas da montagem brasileira de A ira de narciso viram-se condicionados a inventar um nível de intimidade com o dramaturgo, o franco-uruguaio Sergio Blanco, sem jamais olhá-lo nos olhos nas etapas de pesquisa e ensaios – ele está radicado em Paris. Certa intimidade deveria ser atributo comum a qualquer meditação criativa a partir de dramaturgia alheia, seja o autor vivo ou morto, até para encorajar escolhas autônomas. Em dramaturgia própria cultiva-se o oposto, alguma margem de distanciamento. O ator Gilberto Gawronski e a diretora Yara de Novaes tourearam a trama Leia mais

Crítica

O mito grego de Antígona orienta a criação do oitavo espetáculo do grupo Teatro Máquina com dez anos de atuação em Fortaleza. Com estreia e curta temporada no Sesc Pompeia, em São Paulo, Nossos mortos modula a tragédia de Sófocles, escrita no século V, com dados históricos de um dos massacres ordenados pelo Estado brasileiro contra movimentos populares sociorreligiosos que despontaram no Nordeste, entre os séculos XIX e XX. Leia mais