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Crítica

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Entrechoques de mundos

25.5.2019  |  por Valmir Santos

A expressão “sair do armário” não se aplica apenas ao reconhecimento da sexualidade ou da identidade de gênero, seja sobre si ou o outro. Ela assume o fosso das classes sociais no espetáculo De volta a Reims (a pronúncia aproximada é “rãs”). Ter acesso, ou não, a serviços essenciais, como a educação, marca a vida de qualquer indivíduo. No caso, as barreiras de uma sociedade capitalista não são apenas impostas, mas autoimpostas: as origens do ser resultam apagadas após o “milagre” da formação escolar e da mobilidade social que propiciaram ascender intelectual, afetiva e materialmente falando.

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Dossiê Itajaí

24.5.2019  |  por Valmir Santos

Nenhum festival programa em sua noite de abertura o espetáculo Preto, da companhia brasileira de teatro (PR), e escala para o encerramento Nós, do Grupo Galpão (MG), sem que esteja em perfeita sintonia com o Brasil de 2019, as demandas de pautas identitárias e a oposição cerrada às mesmas pelo grupo político (e militar) instalado no Palácio do Planalto. “Não é de hoje que a cultura, a arte são artífices da construção do novo, do diferente”, escreveu o superintendente administrativo das fundações de Itajaí, Normélio Pedro Weber, na pensata institucional intitulado Trincheira de resistência, publicada no programa do Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha.

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Itajaí – Como os sujeitos podem se tornar intérpretes competentes da própria experiência a despeito dos obstáculos da vida? O discurso amoroso pode dar pistas ridículas, como o poeta Fernando Pessoa lia as cartas dos seres enamorados. E propiciar ressignificações subjetivas, como o semiólogo Roland Barthes tocou o coração da linguagem. Digna de figurar como objeto de estudos culturais, por mexer nas bases complexas e idiossincráticas de dois casamentos em que as pessoas são heterossexuais e octogenárias, Ilusões é uma peça em que o escritor russo Ivan Viripaev bagunça as expectativas a partir do título, para deleite estético da La Vaca Companhia de Artes Cênicas.

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Foi com uma linguagem inventiva e próxima ao ideário do teatro pós-dramático que o Magiluth conquistou seu espaço na cena teatral nacional. Criado no Recife, em 2004, o grupo investia em propostas de criação coletiva, valorizando a desconstrução do texto e uma interpretação muito mais próxima do performativo do que da representação propriamente dita.

Por diferentes motivos pode-se considerar Apenas o fim do mundo como obra que sinaliza maturidade. Para compor o espetáculo, o grupo pernambucano trouxe muito da experiência acumulada em seus 15 anos de existência: o jogo performático permanece a dar o tom e o espectador, figura sempre central em seu trabalho, funciona como aspecto motor – adentrando os limites da encenação e impregnando-lhe o ritmo.

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Curitiba – Na pesquisa continuada em torno da autoficção, em que engendra camadas de fatos ao que é invenção, ou em sentido inverso, o dramaturgo e diretor Sergio Blanco avança para o campo do realismo social em Tráfico. Falar de prostituição masculina e de matador de aluguel a partir da periferia de uma cidade latino-americana torna o intento mais complexo e terrificante, como se viu no Festival de Curitiba e pode ser conferido em sessões programadas para os dias 10 e 11 de abril no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Leia mais

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Guerra dentro da gente

7.4.2019  |  por Valmir Santos

Curitiba – A Armadilha Cia. de Teatro captou o sinal dos tempos ao estrear Dezembro (Diciembre, 2008) no festival nacional que acontece nesta época do ano em sua cidade. As questões traumáticas discutidas no texto do chileno Guillermo Calderón, traduzido e dirigido por Diego Fortes, são mais familiares ao público brasileiro do que em 2015, na montagem de Diego Moschkovich em São Paulo. Leia mais

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Curitiba – Apontar e falar, ou shisa kanko, é a técnica japonesa para melhorar o desempenho em atividades que exigem atenção. Ela surgiu no início do século XX para disciplinar funcionários de estações de trem. Com o passar dos anos, acabou adotada na área de segurança e saúde ocupacional. Gesticular, apontar e falar sozinho serviria para checar se tudo está em ordem com a sinalização. Ana Kfouri nos faz lembrar desse procedimento rudimentar no solo Uma frase para minha mãe (Une phrase pour ma mère, 1996). Em vez de concentrar-se na direção do dedo, porém, ela prioriza a elocução. O pensamento vem do ato da fala que a orienta no caminhar compassado por entre a plateia sentada em estrados da sala multiuso. Leia mais