Jornalista e crítico fundador do site Teatrojornal – Leituras de Cena, que edita desde 2010. Escreveu em publicações como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes. Autor de livros ou capítulos afeitos ao campo, além de colaborador em curadorias ou consultorias para mostras, festivais ou enciclopédias. Doutor em artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde fez mestrado pelo mesmo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas.
Leia os 72
textos
dessa ação >
7.4.2019 | por Valmir Santos
Curitiba – A Armadilha Cia. de Teatro captou o sinal dos tempos ao estrear Dezembro (Diciembre, 2008) no festival nacional que acontece nesta época do ano em sua cidade. As questões traumáticas discutidas no texto do chileno Guillermo Calderón, traduzido e dirigido por Diego Fortes, são mais familiares ao público brasileiro do que em 2015, na montagem de Diego Moschkovich em São Paulo. Leia mais
6.4.2019 | por Valmir Santos
Curitiba – Apontar e falar, ou shisa kanko, é a técnica japonesa para melhorar o desempenho em atividades que exigem atenção. Ela surgiu no início do século XX para disciplinar funcionários de estações de trem. Com o passar dos anos, acabou adotada na área de segurança e saúde ocupacional. Gesticular, apontar e falar sozinho serviria para checar se tudo está em ordem com a sinalização. Ana Kfouri nos faz lembrar desse procedimento rudimentar no solo Uma frase para minha mãe (Une phrase pour ma mère, 1996). Em vez de concentrar-se na direção do dedo, porém, ela prioriza a elocução. O pensamento vem do ato da fala que a orienta no caminhar compassado por entre a plateia sentada em estrados da sala multiuso. Leia mais
31.3.2019 | por Valmir Santos
A anomalia que se abateu sobre a realidade e o imaginário do Brasil nos últimos meses é discutida com senso de urgência em obras nascidas da pesquisa teatral continuada. O poder de indignar-se vem coligado à disposição para empreender rupturas igualmente substanciais no terreno das formulações estéticas. Autodeclarados desde os sinais gráfico e de pontuação que carregam nos nomes, ruídos de ajuntamento, os espetáculos Gota d’água {PRETA} e [In]justiça constituem relevantes perspectivas de posicionamento nesse sentido, criticando de maneira contundente o racismo e a desigualdade social. Leia mais
27.3.2019 | por Valmir Santos
Uma das premissas dos produtos da indústria cultural é a reviravolta na narrativa. O chamado plot twist equivale a uma mudança radical na direção esperada ou prevista de um romance, filme, série televisiva, história em quadrinhos, jogo eletrônico e outros suportes. No espetáculo Mágica de verdade, o grupo inglês Forced Entertainment enterra essa proposição e ilustra a perversa interdependência das acumulações de capital e de imagem na vida social cada vez mais reduzida a mercadoria. Leia mais
21.3.2019 | por Valmir Santos
O caráter não espetacular de Partir com beleza (Finir en beauté, 2014) confere uma cumplicidade ambígua ao relato do francês de ascendência marroquina Mohamed El Khatib. Percebe-se a iminência de naufragar por causa da identificação emocional do público com a experiência familiar de doença e morte da mãe, atalho para sentimentalismo. Ao mesmo tempo, o solo desencadeia condições de navegabilidade documental livre de encaixes categóricos do que venha a ser teatro, performance ou demais filiações. Leia mais
20.3.2019 | por Valmir Santos
Em 2000, Felipe Hirsch transpôs para a cena o romance em que o dono de uma loja de discos era fixado em classificar as cinco melhores ou piores canções pop com a régua das suas separações amorosas, entre outras tiradas. Lembramos de A vida é cheia de som e fúria porque as obsessões com as quais o diretor é confrontado em Democracia são de ordem institucional e mais complexas, também um espetáculo que partiu de um livro. Leia mais
19.3.2019 | por Valmir Santos
História de uma história coletiva, assim pode ser percebido o mais recente espetáculo do Grupo Sobrevento, Noite. Os criadores buscaram em lugares públicos e privados no entorno de sua sede, entre o Brás e o Belenzinho, memórias pessoais e urbanas que contribuíram para moldar a alma desses bairros do centro expandido de São Paulo. Leia mais
14.3.2019 | por Valmir Santos
Para o sociólogo José de Souza Martins, “prestar atenção nos movimentos corporais de quem nos governa é um meio de compreender em tempo o que será o governo e de que tipo serão suas crises”. No caso do novo presidente, os idealizadores da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, estavam de olho no discurso das “arminhas” com as mãos desde a campanha eleitoral. As formas de violência subjacente em muitas promessas de campanha tornaram-se concretas nas primeiras e longas 11 semanas de gestão – serão 208 até 2022. Leia mais
9.3.2019 | por Valmir Santos
Em Nós (2016) e Outros (2018), desenvolvidos em parceria com o diretor Marcio Abreu, o Galpão problematizou a relação grupo-sujeito-sociedade com agudeza de espírito. Os espetáculos realçaram o caráter progressista da alteridade por meio do fenômeno artístico, atando consciências crítica e autocrítica como raramente se viu em seu repertório, ainda que sempre aberto a temas sociais e políticos. Leia mais
20.2.2019 | por Valmir Santos
A reedição da peça Rasga coração e a inédita adaptação cinematográfica de mesmo nome, dirigida por Jorge Furtado, transformaram o recesso teatral de fim/início de ano em oportunidade de acercamento ao último texto de Oduvaldo Vianna Filho para teatro. Livro e filme demonstram o quanto o drama tem a dizer à sociedade 44 anos depois de Vianinha, como era conhecido, concluí-lo a duras penas, num 23 de abril, mesmo dia da morte de Shakespeare no século XVII e a 85 dias de sua própria morte, em 16 de julho de 1974. Leia mais