Crítica teatral, formada em jornalismo pela USP, com especialização em crítica literária e literatura comparada pela mesma universidade. É colaboradora de O Estado de S.Paulo, jornal onde trabalhou como repórter e editora, entre 2010 e 2016. Escreveu para Folha de S.Paulo entre 2007 e 2010. Foi curadora de programas, como o Circuito Cultural Paulista, e jurada dos prêmios Bravo! de Cultura, APCA e Governador do Estado. Autora da pesquisa “Breve Mapa do Teatro Brasileiro” e de capítulos de livros, como Jogo de corpo.
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27.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Na mostra paralela do Festival de Curitiba, o Fringe, sempre foi possível encontrar criações de todas as regiões do País. Mas o que 2014 parece trazer de novidade é a organização de várias dessas obras em representações estaduais, com curadoria e financiamentos próprios. Até o dia 6, o público terá a oportunidade de conferir três mostras especiais dedicadas a esse segmento: a mostra Baiana, o ESemCena e a mostra Ademar Guerra. Leia mais
26.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Cerca de 2.500 pessoas participaram ontem, dia 24, da abertura da 23ª edição do Festival de Curitiba. A cerimônia, realizada na Expo Renault do parque Barigui, reuniu representantes dos patrocinadores do evento, o diretor do Festival, Leandro Knopfholz, além de autoridades dos governos federal, do Estado e do município. Em meio aos discursos de praxe, que saudaram a longevidade do Festival e sua representatividade nacional, houve o anúncio de uma nova política pública para o teatro local. Marcos Cordiolli, presidente da Fundação Cultural de Curitiba, lançou o programa Casa Cheia, um incentivo para que o público frequente as mostras em cartaz. Quem assistir a um espetáculo paranaense, ganha no ato da compra do ingresso R$ 10 de desconto. O repasse de recursos, garante Cordiolli, irá diretamente para os artistas envolvidos.
Após as formalidades, foi apresentado o espetáculo El hombre venido de ninguna parte, da cia. chilena La Reyneta. A partir de restos de materiais, como ferro e madeira, o grupo cria uma série de artifícios para contar a história de um homem que viaja no tempo. Após sofrer um acidente, o dono de um restaurante é levado a outras épocas, nas quais encontra amores e enfrenta batalhas. Quase sem diálogos, a peça possui apenas um breve monólogo do protagonista, que foi devidamente traduzido para o português.
A simplicidade e a precisão dos recursos utilizados na montagem são seu maior atrativo. Um mesmo compartimento de metal pode se transformar em cápsula do tempo, em navio que atravessa tempestades no mar ou em automóvel.
Concebido para ser apresentado na rua, o espetáculo foi prejudicado pelo espaço fechado em que ocorreu a abertura. Ficou a impressão de que ganharia corpo se encenado em um espaço público, sujeito às intervenções e ao contato com a plateia.
As sessões para o público, gratuitas, acontecem hoje, dia 26, e amanhã, na Praça Santos Andrade, às 21h30.
25.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Um festival para celebrar Shakespeare. No ano em que o maior autor teatral da história completa 450 anos de nascimento, o Festival de Curitiba reservou parte considerável de sua programação para homenageá-lo. O mais esperado título de 2014, The rape of Lucrece, é uma criação da prestigiosa Royal Shakespeare Company. Inspirado em um poema do escritor inglês, trata-se, segundo seus criadores, de uma “terrível fábula sobre a luxúria, o estupro e a política”. Leia mais
24.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Robert Wilson não passa mais um ano sem vir ao Brasil. Desde 2012, quando o renomado diretor norte-americano iniciou uma parceria com o Sesc, São Paulo já assistiu a quatro de suas montagens. E o encenador, volta e meia, precisa vir à cidade acertar detalhes de suas novas produções. Na sexta-feira, Wilson esteve por aqui mais uma vez. Leia mais
24.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Anton Tchekhov tornou-se, ao longo dos anos, sinônimo de teatro realista. As primeiras montagens de suas peças, pelo Teatro de Arte de Moscou, inauguraram um novo estilo de interpretação: Estética que marcou o século 20, espraiou-se pelo cinema e ainda é majoritária. Leia mais
A exemplo do que já havia acontecido no Rio, o Prêmio Shell de São Paulo pulverizou as premiações e não elegeu um grande vencedor. Cantata para um bastidor de utopias mereceu dois troféus: melhor Cenário, para Rogério Tarifa, e melhor Música, por Jonathan Silva e William Guedes. Grande favorita da noite, Cais ou da indiferença das embarcações estava indicada em cinco categorias (autor, direção, ator, cenário, figurino e música). Levou apenas o prêmio de melhor autor, para Kiko Marques.
Houve também tom de crítica durante a cerimônia. Premiada como melhor atriz, Fernanda Azevedo, da peça Morro como um país – cenas sobre a violência do Estado, fez um protesto contra a petrolífera que patrocina o prêmio. Em seu discurso, ela relembrou um episódio de 1995, quando o gerente geral da Shell da Nigéria explicitou o apoio de sua empresa à ditadura militar no país: “para uma empresa comercial, que se propõe a realizar investimentos, é necessário um ambiente de estabilidade. As ditaduras oferecem isso”.
Sem créditos A atriz Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia.
Chico Carvalho, de Ricardo III, foi considerado o melhor ator. O grupo Os Satyros foi agraciado na categoria inovação pela realização do evento Satyrianas.
Eva Wilma, que completou 60 anos de carreira, foi a homenageada especial da noite. Alguns dos momentos mais marcantes de sua trajetória foram lembrados pela apresentadora do evento, a atriz Renata Sorrah. Eva foi aplaudida de pé por vários minutos e se emocionou em seu discurso
O júri de São Paulo é formado por Alexandre Mate, Carlos Colabone, Marici Salomão, Mario Bolognesi e Renata Melo.
Renata Sorrah e Eva Wilma
Confira os vencedores do 26º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo:
Autor:
Kiko Marques por Cais ou da indiferença das embarcações
Direção:
Antunes Filho por Nossa cidade
Ator:
Chico Carvalho por Ricardo III
Atriz:
Fernanda Azevedo por Morro como um país – cenas sobre a violência de estado
Cenário:
Rogério Tarifa por Cantata para um bastidor de utopias
Figurino:
Miko Hashimoto por Operação trem-bala
Iluminação:
Fran Barros por Vestido de noiva
Música:
Jonathan Silva e William Guedes por Cantata para um bastidor de utopias
Categoria inovação:
Os Satyros pela projeção, permanência e abrangência do evento Satyrianas na condição de fenômeno histórico-artístico e social.
19.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
O maior problema da MITsp foi o seu sucesso. Em sua primeira edição, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo surpreendeu a cidade e os organizadores com o imenso afluxo de público. Nos nove dias de programação, cerca de 14 mil pessoas acompanharam os espetáculos e as atividades paralelas. Mas um número muito maior do que esse acorreu às filas e ficou de fora. A espera por um espetáculo chegou a dez horas. E muitos não desistiam mesmo quando a chance de conseguir um lugar parecia ser mínima. Leia mais
18.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
O recente espetáculo de Robert Lepage, Playing cards, deverá ser visto no Brasil em outubro. Spades, que é a primeira parte de uma tetralogia baseada em cartas de baralho, merecerá montagem no Sesc Santo Amaro.
Um espaço da unidade deve ser adaptado para abrigar a produção, que não cabe em uma sala convencional de teatro. Lepage usa um palco giratório e apresenta a obra em 360º. Alçapões e plataformas também compõem a cenografia.
Quando estiver concluída, a tetralogia poderá ser assistida em conjunto e deve durar cerca de 12 horas. A primeira parte tem 3 horas de duração.
As peças se inspiram no mundo do jogo de cartas, assumindo suas regras, seus signos e sua mitologia.
Spades, que cumpriu temporada recentemente na Roundhouse, de Londres, trata de histórias entrelaçadas que acontecem em duas cidades desérticas: Las Vegas e Bagdá.
Em 2014, o festival Porto Alegre em Cena também tem planos de trazer um espetáculo de Lepage ao Brasil. Deve ser a versão diretor canadense para Hamlet.
Além de diretor teatral, Lepage é ator, roteirista e cineasta. Entre suas criações mais conhecidas estão Sete afluentes do rio Ota (montada em São Paulo sob condução de Monique Gardenberg) e Elsinore.
Cada palavra carrega em si uma determinada maneira de ver o mundo. Em japonês, o termo ‘komorebi’ serve para descrever o momento em que a luz do sol é filtrada pelas folhas. Para os alemães, ‘waldeinsamkeit’ é o modo preciso de se nomear o sentimento de solidão que uma pessoa experimenta quando está em contato com a natureza. Na Itália, ‘pentimento’ quer dizer arrependimento, mas é também o jeito de se falar da alteração em uma pintura. Aquela situação em que um quadro é restaurado e ficam evidentes seus rascunhos, mostrando que o artista mudou de ideia enquanto pintava. Leia mais
17.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Misericordioso, justo, piedoso. Mas também vingativo. Dado a rompantes de ódio e caprichos inexplicáveis. Deus não está nada satisfeito. Está descontente com o homem. Imensamente decepcionado consigo próprio. Não sabe mais o que fazer. E, depois de muito relutar, resolveu partir para a terapia. Leia mais