Jornalista e crítico fundador do site Teatrojornal – Leituras de Cena, que edita desde 2010. Escreveu em publicações como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes. Autor de livros ou capítulos afeitos ao campo, além de colaborador em curadorias ou consultorias para mostras, festivais ou enciclopédias. Doutor em artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde fez mestrado pelo mesmo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas.
Leia os 72
textos
dessa ação >
7.12.2013 | por Valmir Santos
A forte identificação que o monólogo Aurora boreal estabelece com o espectador constitui seu paradoxo. O autor, diretor e ator Dionízio do Apodi, do grupo potiguar O Pessoal do Tarará, sediado em Mossoró há 11 anos, amarra de tal forma a empatia em torno do relato que chega a abri-lo à intervenção do público, instado a assumir em cena algum testemunho de coragem como aquele empreendido até ali pelo artista (colocando-se sob holofotes) e do personagem (narrando a superação de um dilema existencial). A interação é movediça. As concessões, idem. Leia mais
6.12.2013 | por Valmir Santos
As duas peças de Rafael Barbosa apresentadas na semana do Festival de Teatro de Fortaleza tocam em meandros dessa arte e dos seus fazedores. Metrópole, com a Companhia Inquieta de Teatro, e Ô, putaria, com o Grupo Teatro em Película, urdem os dilemas da produção da cidade e do próprio artista em construção. Em vez de ansiedade metalinguística, a profícua obra de juventude – ele tem 23 anos e pelo menos dez textos – é talhada pelo desejo de contar histórias dispondo muitas pedras metafísicas e tragicômicas no meio do caminho. Leia mais
5.12.2013 | por Valmir Santos
Em 2007, reporto para a Folha de S.Paulo a estreia de Chorinho na cidade, texto que Fauzi Arap escreve no ano anterior e chega ao palco pelas mãos do diretor Marcos Loureiro. Claudia Mello e Caio Blat contracenam em diálogos evocativos de Dois perdidos numa noite suja, de Plínio Marcos, e Zoo story, do norte-americano Edward Albee. Leia mais
1.12.2013 | por Valmir Santos
Ao arremedo de fábula que Georg Büchner (1813-1837) aplica em Leonce e Lena para desconstruir convenções românticas, políticas e sociais o Teatro Máquina deita seus próprios dispositivos espaciais, visuais e sonoros sem eclipsar o antienredo palaciano do autor alemão. Como ele, o grupo investe na comicidade crítica e, livre associação, contrapõe-se à voga do riso oco e autômato, uma pandemia do momento brasileiro. Leia mais
1.12.2013 | por Valmir Santos
Os sujeitos de Metrópole antagonizam o ensimesmar-se e a extroversão. Eu e mundo. Afeto e dilaceração. Casa e cidade. Íntimo e urbano. Os movimentos da vida que há anos separaram os irmãos agora despontam invertidos. Caetano, o ressentido com o teatro, recebe em sua toca a visita de Charles, o jovem ator que o incita a obstinar como d’antes. Em vão? Leia mais
1.12.2013 | por Valmir Santos
Numa feira apinhada do Bom Jardim, na periferia de Fortaleza, a palhaça Nada puxa seu carrinho de bugigangas e disputa espaço com feirantes, fregueses, sacolas, bicicletas, motocicletas e outros carrinhos de mão improvisados como carreto. Nariz do tamanho de uma maça, peruca de fios encaracolados e macacão azul e amarelo não deixam dúvidas de que ela está na contramão do ambiente aparentemente informal, ao ar livre. Lugar de comprar, trocar e vender desde tempos medievais. Leia mais
1.12.2013 | por Valmir Santos
Travestir é verbo teatral por excelência. O ator, diretor e dramaturgo Silvero Pereira faz o prólogo com vestido vermelho e salto alto. Em seguida, despe-se do gênero, troca o calçado por botas e coloca roupa preta base. Camisa regata e calça. É com elas, mais o cabelão comum, que entrelaça sua condição à de outros travestis e transformistas com os quais comunga na estrada da vida. O figurino enlutado dá margem às dores físicas e imorais que rondam a narrativa assim como pode servir às exigências do desempenho corporal nos momentos solares. Leia mais
5.11.2013 | por Valmir Santos
A liberdade como base. A igualdade como meio. A fraternidade como objetivo. Para a diretora Ariane Mnouchkine, à luz do século 21, o ideal seria substituir a terceira perna por “humanidade” no lema da República Francesa sobrevindo da revolução de 1789 e tornado patrimônio nacional, quiçá, universal. O pensamento humanista permeia a prática e a atitude da mítica companhia que ela ajudou a criar há quase 50 anos, o Théâtre du Soleil. A efeméride será em maio próximo, mas a exibição esta semana, em São Paulo, do filme em que a diretora transpõe seu espetáculo mais recente para a tela sintetiza exemplarmente os faróis ideológicos e poéticos que a orientam em 74 anos de vida. Leia mais
15.10.2013 | por Valmir Santos
O quarto espetáculo do Grupo 3 de Teatro constitui prato cheio para os criadores habituados a transformar tudo em ação: a palavra, o gesto, o espaço, a luz, a sonoridade e tudo mais que estimule o jogo de cena. Desde o ventre de seu nome, Contrações, a peça do inglês Mike Bartlett já sinaliza as potencialidades físicas e faladas. Os diálogos enxutos, a codependência de quem comanda e é comandado, o rumor do assédio moral e a circunscrição de um ambiente corporativo são algumas das possibilidades formais e temáticas operadas pela diretora Grace Passô e pelas atrizes Débora Falabella e Yara de Novaes. Leia mais
4.10.2013 | por Valmir Santos
Se o espectador experimentar fechar os olhos em algum momento da sessão de Myrna sou eu notará mais a fundo o quanto o trabalho de voz de Nilton Bicudo é matricial nos modos de escuta e apropriação do folhetim de Nelson Rodrigues. Leia mais