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“Grupo Teatral ApanelA"

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Artigo

Estar curador na Mostra de Artes Cênicas de Mogi das Cruzes, programada para 20 de agosto a 18 de setembro de 2026, remete aos anos de formação no jornalismo cultural na cidade do Alto Tietê, região metropolitana de São Paulo. Um roteiro marcado pelo curso de Comunicação Social (1987-1990) na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), privada, realizado por meio do então Programa de Crédito Educativo da Caixa Econômica Federal. A passagem relâmpago de três meses pelo Diário de Suzano (1989), no município vizinho. Os sete anos intermitentes em O Diário de Mogi (1989-1996), a redação em que principiei na cobertura de teatro editando o recém-criado suplemento Caderno A, a partir de maio de 1992. E por aí vai.

O filme desse caminho vem à mente desde fevereiro passado, quando a diretora e produtora Priscila Nicoliche, da Associação Cultural Quântica Laboratório de Arte Contemporânea, convidou para costurar os trabalhos cênicos na terceira edição da Mostra de Artes Cênicas (MAC). As anteriores aconteceram em 2015 e 2024, concebidas por ela própria e pelo dramaturgo, diretor e professor Antônio Rogério Toscano, respectivamente. Tudo por um esforço, ainda vigente, de inscrever o evento no calendário cultural.

Entre as 15 sinopses e fichas técnicas de espetáculos relacionados abaixo está a atriz e bailarina Mariana Muniz, pernambucana radicada em São Paulo. Nome simbólico na formação do olhar deste espectador em criações solos ou contracenando em elencos dirigidos por Ilo Krugli, Antônio Abujamra, Ulysses Cruz, Samir Yazbek e mais recentemente Maria Thais, Cesar Ribeiro e Clara Carvalho.

As primeiras notícias sobre os trabalhos artísticos de Mariana Muniz chegaram no contexto do Pombas Urbanas. Fiz parte da fase amadora do grupo em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo (1989-1992), onde nasci e de lá me deslocava de trem para ir e voltar de Mogi.

Conheci o fenômeno popular da Festa do Divino Espírito Santo, nos meses de maio, e sua Entrada dos Palmitos: um cortejo folclórico e religioso na manhã do penúltimo dia, sempre um sábado. A cantora Inezita Barroso, pesquisadora e apresentadora, lecionou disciplinas ligadas a artes e folclore na cidade, entre os anos 1980 e 1990.

Dessa vez, experimento outros sentidos na ação que, como se sabe, carrega a etimologia do verbo curar (curare, do latim, ou seja, cuidar, zelar, tratar). Desdobri que a natureza desse trabalho pode sublinhar gestos de autocuidado. Razão pela qual os fragmentos relatados refletem, em certa medida, a pregnância do território nos anos de formação

Bloco de notas ou gravador portátil em punho, entrevistei Armando Sérgio da Silva, pesquisador e professor na USP, autor de Oficina: do teatro ao te-ato (Perspectiva, 1981), que chegou a ser secretário municipal de Cultura e de quem, antes, fui aluno na disciplina de telejornalismo na UMC.

Também entrevistei a diretora Clarice Jorge, do Teatro Experimental Mogiano (TEM), o dramaturgo Nelson Albissú, o diretor Adamilton Andreucci, do Tumc, para citar algumas das personalidades referenciais nas artes da cena naqueles anos que forjaram o repórter de teatro. Escrever em veículos de comunicação como O Diário, inspirado pelo editor Darwin Valente, e Revista Ato, pelo editor Dirceu Roque de Sousa, foram escolas basilares para encarar depois dez anos de prática nas páginas da Ilustrada, na Folha de S.Paulo (1998-2008).

As lembranças alertam que entrevistei ainda Waldemar Costa Filho, político e empresário eleito quatro vezes prefeito de Mogi em diferentes períodos, entre 1969 e 2000. Duas gestões sob ditadura militar e duas após o fim do regime e a fase da redemocratização do país. Filiou-se a partidos com raízes da direita política no Brasil (UDN, Arena, PDS e PL). O último deles evoluiu à extrema-direita nos dias de hoje.

Certa vez, ouvi de Costa Filho a seguinte expressão: “Isso é coisa de poetas”, disse, referindo-se a artistas da cidade, pessoas pelas quais tinha pouco apreço. Seu foco estava em “obras de concreto armado”, como rezava a cartilha de Paulo Maluf. O ex-prefeito foi pai de Valdemar Costa Neto, atual presidente do PL, epicentro do bolsonarismo cujo líder foi condenado e preso por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

Parte dessa memória, portanto, pincela o desenho da curadoria na 3ª MAC. Trabalho que se revelou um alento após um período de recolhimento pessoal e, ora,  desaguando na retomada da escrita neste site. Aos poucos.

Exerci curadoria em anos recentes ou distantes, nos mais diferentes formatos em mostras ou festivais por cidades do Recife, Belo Horizonte, João Pessoa, São Paulo e São José do Rio Preto. Dessa vez, experimento outros sentidos na ação que, como se sabe, carrega a etimologia do verbo curar (curare, do latim, ou seja, cuidar, zelar, tratar). Desdobri que a natureza desse trabalho pode sublinhar gestos de autocuidado. Razão pela qual os fragmentos relatados acima refletem, em certa medida, a pregnância do território nos anos de formação. Tomara que as criações imaginadas e pensadas despertem outros sentidos vivos junto às pessoas do público como geraram no jornalista ao cotejá-las.

A abertura fica por conta e riso do Rainhas do Radiador, coletivo de pesquisa em palhaçaria, comicidade física, acrobacias cômica e luta livre sediado em São Paulo e fundado em 2018. Sobe ao palco do Theatro Vasques na quinta, dia 20, com duas montagens para pessoas de todas as idades: A extraordinária viagem ao Reino das Asas, às 14h, e A andarilha, às 20h. O Vasques está localizado no centro histórico, junto ao Largo do Carmo. Foi inaugurado em 1902 — nove anos antes do Theatro Municipal de São Paulo —, então uma casa voltada a operetas e teatro de revista.

Toda a programação da MAC é gratuita e foi desenhada a partir de eixos transversais a temas e formas presentes em trabalhos cênicos que acontecem em espaços fechados e abertos. As apresentações, por sua vez, visam a acolher uma audiência com ampla faixa de idade: de bebês a crianças, passando por pessoas adolescentes, adultas e idosas.

Os assuntos perpassam urgências e sutilezas prementes na vida contemporânea, a exemplo do enfrentamento da violência estrutural por questão de gênero e pela cor da pele, vide os índices alarmantes de feminicídio e de racismo, bem como a consciência de pertencimento ancestral a partir de fábulas que revisitam manifestações da cultura popular.

Há um segmento dedicado à abertura de processos com três concepções cênicas em fase de pesquisa e criação. A ideia é que artistas-criadores compartilhem o estágio das obras e dialoguem com as pessoas do público ao final de cada sessão, ouvindo impressões ou respondendo a perguntas e comentários. Esse tipo de experiência estimula a sensibilização de repertório em mão dupla: tanto para as pessoas que vão assistir, ao acessar bastidores e desejos em construção, como para aquelas que lidam cotidianamente com as artes da cena.

Entre as prospecções, estão Homem na estrada, com artista e pesquisador Jezuz Pereira (Cubatão), em projeto independente do seu grupo Esquadrilha Marginália. É inspirado na música de mesmo nome, dos Racionais MC’s, e ambiciona um teatro pós-épico ao tensionar personagem, ator e realidade às voltas com a cultura urbana. O trabalho participou do movimento Farofa do Processo, em março, no bairro paulistano do Bixiga. Em Mogi, simbolicamente, tanto a sessão como uma oficina afins vão acontecer na Casa do Hip Hop, no centro.

Já em Cometi a infâmia de escrever esta carta a Consuelo e a deponho aos pés de vocês, a artista e pesquisadora Lucienne Guedes, de São Paulo, transcria à cena presencial a videocarta que endereçou à dramaturga Consuelo de Castro em 2020, em plena pandemia, como parte do projeto “13 Cartas Imaginadas”, idealizado pela curadoria de teatro do Centro Cultural São Paulo, então sob responsabilidade do jornalista, crítico e pesquisador Kil Abreu. Agora, é a MAC que instiga a atriz fundadora do grupo Teatro da Vertigem a contracenar com a autora de peças como Prova de fogo e À flor da pele, morta em 2016, à luz da memória e da urgência dos dias.

A terceira abertura de processo é prata da casa, com as artistas-pesquisadoras locais Lírio Valente e Lucia Oliveira tateando Papel de arroz: antes do despertar, a vigília. O experimento investiga sobre corpo, memória, feminilidade e dramaturgia física. Nasce da indagação acerca do percurso de mulheres que atravessam estados de esquecimento, silenciamento, reconhecimento e transformação. A criação em desenvolvimento busca revelar um corpo cênico em formação, com suas fissuras, imagens e perguntas ainda abertas.

Mudando de chave, a Cia. O Que de Que inaugurou o seu espaço Chiquita em outubro do ano passado, na capital, e traz o espetáculo para bebês Pequenos segredos para o mundo não me mudar. Em cena, três atuantes propõem formas amplas por meio de gestos e movimentos que evocam um cosmos em nascimento. Nele, esferas repousam como planetas em suspensão. A organização da mostra conseguiu parceria com a Secretaria Municipal de Educação para levar a apresentação a uma creche. Combinada ao oferecimento de atividade formativa destinada às pessoas que cuidam, educam e protegem crianças unindo o atendimento às necessidades básicas a estímulos para o desenvolvimento infantil.

Ao todo, estão programadas sete ações cênicas em espaços cobertos e oito ao ar livre com montagens vindas de Ribeirão Preto, Santos, Cubatão, capital ou originárias da cidade anfitriã. No caso das sessões matinais ou vespertinas aos sábados e domingos, parques e praças recebem espetáculos para todas as idades com voltagens lúdicas, populares, líricas, políticas, críticas, enfim, como se presumem nas paisagens e encruzilhadas urbanas as mais diversas.

Programação da

3ª Mostra de Artes Cênicas de Mogi das Cruzes

A Extraordinária Viagem ao Reino das Asas

20/8, quinta, 14h

Grupo Rainhas do Radiador (São Paulo)

Espetáculo infantil utiliza palhaçaria, acrobacias e canções para tratar da temática ambiental e a importância dos afetos para a construção de um novo futuro. Durante um voo em balão de ar, duas palhaças caem em meio a uma floresta. Perdidas e sem saber como resolver a situação, elas encontram uma coruja embaixo de uma pilha de lixo e acabam descobrindo a história da Arara de Sete Cores, um pássaro que tem a solução de todos os problemas do mundo. Na busca por encontrar essa fabulosa Arara, as palhaças se jogam numa instigante aventura que as levará a descobrir outros pássaros raros, como a Gaviola Real, a Ema refugiada, que sonha em poder voar. Após muitas dificuldades elas começam a perceber que somente abrindo o coração é que elas poderão voltar a voar.

Camila Fontenele Parte do elenco do Grupo Rainhas do Radiador (São Paulo) em ‘A extraordinária viagem ao Reino das Asas’

Ficha técnica

Concepção: Rainhas do Radiador

Direção: Heraldo Firmino

Elenco: Aline Hernandes, Aline Machado, Ana Pessoa e Jussara Freitas

Direção musical: Tetê Purezempla

Cenografia e figurino: Maria Elou

Iluminação: Serafim do Mundo

Dramaturgia: Ana Pessoa

Composições musicais: Aline Machado, Jussara Freitas e Heraldo Firmino

Confecção de bonecos: Endira Drumond

Treinamento acrobático: Isadora Faro

A andarilha

20/8, quinta, 20h, Theatro Vasques

Grupo Rainhas do Radiador (São Paulo)

Rufina vem chegando, em algazarra, com seu carrinho de bebê. Ao deparar-se com uma sanfoneira sentada, decide fazer um show. Carismática, a palhaça revela um universo bastante peculiar, de memórias, sonhos e humanidades. O espetáculo transita o cômico, o trágico sensível e o fantástico. Utiliza recursos circenses como magia cômica e malabares, bem como conta com uma trilha sonora executada ao vivo por uma sanfoneira com repertório autoral.

Ricardo Avellar Aline Hernandes concebe e atua em ‘A andarilha’, direção de Dagoberto Feliz, com Grupo Rainhas do Radiador (São Paulo)

Ficha técnica

Direção: Dagoberto Feliz

Concepção e atuação: Aline Hernandes

Orientação cênica: Ana Pessoa

Figurino e cenário: Patrícia Ashanti e Maria Elou

Trilha sonora: Ana Pessoa

Iluminação: Serafim do Mundo

Assessoria de mágicas: Dario França

Colaboradores: Boris Vecchio, Danila Meloni, Fernando Proença, Paulo Mantuano 

Belmira

21 de agosto, sexta, 20h, Theatro Vasques

Angela Ribeiro (São Paulo)

No espetáculo solo, Marta, uma professora paraense sobrevivente de um atentado escolar, compartilha suas reflexões sobre educação e o seu vínculo com a enigmática professora Belmira. Embaladas por ritmos paraenses, as memórias emergem da relação entre as duas na tentativa de elaboração do trauma vivido.

Brendo Trolesi A atriz Angela Ribeiro coidealizou ‘Belmira’ com a também diretora e dramaturga Carla Zanini

Ficha técnica

Idealização: Carla Zanini e Angela Ribeiro

Elenco: Angela Ribeiro

Direção e dramaturgia: Carla Zanini

Assistente de direção: Lilian Regina

Produção: Plataforma Estúdio de Produção Cultural

Direção de produção: Fernando Gimenes

Produção executiva: Bruno Ribeiro

Trilha sonora e operação de som: Mini Lamers

Desenho de luz: Gabriele Souza

Operação de luz: Leticia Rocha

Cenografia: Rager Luan

Figurino: Gui Funari e Andy Lopes

Preparação de atuação: Felipe Rocha

Fotografia: Brendo Trolesi

Redes sociais: Jorge Ferreira

Inácio do início

22/8, sábado, 15h, Parque Airton Nogueira

Grupo Teatral ApanelA (Ribeirão Preto)

No meio do sertão, onde o sol brilha forte, nasceu Inácio da Catingueira. Desde cedo, aprendeu a transformar tristeza em poesia e a fazer do pandeiro seu melhor amigo. Dono de uma mente afiada e um coração valente, foi levado à Grande Batalha de 8 dias — marcada eternamente na história de seu povo. O espetáculo deseja convidar crianças e adultos a embarcarem numa viagem pelo mundo dos versos, conduzidos pelo ritmo do pandeiro de Inácio. Criação inspirada na peleja entre Inácio da Catingueira e Romano da Mãe D’Água, ocorrida em 1870 no Mercado Municipal de Patos (PB), considerado um marco da poesia oral nordestina. Durante oito dias, Inácio, um homem escravizado, enfrentou Romano, um pequeno fazendeiro branco e senhor de pessoas escravizadas, em um duelo de rimas improvisadas que ficou registrado em cordéis de autores renomados como Silvino Pirauá de Lima e Leandro Gomes de Barros. Romano usou sua posição social para tentar diminuir Inácio, atacando sua cor e condição com palavras agressivas e ameaças. No entanto, Inácio respondeu com brilhantismo, talento e muita coragem, invertendo a lógica da opressão e afirmando sua dignidade e identidade por meio da improvisação poética.

Gabriel Stefano Parte do elenco de ‘Inácio do início’, criação colaborativa e dramaturgia do Grupo Teatral ApanelA (Ribeirão Preto)

Ficha técnica

Criação colaborativa: Grupo Teatral ApanelA

Dramaturgia: Grupo Teatral ApanelA

Composições musicais: Gabriel Amaral

Elenco criador: Gabriel Amaral, Milher Peres e Ju Marques

Adereços cênicos: Milher Peres

Cenário e figurinos: Grupo Teatral ApanelA

Produção: Ju Marques e Gabriel Amaral

Realização: Grupo Teatral ApanelA

Papel de arroz: antes do despertar, a vigília

22/8, sábado, 20h, Theatro Vasques

Lírio Valente e Lucia Oliveira (Mogi das Cruzes)

Em uma cidade onde as mulheres começaram a esquecer seus próprios nomes, duas presenças desenterram imagens, vozes e histórias que insistem em permanecer vivas. Entre cianotipias, cantos e jogos ritualísticos, a cena convida o público a reconhecer aquilo que nunca deixou de existir: a memória que continua respirando sob a superfície do tempo.

Ficha técnica

Criadoras e atrizes-pesquisadoras: Lírio Valente e Lucia Oliveira

Técnica de som e iluminação: Alana Carvalho

Memórias d’Omar

23/8, domingo, 15h, Parque Airton Nogueira

Cia. PlastikOnírica – Teatro de Formas Animadas (Santos)

Omar é um velho pescador que navega em Memórias, curiosa embarcação e banca de histórias. Em seu balaio, achados das profundezas do mar: tesouros guardados nas ondas do pensamento, a beleza da passagem do tempo, os naufrágios do esquecimento. Uma intervenção cênica itinerante e intimista, livremente inspirada em poemas de autoras(es) santistas. Convida as pessoas do público a embarcar numa viagem de formas animadas sobre os mistérios de envelhecer ao sabor da água salgada.

Nadja Kouchi Cena de ‘Memórias d’Omar’, intervenção de formas animadas da Cia. PlastikOnírica (Santos)

Ficha técnica

Criação: Cia. PlastikOnírica

Manipulação: Pedro Cobra, Larissa Miyashiro e Felipe Zacchi

Trilha sonora original: Felipe Zacchi

Figurino, objetos e cenário: Larissa Miyashiro

Bonecos, objetos, cenário e direção: Pedro Cobra

Fotos, vídeo e arte gráfica: Nadja Kouchi

Pequenos segredos para o mundo não me mudar

27/8, quinta, à tarde, apresentação para público interno de creche municipal, precedida de formação acerca de teatro para bebês com servidores, pela manhã

Cia. O Que de Que (São Paulo)

A companhia abre um espaço de encantamento para bebês e famílias. Formas amplas evocam um cosmos em nascimento; esferas repousam como planetas em suspensão. Papéis viram balões, barcos e aviões; fitas tecem uma grande cama de gato; pequenas manivelas afinam o silêncio. O nascer do universo encontra o nascer dos bebês: potências de novos mundos — lembrando a pais e responsáveis o significado/ressignificado de gestos simples que, ao longo do tempo, foram sendo esquecidos, mas que renascem no ato de compartilhar presença com as crianças.

Divulgação/Chiquita Artistas da Cia. O Que de Que (São Paulo) interagem com bebês em ‘Pequenos segredos para o mundo não me mudar’, que será apresentado em creche

Ficha técnica

Direção e dramaturgia: Rodrigo Andrade

Direção de movimento: Lu Favoreto

Intérpretes-criadores: Diogo de Carvalho, Rossana Boccia e Zenaide Paludo

Trilha sonora: Pipo Pegoraro

Figurinos: Claudia Schapira

Costureira: Cleuza Amaro da Silva Barbosa

Cenários e adereços: Rodrigo Andrade

Assistentes de confecção de cenário: Luiza Boccia e Diogo de Carvalho

Móbile cenário: João Rivera

Orientadora vocal: Andrea Drigo

Orientação de processos criativos para bebês: Grupo Sobrevento

Produção executiva: Ana Paula Trevisan

Assistente de produção: Luiza Boccia

Produção: Um Oito Produções Artísticas Ltda.

Realização: O Que de Que e Chiquita

Das tripas: sete histórias

27/8, quinta, 20h, Theatro Vasques

Cia Mariana Muniz de Dança e Teatro (São Paulo)

Espetáculo livremente inspirado no livro Das tripas coração (2018), da escritora pernambucana Ezter Liu. Uma construção coreográfica e teatral por meio da qual movimentos e palavras dão voz e corpo ao universo poético e profundamente feminino retratado pela autora. São contos cheios de peripécias inusitadas e concretas. Alguns “vieram da imaginação mesmo, já outros são mais empíricos, mas nada autobiograficamente descarado”, como afirma Liu. As sete histórias escolhidas entre as 18 publicadas levaram a companhia a trabalhar a partir das seguinte perguntas: “Quando os movimentos e os gestos dançados são fundamentais para fazer emergir no corpo do espectador sensações e pensamentos que o coloquem em sintonia com a estrutura narrativa escolhida? Quando o texto falado, a rede de palavras se torna imprescindível para dar clareza e sentido à dramaturgia? Como constituímos uma trama de palavras e movimentos que expressam caminhos comunicantes, sem perder a conexão com o espírito de cada conto selecionado?”.

Cláudio Gimenez A artista da Cia Mariana Muniz de Dança e Teatro (São Paulo) no solo
‘Das tripas: sete histórias’, direção de Clara Carvalho

Ficha técnica

Direção: Clara Carvalho

Coordenação-geral e intérprete: Mariana Muniz

Assistente de coordenação e fotos: Cláudio Gimenez

Assistência de direção: Marcella Vicentini

Iluminação: Wagner Pinto

Operação de luz: Gabriel Greghi

Espaço cênico: Júlio Dojcsar

Trilha sonora: Mau Machado

Operação de som: Fernando da Mata

Figurino: Marichilene Artisevskis

Direção de produção: Rafael Petri

Produção geral: Movicena Associação Cultural

Cometi a infâmia de escrever esta carta a Consuelo e a deponho aos pés de vocês

28/8, sexta, 20h, Theatro Vasques

Lucienne Guedes Fahrer (São Paulo)

A convite do Centro Cultural São Paulo, a atriz escreveu uma carta imaginada à dramaturga Consuelo de Castro. Era junho de 2020, no olho da pandemia, no meio do início de uma das maiores crises institucionais do Brasil. Agora, Lucienne traz a carta para a cena, ao vivo, numa sobreposição de tempos, e para perguntar novamente: “Quem escreve esta carta comigo? Quem vai fazer alguma coisa?”.

Ficha técnica

Autora e atriz: Lucienne Guedes Fahrer

Filmagem original e montagem: Max Fahrer

Luz e direção técnica: Leo Birche

Vermelho, branco e preto

5/9, sábado, 15h, Parque Centenário

Cibele Mateus (São Paulo)

Inspirado na brincadeira do Cavalo Marinho (PE), a artista entrelaça narrativas caboclas (vermelho), críticas ao colonialismo (branco) e a máscara de negrume (preto) como afirmação de identidade e ancestralidade. Resulta de sua pesquisa de mais de 15 anos sobre a figura cômica do “Mateus” e outras comicidades negras e populares presentes em diversas brincadeiras brasileiras. A obra reverencia Sebastião Pereira de Lima, mais conhecido como mestre Martelo, pernambucano nonagenário de quem a artista da cena, brincante, educadora social e pedagoga é discípula.

Mateus Tropo Cibele Mateus (São Paulo) protagoniza e codirige ‘Vermelho, branco e preto’ com Juliana Pardo, sob inspiração da figura cômica do “Mateus”.

Ficha técnica

Concepção e atuação: Cibele Mateus

Direção: Cibele Mateus e Juliana Pardo

Assistência de direção: Val Ribeiro e Vanessa Rosa

Preparação Corporal: Val Ribeiro (Saberes em Roda: Okê Arô Caboclos e Caboclinhos)

Orientação dramatúrgica: Salloma Salomão

Dramaturgia textual: Salloma Salomão e Cibele Mateus

Criação dramatúrgica: Cibele Mateus, Salloma Salomão, Alício Amaral e Juliana Pardo

Direção Musical: Alício Amaral e Amanda Martins

Criação de trilha sonora: Alício Amaral, Amanda Martins, Cibele Mateus e Rafa da Rabeca

Gravação e mixagem: Diego Techera

Orientação de Mateus: Sebastião Pereira de Lima (Mestre Martelo), Juliana Pardo e Alício Amaral

Orientação e treinamento em cavalo-marinho: Juliana Pardo e Alício Amaral

Figurinos e adereços: Juliana Naju

Cenário (rede): Eduardo Amaral (Pequena Trupe de Circo) e André Pastore

Criação de luz: Diego F.F Soares e Cic Morais

O incrível número final

Bando Golíardis (São Paulo)

6/9, domingo, 15h, Parque Centenário

Vindo diretamente de qualquer lugar, em direção a toda e qualquer terra, o grupo tem a audácia de apresentar um número de 4 palhaças e 9 claves que promete arrancar palmas e até lágrimas das pessoas do público. Na busca por mostrar essa criação espetacular, Pexerica Pocã, Esquálido Palito e Silva, Rolyna Rolota e Sorvetão DoQuê trazem à tona suas habilidades telepáticas, acrobáticas, aquáticas, malabarísticas e muito mais! Com vocês: O incrível número final — um espetáculo que cumpre o que promete.

Leticia Elisa Leal
Integrantes do Bando Golíardis (São Paulo) durante apresentação de ‘O incrível número final’ no Sesc Registro, em junho passado

Ficha técnica

Concepção e produção: Bando Golíardis

Elenco: Dani Marin, Marcelo Rôya, Sabrina Motta e Tiago cintra

Preparação musical: Tiago Cintra

Preparação corporal: Dani Marin

Preparação malabares: Marcelo Rôya

Encenação: Marcelo Rôya e Sabrina Motta

Composição Vivo a vida: Marcelo Rôya

Figurino: Projeto Barra de Saia – Fabiano Lira

Ponteiros do mundo

10/9, quinta, Feira Noturna de Brás Cubas, horário a definir

Coletivo Combuca da Judite (Mogi das Cruzes)

Uma fusão de cores, brilhos e arte são conduzidos por uma dramaturgia que convida as pessoas do público a emergir em uma reflexão sobre os caminhos trilhados pela humanidade e um futuro cada vez mais ameaçado. “Relógio do apocalipse”, “Relógio do juízo final” ou “Relógio do fim do mundo”, seja qual for o termo (conhecido em inglês como “Doomsday clock”), corresponde a uma representação gráfica de ameaças de origem antropogênica (ou seja, provenientes dos seres humanos) que nos aproximam da destruição total. É uma forma de quantificar o quão perto estamos de uma simbólica catástrofe global, que ocorrerá quando o relógio bater exatamente à meia-noite. Entre os números que alinham as bases tradicionais e contemporâneas das artes circenses, o espetáculo inclui malabares, pirofagia, acrobacia e equilibrismo, bem como incorpora recursos audiovisuais à narrativa.

Evandro Maia
Artistas circenses do Coletivo Combuca da Judite (Mogi das Cruzes) em ‘Ponteiros do mundo’, a ser exibido na Feira Noturna de Brás Cubas

Ficha técnica

Criação e direção artística: Vander Morais

Artistas circenses: Lucía Inés Milagros Trigo, Manuel Humberto Tenorio e Aldo Eleandro (percussão)

Produção audiovisual: Elias Mignoni – Estudio Limoeiro

Assistente de produção-executiva: Vivian Queiroz Figurino

Fotógrafo: Evandro Maia

Costureira: Fatima Confecção

Bombeiro civil: Matheus Ruan

P.A.R.E.L.H.A. – Um olhar sobre a realidade

12/9, sábado, 11h (data provisória, local a definir)

Núcleo PARELHA (São Paulo)

Há 198 anos, dois cavalos, Santa Cruz e Parelheiros, correm sem parar. Estão em uma região que representa um dos distritos mais sucateados de São Paulo, do qual muitos nem mesmo ouviram falar: Parelheiros. A história se passa em uma laje daquela periferia e é contada por duas personagens: Fena e Cambuci, que traçam um campo de jogo revelando aos poucos algumas histórias desse lugar. Prestes a completar seu aniversário de 199 anos, Parelheiros (vulgo cavalo doido) decide parar de correr pela primeira vez, e consegue finalmente olhar para os lados. Sua decisão gera um conflito terrível com o seu irmão Santa Cruz (vulgo cavalo Pangaré). O que o cavalo parelheiros viu nesse lugar de promessas e de muitos muros que crescem sem parar?  Seria possível ultrapassar esses muros? Nesse espetáculo a Periferia de Parelheiros fala, é protagonista e está em cena pela primeira vez. Afinal, onde tem corda tem cavalo.

Cristhiane Evangelista Dionísia Gonçalves e Maria José Alves (esquerda) concebem e atuam em ‘P.A.R.E.L.H.A. – Um olhar sobre a realidade’, com o Núcleo Parelha, sob direção de Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá)

Ficha Técnica

Concepção, atuação e música em cena: Dionísia Gonçalves e Maria José Alves.

Direção: Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá)

Dramaturgia: Cristiane Sobral e Núcleo PARELHA.

Direção musical: Gregory Slivar

Trilha sonora e composição: Dionísia Gonçalves

Preparação vocal: Dionísia Gonçalves

Construção baixo-cello de lata: Gregory Slivar e Wanderley Wagner

Construção flauta PVC: Júlio César (Instrumentos Alternativos)

Preparação corporal: Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá)

Criação e operação de luz: Kenny Rogers

Assistente de iluminação: Bianca Pereira

Criação e concepção de cenário: Wanderley Wagner e Núcleo Parelha

Concepção de figurino: Macarena Rozic (Reviver Ateliê)

Hairstyle: Mestiça

Fotografia laje: Kenny Rogers

Fotografia programa e redes sociais: Noelia Nájera

Doc-Filme P.A.R.E.L.H.A. (2023): Direção audiovisual de Flavio Barollo

Designer gráfico: Adi Alves

Social mídia: Cristhiane Evangelista

Cenotecnia e som: Gilson Lande

Consultoria musical: Gilson Lande

Consertos e manutenção técnica: Luthieria Fênix Sg

Intérpretes de libras: Nzambiapongo e Tamy Guimarães

Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Produção geral: Núcleo PARELHA

Produção de Campo: Silmara Garcia

Assessoria Contábil: Juliana Santana

Realização: Núcleo PARELHA

A botija: um pequeno inventário de histórias fantásticas do Nordeste brasileiro

13/9, domingo, 15h, Praça da Juventude

Com Cia Fabulinhando (São Paulo)

O espetáculo nasce de uma pesquisa em literatura oral por cidades do sertão potiguar. Na dramaturgia, três netos voltam da cidade grande para o quintal de sua avó, no sertão do Nordeste brasileiro, na busca por uma botija de ouro que a avó lhes contava que estava escondida pelas matas sertanejas. Nesse retorno ao lugar de origem, os personagens entram no quintal de sua infância e ali revelam, por meio das paisagens do sertão, histórias de encantarias e lendas que foram contadas pela avó. 

Leonardo Souzza Jhoao Junnior e Maria Alencar codirigem e contracenam em ‘A botija: um pequeno inventário de histórias fantásticas do Nordeste brasileiro’, com Cia Fabulinhando (São Paulo)

Ficha técnica

Atuação e direção: Jhoao Junnior e Maria Alencar

Ideia original e dramaturgia: Jhoao Junnior

Musicista: Babi Pacini

Bordados (figurinos): Maria Alencar

Cenografia: Jhoao Junnior

Pinturas: Andrea Gandolfi

Painel (tapeçaria): Irapuan Júnior

Painel (execução): Rafaela Brito

Direção de movimento: Ronaldo Aguiar

Canções e arranjos: Jhoao Junnior e Elaine Silva

Trilha sonora e pesquisa musical: Elaine Silva

Coco de chegada e despedida: Nildo Verdelinho

Iluminação: Júnior Doccini

Técnico de som: Eddu Ferreira

Operação de luz: Júnior Doccini

Assistente de produção: Marceu Silva

Produção: Arupemba Produções

Realização: Cia Fabulinhando

Homem na estrada

18/9, sábado, 19h, Casa do Hip Hop

Jezuz Pereira (Cubatão)

Inspirado na música Homem na estrada, dos Racionais MC’s, a abertura de processo constrói uma leitura em teatro pós-épico que tensiona personagem, ator e realidade. Em cena, não se interpreta apenas um homem encurralado pelo sistema — expõe-se a própria condição de estar nessa estrada. Eu, Jezuz Pereira, também sou o homem na estrada. Assim como cada integrante da equipe. Atravessamos um percurso onde o sonho de reconhecimento e dignidade convive com a violência estrutural, a invisibilidade e o risco constante da queda — simbólica ou concreta. Entre relato, representação e ruptura, a obra transforma a narrativa da música em dispositivo cênico para investigar destino, escolha e sobrevivência. A estrada deixa de ser metáfora e se revela como condição real: estar em cena, para nós, já é um ato de resistência.

Ficha técnica

Idealização e atuação: Jezuz Pereira

[demais funções e integrantes da equipe a confirmar]

Serviço:

3ª Mostra de Artes Cênicas de Mogi das Cruzes. Grátis, retirar ingressos no local de apresentação a partir de 1 hora antes da sessão. Todas disponibilizam interpretação em libras. Mais informações em @quanticacultural. Realização da Associação Cultural Quântica Laboratório de Arte Contemporânea, fundada em 2009. Evento orçado em R$ 350 mil, recursos provenientes de emenda parlamentar de autoria do deputado federal Alfredo Alves Cavalcante (PT), na modalidade fomento, sob escrutínio do Ministério da Cultura (MinC).