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Folha de S.Paulo

Hoje é o último dia para peças em cartaz em SP

16.12.2007  |  por Valmir Santos

São Paulo, domingo, 16 de dezembro de 2007

TEATRO

Temporada teatral chega ao fim, mas algumas produções apresentadas na cidade ainda poderão ser vistas em janeiro
 

Entre as montagens que saem de cartaz há um pouco de tudo, de comédia a paralelos literários entre escritores brasileiros

VALMIR SANTOS
Da Reportagem local 

Hoje é o último dia da temporada de teatro na maioria dos espaços de São Paulo, cidade que tem abrigado um grande e variado número de produções. 

Algumas das montagens deverão retornar em janeiro, caso de “Pálido Colosso”, da Companhia do Feijão. Outras, fecham as cortinas de vez ou buscam nova agenda, como é o caso de “Amada, Mais Conhecida Como Mulher e Também Chamada de Maria”, da Companhia Artehúmus de Teatro, que possivelmente voltará ao cartaz em março. 

Das que hoje se despedem da cidade há um pouco de tudo, de comédia a paralelos literários entre escritores brasileiros, caso de “A Última Quimera”, de Ana Miranda, que trata de dois poetas, Augusto dos Anjos e Olavo Bilac. 

“A Dama e Os Vagabundos”, uma bem-humorada incursão ao mundo do relacionamento homem-mulher, também tem hoje a sua última apresentação paulistana. “Pálido Colosso” e “Amada, Mais Conhecida Como Mulher e Também Chamada de Maria” têm em comum uma abordagem histórica, e de tom politizado, do país. 

Depois de olhar a realidade por meio do passado ficcional registrado por escritores como Mário de Andrade (mote para peças como “O Ó da Viagem” e “Nonada”), a Companhia do Feijão recorreu agora a depoimentos de seus próprios integrantes. “Os observadores do tempo não são mais os escritores, às vezes melhores que historiadores, mas nós mesmos, os vivos”, diz Zernesto Pessoa, 45, que assina dramaturgia e direção com Pedro Pires. Os fatos políticos são costurados com as memórias pessoais da infância, adolescência e vida adulta. 

As cenas nasceram de improvisações a partir de acontecimentos vivenciados ou não, como a censura à imprensa e a luta pelas Diretas-Já. O resultado é um cabaré “degenerado” com quadros que recortam episódios após a instalação da ditadura militar no Brasil, em 1964. 

Por vezes cômico, ácido e poético, o painel procura expor a “alienação” que seria perpetuada em brincadeiras infantis ou no futebol, passando por intervenções nem sempre felizes de artistas e pela conhecida fauna política brasileira -nunca ameaçada de extinção. “Uma das questões é que o Brasil dá a sensação de um permanente estado de coito interrompido”, diz Pessoa. 

O “parto” do país está no cerne de “Amada, Mais Conhecida Como Mulher e Também Chamada Maria”. O diretor Evil Rebouças, que finalizou a dramaturgia em colaboração com os atores da Companhia Artehúmus, concentra-se na relação colonizador-colonizado.



Amada, Mais conhecida como mulher e também chamada de Maria
Quando:
hoje, às 21h 
Onde: CCSP (r. Vergueiro, 1.000, tel. 3383-3400) 
Quanto: R$ 15


Pálido Colosso
Quando:
hoje, às 21h 
Onde: teatro da Companhia do Feijão (r. Teodoro Baima, 68, tel. 3259-9086) 
Quanto: R$ 10

 

Valmir Santos

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