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Reportagem

Prezado Pirulito, saudações cênicas. Foi bom ver o circo contemplado na programação do Fenart. Essas artes têm muito em comum, palco e picadeiro se emendam. E sua Trupe de Teatro e Circo Pirulito indica beber dessa tradição. Pena que o espetáculo Um, dois, três… conto outra vez não faz jus ao conceito de pesquisa que vocês anunciam no final. Pesquisa, com “P”, não daria em apresentação tão mediana e gratuita em algumas soluções, como a de cuspir água sobre mãe com criança no colo. À figura do palhaço não cabe regras, esse homem-bomba do riso, como diria Hugo Possolo, o Tililingo dos Parlapatões, Patifes & Paspalhões. Mas bom senso na relação com o público mirim é o mínimo que se espera do artista. Leia mais

Crítica

O menino conta 14 ou 15 anos. Ele se equilibra com cuidado sobre as tabuazinhas de madeira da arquibancada. Carrega a bandeja de sagu, de pipoca ou de maçã do amor. A guloseima varia conforme a noite. Luta de telequete, com Ted Boy Marino, Fantomas e outros lutadores que desfilam à tarde na carroceria do caminhão, mascarados a caráter, para anunciar pelo megafone a sessão noturna. Às vezes, o circo recebe Os Trapalhões, com Mussum, Dedé e Zacarias – Didi nunca aparece. E há, claro, as atrações fixas, o número de reprise com palhaços, os malabaristas, o globo da morte cuja moto zune em nossos ouvidos. Leia mais

Crítica

No sábado e domingo, 21 e 22 de julho, medio três mesas no encontro Com Nelson ao pé da Cena, no Itaú Cultural (av. Paulista, 149). Fiz a curadoria a convite da gerente de artes cênicas, Sonia Sobral. A entrada é livre. São três mesas com pares de diretores que rememoram seus percursos criativos diante de uma peça comum de Nelson Rodrigues. Leia mais

Crítica

Após banhar-se do tema do bicentenário da independência colombiana em Fragmentos de libertad – 200 anos (2010), o Teatro Varasanta – Centro para la Transformación del Actor persevera pensar o seu país em cena com perspectiva histórica. Agora, é Shakespeare quem lhe dá as senhas em La tempestad, sob as mãos do diretor polonês convidado Piotr Borowski (do Studium Teatralne, de Varsóvia), discípulo do compatriota Jerzy Grotowski. Leia mais

Reportagem

Esta dissertação circunscreve os mecanismos de organização e criação de três grupos teatrais radicados no distrito de Barão Geraldo, Campinas, SP. Os dados são coletados a partir de observações, anotações de campo e entrevistas. Como forma narrativa, procuramos colocar em relevo a subjetividade entredita nos discursos e práticas. Retraçamos o percurso histórico do lugar e dos três grupos eleitos para a análise: o Lume – Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais, a Boa Companhia de Teatro e o Barracão Teatro. Leia mais

Vídeo

Dois anos depois, voltamos à capital da Colômbia para cinco noites, seis espetáculos (o festival aconteceu de 23/3 a 8/4). Além da companhia peça do libanês Wajdi Mouawadpolonesa Teatro KTO (Los ciegos, ção do romance Ensaio sobre a cegueira, de mago); da mexicana Tapioca Inn.
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Valor Econômico

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Valor Econômico, 16/7/2012 (Caderno Eu & Cultura, p. D4)

 

Por Valmir Santos | Para o Valor, de São Paulo

 

Um grupo de teatro alcançar a casa dos 30 anos já não constitui novidade no Brasil. Seguem ativos no panorama atual núcleos balzaquianos como o sergipano Imbuaça, o gaúcho Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e o paulista Tapa, para não dizer do quarentão mineiro Giramundo e do cinquentão paulista Oficina, entre outros.

 

Mas o prestígio que o Grupo Galpão conquistou nos cenários nacional e internacional o coloca em posição tão imponente quanto as montanhas da sua Belo Horizonte natal. E uma das razões para isso é a capacidade de gerir as demandas artísticas, administrativas e financeiras ao longo de três décadas de história, ou 20 espetáculos.

 

A rigor, foi assim desde novembro de 1982, quando Antonio Edson, Beto Franco, Eduardo Moreira e Teuda Bara, cofundadores remanescentes, juntaram-se a outros colegas. Empoleirados em pernas de pau, eles foram às praças apresentar a comédia “E a Noiva Não Quer Casar”. Perdura, portanto, a simbologia de um grupo de atores – os diretores geralmente são convidados – equilibrando-se na cultura popular, no aprimoramento técnico e na pesquisa permanentes; na busca de infraestrutura ideal e na sobrevivência de seus membros exclusivamente por meio da arte.

 

Quem assiste ao espetáculo de rua Romeu e Julieta (1992), obra-prima do Galpão e do diretor Gabriel Villela para a tragédia de Shakespeare, havia nove anos sem vir à luz, capta com precisão a importância do grupo na historiografia da cena nacional. A tragédia tingida pela tradição barroca é remontada na esteira das comemorações pelos 30 anos. A turnê estreou em maio, em Londres, no mesmo espaço onde fora vista em 2000: o Globe, o teatro recriado nos moldes daquele onde o dramaturgo inglês trabalhou entre os séculos XVI e XVII.

 

Já o reencontro com o público de Belo Horizonte aconteceu no mês passado, durante o 11º Festival Internacional de Teatro Palco & Rua, o FIT-BH. Foram cinco apresentações ao ar livre. A reportagem viu a primeira, na praça do Papa, aos pés da Serra do Curral. Impressiona o afeto da cidade para com o Galpão. Apinhados morro acima, cerca de 5 mil espectadores ecoavam o elenco no cancioneiro popular da peça. Conformavam uma espécie de estádio lotado em torno da perua Veraneio modelo 1974, de cor vinho, batizada Esmeralda e transformada em “palco” para as ações, entre elas a dos enamorado no balcão.

 

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O carro que virou suporte cênico transportou o elenco e a equipe técnica nos idos de 1980 e 1990. Essa disponibilidade de espírito para ir de encontro ao público permanece intacta mesmo com a escala empresarial moldada pelo tempo. Hoje, além dos 13 atores e sócios, o grupo responde por outros 45 profissionais com carteira assinada, incluída a folha de pagamento do centro cultural mantido a poucos quarteirões da sua sede, o Galpão Cine Horto.

 

Da popular passagem de chapéu ao final das apresentações de rua, gesto tributário da Commedia dell’Arte, na Itália do século XV, à obtenção de patrocínio de manutenção e circulação das peças junto à Petrobras, desde 2000 (R$ 1,5 milhão/ano), o grupo ambiciona um crescimento estrutural em curto, médio e longo prazos.

 

As próximas etapas estão ancoradas na construção de uma nova sede, integrada a um complexo artístico e cultural de 2.055 m2 a ser erguido na mesma zona leste onde aportou em 1989. O terreno foi cedido pelo governo estadual, em abril de 2011, em comodato por 25 anos. “Isso significa que a gente precisa captar recursos para construir um patrimônio que não será do Galpão, mas público”, diz o ator Chico Pelúcio.

 

Orçado em R$ 28 milhões e concebido pelos arquitetos Mariza Machado e Fernando Maculan, o espaço multimeios prevê teatro de 400 lugares, sala de cinema, praça de apresentação, alojamento e biblioteca, além de absorver o próprio centro cultural Galpão Cine Horto, com seus núcleos de pesquisa em figurinos, cenografia, comunicação, memória, etc. O futuro edifício, cuja primeira parte deve ficar pronta em 2014, será vizinho ao Centro Mineiro de Referência em Resíduos e terá “cortinas verdes” em sua fachada, arbustos de bambu que reduzem o uso de ar-condicionado.

 

Com formação em administração de empresas, Pelúcio ingressou no Galpão em 1984 e responde pelo coletivo quando o assunto é gestão. Ele defende o conceito de sustentabilidade na cultura com a mesma convicção das preocupações ambientalmente corretas. A premissa é de que sem educação e cultura, falar em sustentabilidade seria inócuo.

 

“O cidadão somente terá a arte e a cultura como fundamentais em sua vida se, desde criança, dentro e fora da escola, for incentivado a olhar o mundo de forma mais humana e sublime. O espírito da arte, o belo, não encontra espaço no vocabulário ‘político economês’ no qual só os índices e os números são relevantes”, diz.

 

No plano criativo, não é por acaso que o Galpão anda às voltas com o pensamento e a obra do escritor russo Anton Tchékhov (1860-1904). Fazem parte do repertório as peças Tio Vânia (Aos que vierem depois de nós, direção de Yara de Novaes, e Eclipse, encenação do também russo Jurij Alschitz. Ambas estrearam em 2011 e, ao lado de Romeu e Julieta e Till, a saga de um herói torto (2009), direção de Júlio Maciel, convidam a revistar as raízes e a instigar o porvir, como devem sublinhar as temporadas em São Paulo (agosto) e Rio (outubro e novembro).

 

 

O jornalista viajou a convite da organização do 11º FIT-BH.

Crítica

Um grupo de teatro alcançar a casa dos 30 anos já não constitui novidade no Brasil. Seguem ativos no panorama atual núcleos balzaquianos como o sergipano Imbuaça, o gaúcho Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e o paulista Tapa, para não dizer do quarentão mineiro Giramundo e do cinquentão paulista Oficina, entre outros. Leia mais

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Reportagem

Nicolas Trevijano no monólogo sobre Kurt Cobain - José Roberto Jardim

Nicolas Trevijano no monólogo sobre Kurt Cobain – José Roberto Jardim

Dependente químico, rockstar de 27 anos se suicida com um tiro na cabeça e deixa um bilhete aos que ama. Pinçada do universo pop, uma história assim está condenada a lugares-comuns. E é deles que o monólogo Aberdeen – Um possível Kurt Cobain tenta escapar ao fixar-se na figura humana por trás do expoente grunge e vocalista da banda Nirvana. Leia mais