Jornalista e crítico fundador do site Teatrojornal – Leituras de Cena, que edita desde 2010. Escreveu em publicações como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes. Autor de livros ou capítulos afeitos ao campo, além de colaborador em curadorias ou consultorias para mostras, festivais ou enciclopédias. Doutor em artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde fez mestrado pelo mesmo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas.
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29.11.2014 | por Valmir Santos
As representações de deuses, homens, animais ou seres fantásticos remontam aos primórdios da humanidade. Arqueólogos estimam que desde o terceiro milênio antes de Cristo, por exemplo, povos do Egito ou da Mesopotâmia já recorriam a sombras, pinturas ou entalhes nas rochas e cavernas para demarcar rituais e festejos, profanos ou sagrados, em celebração às forças da natureza: terra, fogo, água e ar.
Num salto para este século 21 as formas animadas, ou simplesmente formas não humanas mantêm a energia renovada apesar de tão ou mais antigas que a expressão corporal propriamente dita. Os recursos da máscara, da silhueta, do objeto e do boneco evoluíram ao longo do tempo em associação estreita com as reinações do teatro, da dança, do circo ou da ópera, multiplicando as possibilidades de criação.
Uma síntese extraordinária dessa ancestralidade alinhada ao imaginário contemporâneo brota justamente do teatro de bonecos que o Grupo Giramundo abraça há 44 anos e cuja memória é esquadrinhada na Ocupação em cartaz no Itaú Cultural, em São Paulo, entre 29/11 e 11/1. Leia mais
27.11.2014 | por Valmir Santos
O artistas do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos amanheceram nesta quinta (27/11) com a notícia do despejo de sua sede no bairro paulistano da Pompeia. Às 7h30 um oficial de justiça, acompanhado da Polícia Militar e de um caminhão de mudanças, chegou de surpresa ao galpão da Rua Doutor Augusto de Mirada, 786, para executar a ordem. Leia mais
19.11.2014 | por Valmir Santos
Brincadeira brotada há 15 anos de atividades formativas desenvolvidas por Helder Vasconcelos em São Paulo e, claro, irradiada do Carnaval de rua de Olinda e do Recife, suas fontes, o Boi marinho abriu no sábado (15/11/) a segunda edição do festival O Mundo Inteiro É um Palco – Ano II. O cortejo percorreu o entorno do Barracão Clowns, sede do Clowns de Shakespeare, grupo realizador do encontro de teatro nacional centrado no trabalho de pesquisa continuada dos coletivos e que consolida sua inscrição no calendário da cultura na capital do Rio Grande do Norte. Leia mais
12.11.2014 | por Valmir Santos
Aquilo que é da ordem do imprevisto, do acaso, surge calculadamente esquadrinhado no palco para erguer a biografia não autorizada e devidamente inventada de uma mulher e da cidade que mais a forjou para o mundo. Leia mais
16.9.2014 | por Valmir Santos
Representante única da produção peruana no Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, Criadero serve-se do formato da autoficção e supera as armadilhas dessa escolha quando envolve o universo feminino próximo dos 40 anos triscando os lugares-comuns da autoajuda. Não é o caso. O conteúdo testemunhal de duas atrizes centra na condição de ser mãe enquanto uma terceira ainda não teve filho, mas congelou os embriões para quem sabe. A dramaturgia e direção de Mariana de Althaus – aliás, ela não veio ao Brasil por conta da gravidez – toma esse material colaborativo pelas mãos e o transforma numa experiência convincente de quem quer contar boas histórias em primeira pessoa e enreda o outro – o espectador – de maneira inspirada. Leia mais
15.9.2014 | por Valmir Santos
Cidade-sede de grupos como Piollin, Teatro Bigorna, Quem Tem Boca É Pra Gritar, Ser Tão Teatro, Alfenin e Osfodidário, entre outros, a capital paraibana abriga até 21 de setembro sua primeira Mostra Internacional de Teatro. Dois coletivos da Argentina, um do Chile e outro envolvendo artistas da Espanha e da Polônia somam-se aos 17 núcleos vindos de diferentes estados brasileiros, além da dezena de trabalhos de João Pessoa. Leia mais
15.9.2014 | por Valmir Santos
O dramaturgo David Mamet tem mais de 40 anos de relacionamento com o teatro, arte que certamente o credenciou para o cinema, cativo de seus roteiros. Em 2010 ele lançou o livro Teatro, empilhamento de regras de teor revisionista e fruto de longa convivência com os pensamentos e as práticas que forjaram sua visão do trabalho de ator, de diretor, de autor, mais o papel do público, da bilheteria e, sobretudo, dos princípios teóricos da cultura teatral absorvidos desde a juventude em sua Chicago natal. Leia mais
14.9.2014 | por Valmir Santos
O grupo chileno Teatro en el Blanco crava em La reunión o poder da retórica que enfeixa ator e voz no domínio técnico assim como, no plano das ideias, atrita história e ficção ao jogar com avatares dos processos de colonização. As figuras da rainha Isabel e do navegador Cristovão Colombo são catapultadas de cinco séculos atrás para uma arena expositiva das seduções do e pelo poder aplicáveis aos sistemas políticos de todas as épocas. Leia mais
7.9.2014 | por Valmir Santos
Em La imaginación del futuro, o diretor Marcos Layera e a Compañía de Teatro La Resentida revolvem uma passagem trágica do Chile: o golpe militar e consequente morte do presidente Salvador Allende, que teria cometido suicídio em 11 de setembro de 1973 sob bombardeio do Palácio La Moneda, no centro de Santiago (outra versão diz que ele foi assassinado por soldados). Não falta adrenalina ao espetáculo que abriu o 3º Mirada – Festival Ibero-Americana de Artes Cênicas de Santos, seja pela expressão física das atuações ou pela ousadia dessa jovem geração que está em cena, criou a dramaturgia em colaboração e maneja esse material explosivo incorrendo em riscos no exercício de dialogar com o mito e dessacralizar o estadista que influenciou o destino da nação. Leia mais
5.9.2014 | por Valmir Santos
Duas cenas curtas balizam a identidade artística do grupo espanca! construída ao longo de sua primeira década.
Em 2004, Por Elise, título homônimo do espetáculo desdobrado no ano seguinte, surpreende e encanta pela exposição de um sistema cênico aparentemente simples ancorado em requintada elaboração das escritas de texto, de cena e de atuação. Essa rara conjunção, almejada por todo criador atilado, finca raízes sob as mãos e pensamentos de moças e rapazes que, intuímos, não pactuam de largada a ambição de revolucionar a morfologia do teatro. Antes, jogam abertamente com os rastros existenciais, as inspirações artísticas embrionárias de suas escolas livres ou formais e a sincronia de época com outros pares inclinados à pesquisa permanente na capital mineira ou alhures. Condensação estilística e moldura poética inatas fixam a inquietação como princípio. Leia mais