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Crítica

Em sua formulação documentária da cena, na década de 1960, o alemão Peter Weiss (1916-1982) evitava “qualquer invenção” ao se debruçar os fatos. Era compreensível pensar assim em tempos de abates vietnamitas e americanos. O autodenominado laboratório de artistas Mapa Teatro jamais conseguiria tocar a história colombiana recente sem lançar mão da inventividade. Prova disso é a explosiva abordagem da falida guerra às drogas em Discurso de un hombre decente (2012), tão cara, política e financeiramente, a Bogotá e Washington. Leia mais

Crítica

A condição do artista, sobretudo a do artista brasileiro que se conhece de causa, ziguezagueia da primeira à última cena em Os bem intencionados (2012). Jogo de cintura natural à linha de tempo de convivência por décadas equilibrando-se no ofício dos tablados, galpões e praças.

O Lume Teatro evita a autorreverência ou a expiação a essa altura dos 28 anos. Prefere cortar a carne da memória e fazer troça de si. Bom humor rimando com a instância do ator, régua absoluta em tudo que o grupo de Campinas cria. Leia mais

Artigo

Bertolt Brecht e Walter Benjamin sonhavam publicar uma revista que, infelizmente, não vingou. Entre o outono de 1930 e a primavera de 1931, eles articularam, junto a outros pensadores de sua geração, como o compatriota alemão Ernst Bloch e o húngaro Georg Lukács, uma publicação na qual “a inteligência burguesa tomasse para si as exigências e os conhecimentos que, nas atuais circunstâncias, só a ela seria permitida uma produção com caráter de intervenção, com consequências, ao contrário das habituais produções arbitrárias”[1], conforme Benjamin esboçara naqueles meses em que o nazismo ascendia. O projeto editorial de inquietação marxista jamais saiu do papel, mas tampouco foi ilusório. Se o momento histórico conspirou contra as condições para a então pré-batizada Krise und kritik, ao menos germinava a ideia de intelectuais e artistas fundar uma revista custeada por eles mesmos numa sondagem ao próprio trabalho e aos interesses de seu entorno social e político sem perder a capacidade de discernir. Leia mais

Artigo

Três anos separam o aparecimento de A gaivota da inauguração do Teatro de Arte de Moscou, no final do século XIX. Trata-se do hiato entre um dramaturgo renomado pela condição de contista, cioso de diretores que elevassem o realismo e a simplicidade à enésima potência, e uma companhia teatral inquieta por novas visões estéticas, filosóficas e poéticas para o ator. Do futuro em que escrevemos, o encontro de Tchékhov com a equipe de Stanislavski e Nemirovitch-Dantchenko – a montagem da peça seminal da companhia estreia em 1898 – transformou paradigmas que continuarão a ecoar amanhã adentro. Leia mais

Artigo

A crítica de teatro vive dias aflitivos no jornalismo cultural do país. E ela não está só, não é de agora. As razões são deveras sistêmicas. Passam pela fusão das redações com a web, pela clássica redução de espaço editorial, queda no número de assinantes e na receita publicitária, chegando até à obsolescência da educação nos dias de hoje, isso tudo para ficar na seara do jornal impresso. É doloroso constatar refluxo justo na fase em que a ascensão do teatro de grupo trouxe novo alento ao diálogo inventivo com o espectador e com a cidade. Leia mais

Entrevista

O pensamento articulado baliza os 21 livros publicados até o ano passado e traduzidos em várias línguas, descontadas as dezenas de ensaios e entrevistas. A presença e a palavra de Eugenio Barba, 76 anos, despertam interesse não só dos que participamos da Odin Week Festival, em agosto de 2012. Mas de qualquer estudante ou profissional das artes cênicas que passou pelo século XX ou está a bordo do século XXI.

Seu carisma combina com uma tensão permanente, um periscópio atento a cada encontro. O colete meticuloso e as sandálias franciscanas, clássicos de seu guarda-roupa, corroboram certa mística em torno da arte e das ideias semeadas desde a formação do Odin Teatret, em 1964. Leia mais

Entrevista

A entrevista com o bailarino, coreógrafo e ator Augusto Omolú (1963-2013) aconteceu em agosto de 2012, na sede do grupo dinamarquês Odin Teatret, em Holstebro. Ele morreu no dia 2 de junho passado. O corpo foi encontrado esfaqueado em sua casa, em Lauro de Freitas, cidade da região metropolitana de Salvador. Um mês depois, familiares e amigos protestaram pela efetiva apuração do crime que a polícia baiana diz ainda investigar.

Augusto José da Purificação Conceição tinha 50 anos. Um dos seus legados é o da afirmação da dança popular e de ascendência africana. Daí os fortes laços com a cultura do candomblé, como dão prova a coreografia Dança de origem (1988), de sua autoria, justamente a gênese do Balé Folclórico da Bahia. Ou a consciência técnica da dramaturgia do movimento por meio da Dança dos Orixás depurada no convívio artístico com o grupo dirigido por Eugenio Barba. Leia mais

Entrevista

Roberta Carreri é a força motriz da jornada Odin Week Festival. Quando a atriz italiana concebeu a primeira edição do encontro, em 1989, a perspectiva pedagógica era clara: transmitir aos participantes conteúdos práticos e teóricos sobre o treinamento de ator. Aos poucos, as bases espraiaram-se pelos princípios individuais e coletivos dessa arte de natureza gregária. O que era uma semana de atividades se transformou, atualmente, em dez dias de imersão na cultura de teatro forjada pelos artistas da equipe, entre elenco, técnicos e administradores do Odin Teatret. Leia mais

meetings with a young poet

Entrevista

O público brasileiro afeito aos trabalhos da portuguesa Maria de Medeiros no cinema – como atriz e diretora – ou mais recentemente na música – como cantora e compositora -, finalmente vai descobri-la no teatro, arte que considera ser fundamental em tudo que construiu em 30 anos de carreira. Ela sobe ao palco para interpretar uma psiquiatra de meia-idade às voltas com aparas ideológicas e afetivas com a filha, advogada. O espetáculo “Aos Nossos Filhos” corresponde a um instantâneo na vida de duas mulheres mobilizadas pelo que fizeram do desejo e do ofício de viver. Leia mais

Reportagem

O anglicismo no nome artístico de Ron Daniels condiz com os cerca de 30 espetáculos de Shakespeare em seu currículo. Fluminense de Niterói, Ronald Gomes Daniel vive fora do Brasil há 48 anos. Na Inglaterra, o então jovem ator foi logo alçado a diretor, ofício maturado em quase três décadas de trabalhos junto à Royal Shakespeare Company, uma das mais prestigiadas do Reino Unido. Em 1997, ele se mudou para os EUA, onde esteve associado por anos à companhia American Repertory Theatre. Atualmente, como profissional freelancer, tem peças e óperas na agenda até 2014. Leia mais