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Folha de S.Paulo

Nelson e Niemeyer são homenageados em Praga

13.6.2007  |  por Valmir Santos

São Paulo, quarta-feira, 13 de junho de 2007

TEATRO 

Principal evento mundial de cenografia, Quadrienal começa amanhã na República Tcheca

Por três vezes curador do Brasil na mostra, J.C. Serroni agora faz parte do júri; Daniela Thomas co-desenha estande brasileiro
 

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

 
O dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) e o arquiteto Oscar Niemeyer, 99, são homenageados na representação brasileira da 11ª Quadrienal de Praga (PQ, na sigla original). A exposição abre amanhã no Palácio Industrial, complexo em estilo art noveau construído em 1891 na capital da República Tcheca. A cada quatro anos, e há quatro décadas, o encontro internacional projeta tendências na criação e pesquisa em cenografia, figurinos e arquitetura para teatro.

O universo das peças e crônicas de Nelson inspira trabalhos exibidos nas seções nacional (destinada à cenografia e a figurinos de espetáculos) e escolas de cenografia (projetos de estudantes). Niemeyer comparece no terceiro módulo do evento, o de arquitetura teatral. Leva quatro concepções de palcos italianos (Niterói, Duque de Caxias, parque Ibirapuera e Avilés, na Espanha) caracterizados por uma segunda boca de cena ao fundo, que se abre para uma praça ou um parque.

O Brasil mantém forte vínculo com o evento. As representações da antiga Tchecoslováquia na Bienal Internacional de São Paulo (1957, 1959 e 1965), encabeçadas por artistas como Frantisek Troster e Josef Svoboda, foram determinantes para a Quadrienal de Praga vir à luz em 1967. A PQ atravessou a cortina de ferro e a dissolução da URSS e alcança os 40 anos como única plataforma do gênero na contemporaneidade.

O arco de participações históricas vai da vanguarda do polonês Tadeusz Kantor ao surrealismo do espanhol Salvador Dalí. Entre os brasileiros, erguem-se duas pilastras: o carioca Helio Eichbauer, que estudou nos anos 60 em Praga com Svoboda (1920-2002), de quem tornou-se discípulo, e o paulista J.C. Serroni, por três vezes curador do país e, agora, integrante do júri internacional. A mostra é competitiva e já premiou, além do próprio Serroni, trabalhos de Gianni Ratto, Fábio Penteado, Daniela Thomas (que co-desenha o estande brasileiro), José de Anchieta, Edson Elito e outros.

Ao contrário de edições anteriores, este ano a organização não estabeleceu tema comum. Cada país cura o seu. O ator Antonio Grassi assina a representação brasileira, que organiza desde 2004, e põe em relevo sobretudo Nelson para o mundo ver.

Grassi é ex-presidente da Funarte, órgão do Ministério da Cultura que investe cerca de R$ 800 mil no encontro.

A coordenadora da PQ, Daniela Parízková, fala em “laboratório vivo” das artes cênicas. “Esperamos ver um mosaico de culturas e diferentes temas”, afirma. Ao todo, 55 países expõem na seção cenografia e figurinos; 40 em escolas de cenografia; e 25 em arquitetura e tecnologia para teatro. 

Jornalista e crítico fundador do site Teatrojornal – Leituras de Cena, em 2010. Escreveu em publicações como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes. Autor de livros ou capítulos no campo teatral. Colaborador em curadorias ou consultorias para mostras, festivais ou enciclopédias. Doutorando em artes cênicas pela Universidade de São Paulo, onde cursou mestrado na mesma área.

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