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Crítica

A sublevação pelo riso

11.12.2019  |  por Valmir Santos

O palhaço e bufão argentino Chacovachi, nome artístico de Fernando Cavarozzi, costuma sugerir aos pares: “O público deve escutar não apenas o que você diz, mas o que pensa”. Essa proposição é levada a sério nos espetáculos Ordinários e O circo bélico. O Grupo LaMínima e a Trupe Lona Preta, respectivamente, consagram o riso crítico nos limites de quem está pisando em campo minado e, mesmo assim, não se dobra aos tempos de brucutus.

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Crítica

A mensuração do tempo na experiência do teatro vive pregando peças. O calendário gregoriano tanto pode operar a favor como atravancar o caminho de um espetáculo. Fatos avassaladores muitas vezes concorrem com episódios ficcionais. Basta lembrar de criações que estrearam antes ou pouco após 2013, quando o Brasil urbano foi ocupado por protestos difusos. As Jornadas de Junho provocaram ressignificações para o bem e para o mal. Daqui de 2019, não é difícil constatar as deformações moral e institucional, na esfera do país; ou de caráter, levando-se em conta os ódios profundos arrancados dos armários do brasileiro mais abjeto. No caso de Zabobrim, o rei vagabundo, de 2015, a apresentação no contexto do Festivale, em São José dos Campos, comprovou o quanto a obra de quatro anos atrás é atualizada em tópicos e lampejos, por mais que a disputa com a realidade tenha se tornado cada vez mais acirrada, às vezes por um nariz. O grupo campineiro Barracão Teatro, diga-se, jamais deixou de roçá-la em 21 anos de estrada.

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Crítica

Urgente e ancestral, a causa indígena desponta como eixo em Os um e os outros, parceria da Cia. Livre e da Cia. Oito Nova Dança. É a arte confrontando séculos de arbitrariedade e opressão, lidando com o legado das culturas imemoriais dos habitantes originários do Brasil e demais extensões do continente americano. Os estados de presença de uma mulher, de uma criança e de homens do povo Guarani M’Bya amplificam a experiência do público, como se conformassem um bioma cênico na dignidade manifestada através do olhar e da postura. Mais em tupi do que em português, eles se expressavam através de corpo, voz, canto e instrumentos artesanais. A relação com atores, bailarinos e músicos se dá de maneira a reconhecer diferenças e a delinear saberes da floresta. Uma modulação poética microscópica que toca com magnitude no cerne das ameaças ambientais e ainda tem a ver com a noção de espiritualidade (nela contida a ritualidade).

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Reportagem

“Um amontoado de perguntas”. Foi assim que Francisco Medeiros traduziu sua sensação por e-mail dois dias após a roda de conversa realizada no Teatro Cacilda Becker, em São Paulo. Em 25 de outubro de 2016 ele trocou ideias com as atrizes Eloisa Elena, Miriam Rinaldi e Yara de Novaes, mais o dramaturgo Alexandre Dal Farra e este jornalista a propósito das presenças, autonomias e transformações nos processos criativos que envolvem as artes da cena. À época, o diretor lidava com os ensaios de On love, do inglês Mick Gordon, que estreou em 2017, nova parceria com a Cia. Barracão Cultural, a mesma de Facas nas galinhas (2012), do escocês David Harrower.

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Crítica

Não há saída para a humanidade fora da solidariedade. É dessa perspectiva que o espetáculo Circo da Cuesta traz uma contribuição singular às artes da cena ao fundir as linguagens circense e teatral à cultura caipira paulista sem nivelá-las por baixo. Ao contrário, a Cia. Beira Serra de Circo e Teatro, de Botucatu, promove bons achados nessa triangulação formalmente incomum.

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Crítica

Numa situação hipotética, daqui a cem anos pesquisadores passarão a espátula no quadro da produção cênica desta segunda década do século 21 e chegarão às camadas constitutivas de Domínio público. À luz da ciência, resplandecerá um contra-argumento sutil à sordidez, ao falso moralismo, à cultura de linchamento, ao elogio da mediocridade como estratégia distorciva, vide a que culminou em obscurantismo no cenário do país.

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Crítica

Ao definirem seu Romeu e Julieta como uma intervenção sobre o texto do final do século XVI, os criadores do grupo boliviano Kiknteatr fazem da peça de Shakespeare uma plataforma para falar de si enquanto sujeitos, artistas e cidadãos de um país onde sabem o quanto as desigualdades de classe, gênero e raça determinam o futuro das crianças e jovens, vide os congêneres sul-americanos.

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