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Nota

MITsp tem abertura convencional com vídeos e falas de autoridades

10.3.2014  |  por Valmir Santos

Para um encontro que se quer arrojado em seu formato e conteúdo, a Mostra Internacional de São Paulo, a MITsp, revelou-se bastante convencional em sua cerimônia de abertura ocorrida na noite de sábado no Auditório Ibirapuera.

Com direito a exibição de vídeos institucionais e uma fieira de pronunciamento de autoridades públicas e privadas a mostra sucumbiu ao trivial dessas ocasiões em festivais pelo Brasil. Minou um bocado da energia do público a postos para assistir ao denso espetáculo da companhia italiana Socìetas Raffaello Sanzio, que logo nas primeira cenas restituiu o rito a que viemos e a arte se fez – em que pese o clique rumoroso e infernal de algum profissional da fotografia, ao fundo da plateia, que sabotou à vontade, cena a cena, o silêncio que deveria ser sagrado.

O coidealizador e curador Antonio Araujo (Teatro da Vertigem)  citou que a cidade conta com um espectador “corajoso”, “apetitoso” e “ousado” para interagir com o teatro de pesquisa dominante na programação. São 11 dias com 11 obras, dez delas internacionais, uma jornada de “curta duração e alta voltagem”, nas palavras do diretor que abriu as falas da noite.

Sem créditos

Saron, Marques, Araujo, Ferreira, Suplicy e Miranda

Guilherme Marques, coidealizador e diretor-geral de produção, lembrou do diretor do Festival Internacional de Teatro de Caracas, Carlos Jimenez, com quem se encontrou em várias ocasiões ao longo dos anos 1990, na capital venezuelana. Jimenez não cansava de afirmar o quanto a cena latino-americana foi marcada pelas nove edições do Festival Internacional de Artes Cênicas, o Fiac, organizado pela atriz e empresária Ruth Escobar entre 1974 e 1999.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, também evocou o empenho e a trajetória de Escobar. Na plateia, presentes alguns dos produtores que foram braço direito na organização do Fiac, como Emilio Kalil e João Carlos Couto, o Janjão.

O ministro Guido Mantega (Fazenda) compareceu e foi “cobrado” por Suplicy, Eduardo Saron (diretor do Instituto Itaú Cultural) e Juca Ferreira (secretário municipal de Cultura) quanto à necessidade de investimento em cultura, leia-se reforçar o caixa do MinC. Danilo Santos de Miranda (diretor regional do Sesc SP) sublinhou que nenhum país se desenvolve, inclusive economicamente, “sem transformação da educação/cultura”.

Suplicy e Ferreira deixaram o Auditório Ibirapuera antes do espetáculo começar.

Sergio Tiezzi (secretário adjunto da Cultura no Estado), por sua vez, lembrou a Saron (e ao setor de marketing do banco, por extensão) que, se a data da segunda edição fora anunciada pelos organizadores – 6 a 15 de março de 2015 -, por dedução o patrocínio do banco também estaria garantido, assim como o compromisso da pasta estadual independente dos ventos das eleições de outubro próximo.

Numerosos criadores cênicos e de várias gerações comparecem ao evento e podem ser representados pelos nomes de Antunes Filho e José Celso Martinez Correa. A cerimônia foi conduzida pela atriz Bete Coelho.

Resumo da ópera: não seria possível uma abertura com menos platitude e mais rente à expectativa dos espectadores que para lá se dirigiram?

Valmir Santos

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