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Reportagem

A partir de domingo, 10, a cidade de São Paulo abriga a E-Scapes – Conferência Internacional do Design para Performance. São cinco dias de atividades envolvendo workshop, mesa-redonda, apresentação, bate-papo, lounge e projeção. A agenda inclui o encontro anual das comissões e grupos de trabalho em educação, performance, design e pesquisa da Organização Internacional de Cenógrafos, Técnicos e Arquitetos de Teatro, a Oistat, atualmente radicada na Holanda. Nascida na República Tcheca em 1968, um ano após a bem-sucedida edição inaugural da Quadrienal de Praga (PQ), exposição de referência planetária nos campos da cenografia, figurino, iluminação, sonoplastia e tecnologia cênica, a Oistat conta desde 2007 com centro brasileiro e, pela primeira vez, sedia jornada de fôlego na América Latina. Leia mais

Crítica

A concepção de La flor de la Chukirawa permite analogia com o Teatro Nô. Assim como a secular expressão japonesa expõe matrizes gestuais, espaciais e rítmicas rigorosamente apoiadas naquela cultura, o grupo equatoriano Contraelviento Teatro reafirma a ancestralidade andina por meio das partituras corporais e vocais da atuadora Verónica Falconi. A protagonista compõe com traços antropológicos a velha camponesa cuja pobreza ou ignorância autodeclaradas contrastam a sabedoria pontuada com aguda visão de mundo. Leia mais

Crítica

Despidos da máscara da representação, ainda assim os gestos e as falas não traem a qualidade da presença de palco desses corpos amadurecidos pelas artes da dança, do teatro e, tangencialmente, do cinema. Ocupando duas cadeiras no centro de um auditório do Sesc Pinheiros, numa tarde paulistana da semana passada, o letão Mikhail Baryshnikov, de 66 anos, e o americano Willem Dafoe, de 59 anos, mostram-se pacientes, conscienciosos e bem-humorados diante de jornalistas ávidos pelas razões que os movem em The old woman (A velha), em turnê latino-americana por São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires até este mês. Leia mais

Crítica

A mitologia grega pondera deuses com virtudes e defeitos humanos. Vide a frequência com que os baixam do Olimpo para interagir com os mortais. Numa de suas incursões como autor teatral, Woody Allen clama a Zeus, senhor do raio e do trovão, para salvar um grupo de humanos “agradecidos, mas impotentes”. Na comédia Deus (1975), do cineasta, os protagonistas são um ator e um dramaturgo pelejando para encontrar o melhor fim de uma história transcorrida na Grécia Antiga. Já a peça brasileira O livro de Jó (1995), de Luís Alberto de Abreu, sob premiada atuação de Matheus Nachtergaele no Teatro da Vertigem, a inspiração vem da passagem bíblica em que criador e criatura se confrontam. No enredo, homem fervoroso é exortado à provação acometido pelas chagas e pelo abandono da mulher, transbordando questionamentos. Leia mais

Reportagem

O jornalista, crítico e estudioso teatral Sebastião Milaré, 68 anos, morreu por volta das 9h30 desta quinta-feira. Há cerca de um mês diagnosticado com câncer de intestino, ele estava internado no hospital Cruz Azul, em São Paulo. “A doença evoluiu rapidamente”, afirma uma de suas sobrinhas, Célia Regina Vieira da Cruz. O velório acontece a partir das 18h de hoje no cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo (Rua Jardim da Colina, 265, Jardim Petroni). O sepultamento está marcado para amanhã, às 11h, no mesmo local. Leia mais

Resenha

Em artigo publicado no catálogo de uma exposição voltada à obra do paulistano Flávio Império (1935-1985), no final da década de 1990, o milanês Gianni Ratto (1916-2005) prospectava como seria interessante escrever uma história do teatro brasileiro analisada sob a ótica de seus cenógrafos. Radicado no país desde 1954, ele questionava até que ponto a “grafia da cena” influenciou os processos criativos como a dramaturgia o fez na evolução da nossa modernidade dos palcos – e da qual ele foi um dos protagonistas. Cioso do texto como epicentro, legado de sua geração na Europa, não escondia o ceticismo da falta de correspondência qualitativa no caso brasileiro porque “muitas vezes a dramaturgia teria sido muito melhor servida se seus textos tivessem sido apresentados vestidos somente da esplêndida nudez de suas palavras”. Leia mais

Reportagem

Pedras caiadas desenham os 50 anos do Odin Teatret. São 30 pontos brancos sobre a grama na entrada da sua sede. Troncos enlaçados por faixas amarelas, vermelhas e roxas conformam uma alameda rumo aos pavilhões e aos galpões da área arborizada onde até junho de 1966 funcionava uma fazenda. Os jovens daquela primeira formação do grupo já encontravam vacas pastando por ali, gênese do Nordisk Teaterlaboratorium. As mutações da arquitetura do local resultaram, ao longo dos anos, em salas de ensaio e de apresentação, além de setores de administração, arquivo, biblioteca, cozinha e quartos. Florescimento da filosofia do convívio laboratorial, treinamento e pesquisa na veia. Leia mais

Prefácio

Apresentação

22.5.2014  |  por Valmir Santos

Os nove roteiros empilhados nestes papeis constituem de fato dramaturgias expandidas e estrategicamente esburacadas. Tanto a percepção advinda do livro como aquela plasmada da cena convocam o senso crítico do interlocutor por excelência, o público. A captura pelo imaginário encaixa signos e estranhamentos conforme o grau de leitura emancipada. Cada um está livre para se achar ou se perder diante das ilusões e realidades embaralhadas nas obras com as quais o ERRO Grupo adentra as veias da cidade. Eis a dedução semântica da experiência de fruir essas palavras impressas, portanto apartadas das situações performativas, interventivas e afins para as quais foram geradas. Leia mais

Reportagem

Até o fim deste maio a escritora Edla van Steen deve consolidar a seleção de cerca de cem textos que Sábato Magaldi escreveu para o Jornal da Tarde entre 1966 e 1988. Trata-se, essencialmente, de compêndio sob a rubrica crítica de espetáculos, ofício que nunca ganhou edição específica na trajetória do estudioso do teatro que completou 87 anos no último dia 9. Leia mais

Artigo

A filosofia dos grupos

5.5.2014  |  por Valmir Santos

As artes cênicas são, por natureza, gregárias. Sincronizam a respiração no ato ao vivo entre os artistas que ocupam palco, galpão, picadeiro ou espaço público e os espectadores instigados a embarcar nessa nau milenar. Nas tradições orientais e ocidentais, uma das bases da convivência no teatro e na dança diz respeito ao caráter coletivo por trás de cada criação. Em um monólogo dramático ou em um solo coreográfico haverá sempre a interlocução direta ou indireta de uma equipe ancorando as palavras, os gestos, os silêncios e as variantes sensoriais no coração da cena. Leia mais