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Reportagem

Fátima Ortiz protagoniza peça de Sérgio Roveri

3.3.2015  |  por Helena Carnieri

Foto de capa: Eduardo Camargo

Fátima Ortiz deve ser uma pessoa que controla muito bem a ansiedade – característica desejável para uma atriz. Aos 43 anos de carreira, ela deixou a negociação sobre a participação de sua próxima estreia, que ocorre durante o Festival de Teatro, nas mãos da equipe de sua empresa, Pé no Palco. Só soube da inserção de Ensaio para um adeus inesperado como único exemplar curitibano na mostra oficial pela Gazeta do Povo, em matéria do dia 8 de fevereiro. “Quiseram me fazer uma surpresa”, contou à reportagem durante um ensaio.

Fátima recebeu para ler a peça do paulistano Sérgio Roveri em 2012 e viu que aquilo se encaixava com sua estrela. A apresentação de uma leitura dramática no fim do ano passado confirmou o interesse tanto do grupo quanto do público. Surgiu então o projeto, que, a princípio, teria estreia na mostra Pé no Palco 20 anos durante o festival, no Portão Cultural, mas acabou sendo promovido ao grupo das 29 peças principais do evento. E será a primeira montagem na íntegra do texto, marcada para dias 27, 28 e 29 de março.

“É um trabalho que a gente sabe que toca. Fomos muito motivados pela beleza do texto.”

Nele, o autor insere somente uma rubrica: pede duas cadeiras no palco sobre o qual mãe e filho se alternam em quatro monólogos cada um. “Vamos acrescentar algumas coisas”, brinca Fátima, que chamou Fernando Marés e Ricardo Alberti para elaborar o cenário. A trilha é de Vadeco Schettini e a luz, de Beto Bruel.

No relato inicial da mãe, aprendemos que seu filho se matou sem deixar nenhum bilhete. O fato foi a premissa inicial de Roveri, intrigado com a situação de pessoas que se vão e levam junto seus motivos.

Na experiência da mãe, reconhecemos a conduta de tantas mulheres que tentam lidar com um baque tremendo e passam por várias fases da depressão. “O texto toca porque abre para muitas experiências com perda”, explica a atriz.

Aos poucos, o filho acrescenta sua versão, como se tivesse voltado para contar sua história.

Na montagem, Fátima interpreta a mãe, enquanto Pedro Bonacin, o filho. A atuação de ambos faz surgir muitos personagens no palco: uma namorada, um irmão mais novo, o pai.

Por meio de uma tela translúcida, entram diferentes tempos narrativos, com espaço para a encenação, ou melhor, sugestão, de fatos passados. A direção é de José Simões e Jean Carlos Sanches

Entrevista: “Me inspirei no inconformismo de quem fica”

Como jornalista, Sérgio Roveri cobriu o Festival de Curitiba por algumas vezes, na mesma época em que começou a estudar dramaturgia e a escrever. Depois disso, já teve 19 textos seus montados para o palco. Agora, deverá vir à cidade assistir à preparação de Ensaio para um adeus inesperado.

O que o instigou a escrever a peça?
Me baseei em experiências que coletei ao longo do tempo. Há casos de pessoas que levam esse mistério, o motivo do suicídio, com elas. Não me inspirei num caso específico, mas nessa situação de inconformismo de quem fica.

Como foi escrever o texto?
Uma coisa que eu sabia era que mãe e filho não iriam dialogar. Primeiro escrevi toda a parte da mãe e chamei uma atriz para ler. Ela achou que precisava da voz do filho também. Então, depois de alguns meses, voltei ao texto e escrevi a parte do filho, que fala como se estivesse em seu último dia.

Você prefere contar histórias, ao contrário de um teatro mais lírico?
Até gosto do lirismo, mas para mim tem que ter alguma coisa além, uma narrativa. A poesia pela poesia se esvazia no teatro. Uma história faz bem. Não consigo me liberar dela.

.:. Publicada originalmente no jornal Gazeta do Povo, Caderno G, página 1, em 21/2/2015.

Onde: Portão Cultural (Av. República Argentina, 3.430 – Portão)
Quando: 27 a 29/3, às 21 horas
Quanto: R$ 60

.:. Mais informações no site do Festival de Teatro de Curitiba, aqui.

Helena Carnieri

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