20.8.2026 | por Valmir Santos
Estar curador na Mostra de Artes Cênicas de Mogi das Cruzes, programada para 20 de agosto a 18 de setembro de 2026, remete aos anos de formação no jornalismo cultural na cidade do Alto Tietê, região metropolitana de São Paulo. Um roteiro marcado pelo curso de Comunicação Social (1987-1990) na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), privada, realizado por meio do então Programa de Crédito Educativo da Caixa Econômica Federal. A passagem relâmpago de três meses pelo Diário de Suzano (1989), no município vizinho. Os sete anos intermitentes em O Diário de Mogi (1989-1996), a redação em que principiei na cobertura de teatro editando o recém-criado suplemento Caderno A, a partir de maio de 1992. E por aí vai.
O filme desse caminho vem à mente desde fevereiro passado, quando a diretora e produtora Priscila Nicoliche, da Associação Cultural Quântica Laboratório de Arte Contemporânea, convidou para costurar os trabalhos cênicos na terceira edição da Mostra de Artes Cênicas (MAC). As anteriores aconteceram em 2015 e 2024, concebidas por ela própria e pelo dramaturgo, diretor e professor Antônio Rogério Toscano, respectivamente. Tudo por um esforço, ainda vigente, de inscrever o evento no calendário cultural.
Entre as 15 sinopses e fichas técnicas de espetáculos relacionados abaixo está a atriz e bailarina Mariana Muniz, pernambucana radicada em São Paulo. Nome simbólico na formação do olhar deste espectador em criações solos ou contracenando em elencos dirigidos por Ilo Krugli, Antônio Abujamra, Ulysses Cruz, Samir Yazbek e mais recentemente Maria Thais, Cesar Ribeiro e Clara Carvalho.
As primeiras notícias sobre os trabalhos artísticos de Mariana Muniz chegaram no contexto do Pombas Urbanas. Fiz parte da fase amadora do grupo em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo (1989-1992), onde nasci e de lá me deslocava de trem para ir e voltar de Mogi.
Conheci o fenômeno popular da Festa do Divino Espírito Santo, nos meses de maio, e sua Entrada dos Palmitos: um cortejo folclórico e religioso na manhã do penúltimo dia, sempre um sábado. A cantora Inezita Barroso, pesquisadora e apresentadora, lecionou disciplinas ligadas a artes e folclore na cidade, entre os anos 1980 e 1990.
Dessa vez, experimento outros sentidos na ação que, como se sabe, carrega a etimologia do verbo curar (curare, do latim, ou seja, cuidar, zelar, tratar). Desdobri que a natureza desse trabalho pode sublinhar gestos de autocuidado. Razão pela qual os fragmentos relatados refletem, em certa medida, a pregnância do território nos anos de formação
Bloco de notas ou gravador portátil em punho, entrevistei Armando Sérgio da Silva, pesquisador e professor na USP, autor de Oficina: do teatro ao te-ato (Perspectiva, 1981), que chegou a ser secretário municipal de Cultura e de quem, antes, fui aluno na disciplina de telejornalismo na UMC.
Também entrevistei a diretora Clarice Jorge, do Teatro Experimental Mogiano (TEM), o dramaturgo Nelson Albissú, o diretor Adamilton Andreucci, do Tumc, para citar algumas das personalidades referenciais nas artes da cena naqueles anos que forjaram o repórter de teatro. Escrever em veículos de comunicação como O Diário, inspirado pelo editor Darwin Valente, e Revista Ato, pelo editor Dirceu Roque de Sousa, foram escolas basilares para encarar depois dez anos de prática nas páginas da Ilustrada, na Folha de S.Paulo (1998-2008).
As lembranças alertam que entrevistei ainda Waldemar Costa Filho, político e empresário eleito quatro vezes prefeito de Mogi em diferentes períodos, entre 1969 e 2000. Duas gestões sob ditadura militar e duas após o fim do regime e a fase da redemocratização do país. Filiou-se a partidos com raízes da direita política no Brasil (UDN, Arena, PDS e PL). O último deles evoluiu à extrema-direita nos dias de hoje.
Certa vez, ouvi de Costa Filho a seguinte expressão: “Isso é coisa de poetas”, disse, referindo-se a artistas da cidade, pessoas pelas quais tinha pouco apreço. Seu foco estava em “obras de concreto armado”, como rezava a cartilha de Paulo Maluf. O ex-prefeito foi pai de Valdemar Costa Neto, atual presidente do PL, epicentro do bolsonarismo cujo líder foi condenado e preso por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.
Parte dessa memória, portanto, pincela o desenho da curadoria na 3ª MAC. Trabalho que se revelou um alento após um período de recolhimento pessoal e, ora, desaguando na retomada da escrita neste site. Aos poucos.
Exerci curadoria em anos recentes ou distantes, nos mais diferentes formatos em mostras ou festivais por cidades do Recife, Belo Horizonte, João Pessoa, São Paulo e São José do Rio Preto. Dessa vez, experimento outros sentidos na ação que, como se sabe, carrega a etimologia do verbo curar (curare, do latim, ou seja, cuidar, zelar, tratar). Desdobri que a natureza desse trabalho pode sublinhar gestos de autocuidado. Razão pela qual os fragmentos relatados acima refletem, em certa medida, a pregnância do território nos anos de formação. Tomara que as criações imaginadas e pensadas despertem outros sentidos vivos junto às pessoas do público como geraram no jornalista ao cotejá-las.
A abertura fica por conta e riso do Rainhas do Radiador, coletivo de pesquisa em palhaçaria, comicidade física, acrobacias cômica e luta livre sediado em São Paulo e fundado em 2018. Sobe ao palco do Theatro Vasques na quinta, dia 20, com duas montagens para pessoas de todas as idades: A extraordinária viagem ao Reino das Asas, às 14h, e A andarilha, às 20h. O Vasques está localizado no centro histórico, junto ao Largo do Carmo. Foi inaugurado em 1902 — nove anos antes do Theatro Municipal de São Paulo —, então uma casa voltada a operetas e teatro de revista.
Toda a programação da MAC é gratuita e foi desenhada a partir de eixos transversais a temas e formas presentes em trabalhos cênicos que acontecem em espaços fechados e abertos. As apresentações, por sua vez, visam a acolher uma audiência com ampla faixa de idade: de bebês a crianças, passando por pessoas adolescentes, adultas e idosas.
Os assuntos perpassam urgências e sutilezas prementes na vida contemporânea, a exemplo do enfrentamento da violência estrutural por questão de gênero e pela cor da pele, vide os índices alarmantes de feminicídio e de racismo, bem como a consciência de pertencimento ancestral a partir de fábulas que revisitam manifestações da cultura popular.
Há um segmento dedicado à abertura de processos com três concepções cênicas em fase de pesquisa e criação. A ideia é que artistas-criadores compartilhem o estágio das obras e dialoguem com as pessoas do público ao final de cada sessão, ouvindo impressões ou respondendo a perguntas e comentários. Esse tipo de experiência estimula a sensibilização de repertório em mão dupla: tanto para as pessoas que vão assistir, ao acessar bastidores e desejos em construção, como para aquelas que lidam cotidianamente com as artes da cena.
Entre as prospecções, estão Homem na estrada, com artista e pesquisador Jezuz Pereira (Cubatão), em projeto independente do seu grupo Esquadrilha Marginália. É inspirado na música de mesmo nome, dos Racionais MC’s, e ambiciona um teatro pós-épico ao tensionar personagem, ator e realidade às voltas com a cultura urbana. O trabalho participou do movimento Farofa do Processo, em março, no bairro paulistano do Bixiga. Em Mogi, simbolicamente, tanto a sessão como uma oficina afins vão acontecer na Casa do Hip Hop, no centro.
Já em Cometi a infâmia de escrever esta carta a Consuelo e a deponho aos pés de vocês, a artista e pesquisadora Lucienne Guedes, de São Paulo, transcria à cena presencial a videocarta que endereçou à dramaturga Consuelo de Castro em 2020, em plena pandemia, como parte do projeto “13 Cartas Imaginadas”, idealizado pela curadoria de teatro do Centro Cultural São Paulo, então sob responsabilidade do jornalista, crítico e pesquisador Kil Abreu. Agora, é a MAC que instiga a atriz fundadora do grupo Teatro da Vertigem a contracenar com a autora de peças como Prova de fogo e À flor da pele, morta em 2016, à luz da memória e da urgência dos dias.
A terceira abertura de processo é prata da casa, com as artistas-pesquisadoras locais Lírio Valente e Lucia Oliveira tateando Papel de arroz: antes do despertar, a vigília. O experimento investiga sobre corpo, memória, feminilidade e dramaturgia física. Nasce da indagação acerca do percurso de mulheres que atravessam estados de esquecimento, silenciamento, reconhecimento e transformação. A criação em desenvolvimento busca revelar um corpo cênico em formação, com suas fissuras, imagens e perguntas ainda abertas.
Mudando de chave, a Cia. O Que de Que inaugurou o seu espaço Chiquita em outubro do ano passado, na capital, e traz o espetáculo para bebês Pequenos segredos para o mundo não me mudar. Em cena, três atuantes propõem formas amplas por meio de gestos e movimentos que evocam um cosmos em nascimento. Nele, esferas repousam como planetas em suspensão. A organização da mostra conseguiu parceria com a Secretaria Municipal de Educação para levar a apresentação a uma creche. Combinada ao oferecimento de atividade formativa destinada às pessoas que cuidam, educam e protegem crianças unindo o atendimento às necessidades básicas a estímulos para o desenvolvimento infantil.
Ao todo, estão programadas sete ações cênicas em espaços cobertos e oito ao ar livre com montagens vindas de Ribeirão Preto, Santos, Cubatão, capital ou originárias da cidade anfitriã. No caso das sessões matinais ou vespertinas aos sábados e domingos, parques e praças recebem espetáculos para todas as idades com voltagens lúdicas, populares, líricas, políticas, críticas, enfim, como se presumem nas paisagens e encruzilhadas urbanas as mais diversas.
Programação da
3ª Mostra de Artes Cênicas de Mogi das Cruzes
A Extraordinária Viagem ao Reino das Asas
20/8, quinta, 14h
Grupo Rainhas do Radiador (São Paulo)
Espetáculo infantil utiliza palhaçaria, acrobacias e canções para tratar da temática ambiental e a importância dos afetos para a construção de um novo futuro. Durante um voo em balão de ar, duas palhaças caem em meio a uma floresta. Perdidas e sem saber como resolver a situação, elas encontram uma coruja embaixo de uma pilha de lixo e acabam descobrindo a história da Arara de Sete Cores, um pássaro que tem a solução de todos os problemas do mundo. Na busca por encontrar essa fabulosa Arara, as palhaças se jogam numa instigante aventura que as levará a descobrir outros pássaros raros, como a Gaviola Real, a Ema refugiada, que sonha em poder voar. Após muitas dificuldades elas começam a perceber que somente abrindo o coração é que elas poderão voltar a voar.

Ficha técnica
Concepção: Rainhas do Radiador
Direção: Heraldo Firmino
Elenco: Aline Hernandes, Aline Machado, Ana Pessoa e Jussara Freitas
Direção musical: Tetê Purezempla
Cenografia e figurino: Maria Elou
Iluminação: Serafim do Mundo
Dramaturgia: Ana Pessoa
Composições musicais: Aline Machado, Jussara Freitas e Heraldo Firmino
Confecção de bonecos: Endira Drumond
Treinamento acrobático: Isadora Faro
A andarilha
20/8, quinta, 20h, Theatro Vasques
Grupo Rainhas do Radiador (São Paulo)
Rufina vem chegando, em algazarra, com seu carrinho de bebê. Ao deparar-se com uma sanfoneira sentada, decide fazer um show. Carismática, a palhaça revela um universo bastante peculiar, de memórias, sonhos e humanidades. O espetáculo transita o cômico, o trágico sensível e o fantástico. Utiliza recursos circenses como magia cômica e malabares, bem como conta com uma trilha sonora executada ao vivo por uma sanfoneira com repertório autoral.

Ficha técnica
Direção: Dagoberto Feliz
Concepção e atuação: Aline Hernandes
Orientação cênica: Ana Pessoa
Figurino e cenário: Patrícia Ashanti e Maria Elou
Trilha sonora: Ana Pessoa
Iluminação: Serafim do Mundo
Assessoria de mágicas: Dario França
Colaboradores: Boris Vecchio, Danila Meloni, Fernando Proença, Paulo Mantuano
Belmira
21 de agosto, sexta, 20h, Theatro Vasques
Angela Ribeiro (São Paulo)
No espetáculo solo, Marta, uma professora paraense sobrevivente de um atentado escolar, compartilha suas reflexões sobre educação e o seu vínculo com a enigmática professora Belmira. Embaladas por ritmos paraenses, as memórias emergem da relação entre as duas na tentativa de elaboração do trauma vivido.

Ficha técnica
Idealização: Carla Zanini e Angela Ribeiro
Elenco: Angela Ribeiro
Direção e dramaturgia: Carla Zanini
Assistente de direção: Lilian Regina
Produção: Plataforma Estúdio de Produção Cultural
Direção de produção: Fernando Gimenes
Produção executiva: Bruno Ribeiro
Trilha sonora e operação de som: Mini Lamers
Desenho de luz: Gabriele Souza
Operação de luz: Leticia Rocha
Cenografia: Rager Luan
Figurino: Gui Funari e Andy Lopes
Preparação de atuação: Felipe Rocha
Fotografia: Brendo Trolesi
Redes sociais: Jorge Ferreira
Inácio do início
22/8, sábado, 15h, Parque Airton Nogueira
Grupo Teatral ApanelA (Ribeirão Preto)
No meio do sertão, onde o sol brilha forte, nasceu Inácio da Catingueira. Desde cedo, aprendeu a transformar tristeza em poesia e a fazer do pandeiro seu melhor amigo. Dono de uma mente afiada e um coração valente, foi levado à Grande Batalha de 8 dias — marcada eternamente na história de seu povo. O espetáculo deseja convidar crianças e adultos a embarcarem numa viagem pelo mundo dos versos, conduzidos pelo ritmo do pandeiro de Inácio. Criação inspirada na peleja entre Inácio da Catingueira e Romano da Mãe D’Água, ocorrida em 1870 no Mercado Municipal de Patos (PB), considerado um marco da poesia oral nordestina. Durante oito dias, Inácio, um homem escravizado, enfrentou Romano, um pequeno fazendeiro branco e senhor de pessoas escravizadas, em um duelo de rimas improvisadas que ficou registrado em cordéis de autores renomados como Silvino Pirauá de Lima e Leandro Gomes de Barros. Romano usou sua posição social para tentar diminuir Inácio, atacando sua cor e condição com palavras agressivas e ameaças. No entanto, Inácio respondeu com brilhantismo, talento e muita coragem, invertendo a lógica da opressão e afirmando sua dignidade e identidade por meio da improvisação poética.

Ficha técnica
Criação colaborativa: Grupo Teatral ApanelA
Dramaturgia: Grupo Teatral ApanelA
Composições musicais: Gabriel Amaral
Elenco criador: Gabriel Amaral, Milher Peres e Ju Marques
Adereços cênicos: Milher Peres
Cenário e figurinos: Grupo Teatral ApanelA
Produção: Ju Marques e Gabriel Amaral
Realização: Grupo Teatral ApanelA
Papel de arroz: antes do despertar, a vigília
22/8, sábado, 20h, Theatro Vasques
Lírio Valente e Lucia Oliveira (Mogi das Cruzes)
Em uma cidade onde as mulheres começaram a esquecer seus próprios nomes, duas presenças desenterram imagens, vozes e histórias que insistem em permanecer vivas. Entre cianotipias, cantos e jogos ritualísticos, a cena convida o público a reconhecer aquilo que nunca deixou de existir: a memória que continua respirando sob a superfície do tempo.
Ficha técnica
Criadoras e atrizes-pesquisadoras: Lírio Valente e Lucia Oliveira
Técnica de som e iluminação: Alana Carvalho
Memórias d’Omar
23/8, domingo, 15h, Parque Airton Nogueira
Cia. PlastikOnírica – Teatro de Formas Animadas (Santos)
Omar é um velho pescador que navega em Memórias, curiosa embarcação e banca de histórias. Em seu balaio, achados das profundezas do mar: tesouros guardados nas ondas do pensamento, a beleza da passagem do tempo, os naufrágios do esquecimento. Uma intervenção cênica itinerante e intimista, livremente inspirada em poemas de autoras(es) santistas. Convida as pessoas do público a embarcar numa viagem de formas animadas sobre os mistérios de envelhecer ao sabor da água salgada.

Ficha técnica
Criação: Cia. PlastikOnírica
Manipulação: Pedro Cobra, Larissa Miyashiro e Felipe Zacchi
Trilha sonora original: Felipe Zacchi
Figurino, objetos e cenário: Larissa Miyashiro
Bonecos, objetos, cenário e direção: Pedro Cobra
Fotos, vídeo e arte gráfica: Nadja Kouchi
Pequenos segredos para o mundo não me mudar
27/8, quinta, à tarde, apresentação para público interno de creche municipal, precedida de formação acerca de teatro para bebês com servidores, pela manhã
Cia. O Que de Que (São Paulo)
A companhia abre um espaço de encantamento para bebês e famílias. Formas amplas evocam um cosmos em nascimento; esferas repousam como planetas em suspensão. Papéis viram balões, barcos e aviões; fitas tecem uma grande cama de gato; pequenas manivelas afinam o silêncio. O nascer do universo encontra o nascer dos bebês: potências de novos mundos — lembrando a pais e responsáveis o significado/ressignificado de gestos simples que, ao longo do tempo, foram sendo esquecidos, mas que renascem no ato de compartilhar presença com as crianças.

Ficha técnica
Direção e dramaturgia: Rodrigo Andrade
Direção de movimento: Lu Favoreto
Intérpretes-criadores: Diogo de Carvalho, Rossana Boccia e Zenaide Paludo
Trilha sonora: Pipo Pegoraro
Figurinos: Claudia Schapira
Costureira: Cleuza Amaro da Silva Barbosa
Cenários e adereços: Rodrigo Andrade
Assistentes de confecção de cenário: Luiza Boccia e Diogo de Carvalho
Móbile cenário: João Rivera
Orientadora vocal: Andrea Drigo
Orientação de processos criativos para bebês: Grupo Sobrevento
Produção executiva: Ana Paula Trevisan
Assistente de produção: Luiza Boccia
Produção: Um Oito Produções Artísticas Ltda.
Realização: O Que de Que e Chiquita
Das tripas: sete histórias
27/8, quinta, 20h, Theatro Vasques
Cia Mariana Muniz de Dança e Teatro (São Paulo)
Espetáculo livremente inspirado no livro Das tripas coração (2018), da escritora pernambucana Ezter Liu. Uma construção coreográfica e teatral por meio da qual movimentos e palavras dão voz e corpo ao universo poético e profundamente feminino retratado pela autora. São contos cheios de peripécias inusitadas e concretas. Alguns “vieram da imaginação mesmo, já outros são mais empíricos, mas nada autobiograficamente descarado”, como afirma Liu. As sete histórias escolhidas entre as 18 publicadas levaram a companhia a trabalhar a partir das seguinte perguntas: “Quando os movimentos e os gestos dançados são fundamentais para fazer emergir no corpo do espectador sensações e pensamentos que o coloquem em sintonia com a estrutura narrativa escolhida? Quando o texto falado, a rede de palavras se torna imprescindível para dar clareza e sentido à dramaturgia? Como constituímos uma trama de palavras e movimentos que expressam caminhos comunicantes, sem perder a conexão com o espírito de cada conto selecionado?”.

Ficha técnica
Direção: Clara Carvalho
Coordenação-geral e intérprete: Mariana Muniz
Assistente de coordenação e fotos: Cláudio Gimenez
Assistência de direção: Marcella Vicentini
Iluminação: Wagner Pinto
Operação de luz: Gabriel Greghi
Espaço cênico: Júlio Dojcsar
Trilha sonora: Mau Machado
Operação de som: Fernando da Mata
Figurino: Marichilene Artisevskis
Direção de produção: Rafael Petri
Produção geral: Movicena Associação Cultural
Cometi a infâmia de escrever esta carta a Consuelo e a deponho aos pés de vocês
28/8, sexta, 20h, Theatro Vasques
Lucienne Guedes Fahrer (São Paulo)
A convite do Centro Cultural São Paulo, a atriz escreveu uma carta imaginada à dramaturga Consuelo de Castro. Era junho de 2020, no olho da pandemia, no meio do início de uma das maiores crises institucionais do Brasil. Agora, Lucienne traz a carta para a cena, ao vivo, numa sobreposição de tempos, e para perguntar novamente: “Quem escreve esta carta comigo? Quem vai fazer alguma coisa?”.
Ficha técnica
Autora e atriz: Lucienne Guedes Fahrer
Filmagem original e montagem: Max Fahrer
Luz e direção técnica: Leo Birche
Vermelho, branco e preto
5/9, sábado, 15h, Parque Centenário
Cibele Mateus (São Paulo)
Inspirado na brincadeira do Cavalo Marinho (PE), a artista entrelaça narrativas caboclas (vermelho), críticas ao colonialismo (branco) e a máscara de negrume (preto) como afirmação de identidade e ancestralidade. Resulta de sua pesquisa de mais de 15 anos sobre a figura cômica do “Mateus” e outras comicidades negras e populares presentes em diversas brincadeiras brasileiras. A obra reverencia Sebastião Pereira de Lima, mais conhecido como mestre Martelo, pernambucano nonagenário de quem a artista da cena, brincante, educadora social e pedagoga é discípula.

Ficha técnica
Concepção e atuação: Cibele Mateus
Direção: Cibele Mateus e Juliana Pardo
Assistência de direção: Val Ribeiro e Vanessa Rosa
Preparação Corporal: Val Ribeiro (Saberes em Roda: Okê Arô Caboclos e Caboclinhos)
Orientação dramatúrgica: Salloma Salomão
Dramaturgia textual: Salloma Salomão e Cibele Mateus
Criação dramatúrgica: Cibele Mateus, Salloma Salomão, Alício Amaral e Juliana Pardo
Direção Musical: Alício Amaral e Amanda Martins
Criação de trilha sonora: Alício Amaral, Amanda Martins, Cibele Mateus e Rafa da Rabeca
Gravação e mixagem: Diego Techera
Orientação de Mateus: Sebastião Pereira de Lima (Mestre Martelo), Juliana Pardo e Alício Amaral
Orientação e treinamento em cavalo-marinho: Juliana Pardo e Alício Amaral
Figurinos e adereços: Juliana Naju
Cenário (rede): Eduardo Amaral (Pequena Trupe de Circo) e André Pastore
Criação de luz: Diego F.F Soares e Cic Morais
O incrível número final
Bando Golíardis (São Paulo)
6/9, domingo, 15h, Parque Centenário
Vindo diretamente de qualquer lugar, em direção a toda e qualquer terra, o grupo tem a audácia de apresentar um número de 4 palhaças e 9 claves que promete arrancar palmas e até lágrimas das pessoas do público. Na busca por mostrar essa criação espetacular, Pexerica Pocã, Esquálido Palito e Silva, Rolyna Rolota e Sorvetão DoQuê trazem à tona suas habilidades telepáticas, acrobáticas, aquáticas, malabarísticas e muito mais! Com vocês: O incrível número final — um espetáculo que cumpre o que promete.

Ficha técnica
Concepção e produção: Bando Golíardis
Elenco: Dani Marin, Marcelo Rôya, Sabrina Motta e Tiago cintra
Preparação musical: Tiago Cintra
Preparação corporal: Dani Marin
Preparação malabares: Marcelo Rôya
Encenação: Marcelo Rôya e Sabrina Motta
Composição Vivo a vida: Marcelo Rôya
Figurino: Projeto Barra de Saia – Fabiano Lira
Ponteiros do mundo
10/9, quinta, Feira Noturna de Brás Cubas, horário a definir
Coletivo Combuca da Judite (Mogi das Cruzes)
Uma fusão de cores, brilhos e arte são conduzidos por uma dramaturgia que convida as pessoas do público a emergir em uma reflexão sobre os caminhos trilhados pela humanidade e um futuro cada vez mais ameaçado. “Relógio do apocalipse”, “Relógio do juízo final” ou “Relógio do fim do mundo”, seja qual for o termo (conhecido em inglês como “Doomsday clock”), corresponde a uma representação gráfica de ameaças de origem antropogênica (ou seja, provenientes dos seres humanos) que nos aproximam da destruição total. É uma forma de quantificar o quão perto estamos de uma simbólica catástrofe global, que ocorrerá quando o relógio bater exatamente à meia-noite. Entre os números que alinham as bases tradicionais e contemporâneas das artes circenses, o espetáculo inclui malabares, pirofagia, acrobacia e equilibrismo, bem como incorpora recursos audiovisuais à narrativa.

Ficha técnica
Criação e direção artística: Vander Morais
Artistas circenses: Lucía Inés Milagros Trigo, Manuel Humberto Tenorio e Aldo Eleandro (percussão)
Produção audiovisual: Elias Mignoni – Estudio Limoeiro
Assistente de produção-executiva: Vivian Queiroz Figurino
Fotógrafo: Evandro Maia
Costureira: Fatima Confecção
Bombeiro civil: Matheus Ruan
P.A.R.E.L.H.A. – Um olhar sobre a realidade
12/9, sábado, 11h (data provisória, local a definir)
Núcleo PARELHA (São Paulo)
Há 198 anos, dois cavalos, Santa Cruz e Parelheiros, correm sem parar. Estão em uma região que representa um dos distritos mais sucateados de São Paulo, do qual muitos nem mesmo ouviram falar: Parelheiros. A história se passa em uma laje daquela periferia e é contada por duas personagens: Fena e Cambuci, que traçam um campo de jogo revelando aos poucos algumas histórias desse lugar. Prestes a completar seu aniversário de 199 anos, Parelheiros (vulgo cavalo doido) decide parar de correr pela primeira vez, e consegue finalmente olhar para os lados. Sua decisão gera um conflito terrível com o seu irmão Santa Cruz (vulgo cavalo Pangaré). O que o cavalo parelheiros viu nesse lugar de promessas e de muitos muros que crescem sem parar? Seria possível ultrapassar esses muros? Nesse espetáculo a Periferia de Parelheiros fala, é protagonista e está em cena pela primeira vez. Afinal, onde tem corda tem cavalo.

Ficha Técnica
Concepção, atuação e música em cena: Dionísia Gonçalves e Maria José Alves.
Direção: Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá)
Dramaturgia: Cristiane Sobral e Núcleo PARELHA.
Direção musical: Gregory Slivar
Trilha sonora e composição: Dionísia Gonçalves
Preparação vocal: Dionísia Gonçalves
Construção baixo-cello de lata: Gregory Slivar e Wanderley Wagner
Construção flauta PVC: Júlio César (Instrumentos Alternativos)
Preparação corporal: Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá)
Criação e operação de luz: Kenny Rogers
Assistente de iluminação: Bianca Pereira
Criação e concepção de cenário: Wanderley Wagner e Núcleo Parelha
Concepção de figurino: Macarena Rozic (Reviver Ateliê)
Hairstyle: Mestiça
Fotografia laje: Kenny Rogers
Fotografia programa e redes sociais: Noelia Nájera
Doc-Filme P.A.R.E.L.H.A. (2023): Direção audiovisual de Flavio Barollo
Designer gráfico: Adi Alves
Social mídia: Cristhiane Evangelista
Cenotecnia e som: Gilson Lande
Consultoria musical: Gilson Lande
Consertos e manutenção técnica: Luthieria Fênix Sg
Intérpretes de libras: Nzambiapongo e Tamy Guimarães
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção geral: Núcleo PARELHA
Produção de Campo: Silmara Garcia
Assessoria Contábil: Juliana Santana
Realização: Núcleo PARELHA
A botija: um pequeno inventário de histórias fantásticas do Nordeste brasileiro
13/9, domingo, 15h, Praça da Juventude
Com Cia Fabulinhando (São Paulo)
O espetáculo nasce de uma pesquisa em literatura oral por cidades do sertão potiguar. Na dramaturgia, três netos voltam da cidade grande para o quintal de sua avó, no sertão do Nordeste brasileiro, na busca por uma botija de ouro que a avó lhes contava que estava escondida pelas matas sertanejas. Nesse retorno ao lugar de origem, os personagens entram no quintal de sua infância e ali revelam, por meio das paisagens do sertão, histórias de encantarias e lendas que foram contadas pela avó.

Ficha técnica
Atuação e direção: Jhoao Junnior e Maria Alencar
Ideia original e dramaturgia: Jhoao Junnior
Musicista: Babi Pacini
Bordados (figurinos): Maria Alencar
Cenografia: Jhoao Junnior
Pinturas: Andrea Gandolfi
Painel (tapeçaria): Irapuan Júnior
Painel (execução): Rafaela Brito
Direção de movimento: Ronaldo Aguiar
Canções e arranjos: Jhoao Junnior e Elaine Silva
Trilha sonora e pesquisa musical: Elaine Silva
Coco de chegada e despedida: Nildo Verdelinho
Iluminação: Júnior Doccini
Técnico de som: Eddu Ferreira
Operação de luz: Júnior Doccini
Assistente de produção: Marceu Silva
Produção: Arupemba Produções
Realização: Cia Fabulinhando
Homem na estrada
18/9, sábado, 19h, Casa do Hip Hop
Jezuz Pereira (Cubatão)
Inspirado na música Homem na estrada, dos Racionais MC’s, a abertura de processo constrói uma leitura em teatro pós-épico que tensiona personagem, ator e realidade. Em cena, não se interpreta apenas um homem encurralado pelo sistema — expõe-se a própria condição de estar nessa estrada. Eu, Jezuz Pereira, também sou o homem na estrada. Assim como cada integrante da equipe. Atravessamos um percurso onde o sonho de reconhecimento e dignidade convive com a violência estrutural, a invisibilidade e o risco constante da queda — simbólica ou concreta. Entre relato, representação e ruptura, a obra transforma a narrativa da música em dispositivo cênico para investigar destino, escolha e sobrevivência. A estrada deixa de ser metáfora e se revela como condição real: estar em cena, para nós, já é um ato de resistência.
Ficha técnica
Idealização e atuação: Jezuz Pereira
[demais funções e integrantes da equipe a confirmar]
Serviço:
3ª Mostra de Artes Cênicas de Mogi das Cruzes. Grátis, retirar ingressos no local de apresentação a partir de 1 hora antes da sessão. Todas disponibilizam interpretação em libras. Mais informações em @quanticacultural. Realização da Associação Cultural Quântica Laboratório de Arte Contemporânea, fundada em 2009. Evento orçado em R$ 350 mil, recursos provenientes de emenda parlamentar de autoria do deputado federal Alfredo Alves Cavalcante (PT), na modalidade fomento, sob escrutínio do Ministério da Cultura (MinC).