Folha de S.Paulo
9.5.2005 | por Valmir Santos
São Paulo, segunda-feira, 09 de maio de 2005
TEATRO
Em “Rua Taylor”, com direção de Alberto Guzik, o grupo recorta personagens do autor e os insere em outras tramas
VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local
Ainda não é um Nelson Rodrigues (1912-80) propriamente dito, mas um dia ele deve bater à porta do número 214 da pça. Franklin Roosevelt. Por enquanto, Os Satyros abrem seu espaço para um “ensaio” sobre a obra do dramaturgo. (Em tempo: em 1996, Rodolfo García Vázquez, um dos fundadores do grupo, dirigiu “Valsa nº 6” em Portugal).
Desdobramento de oficina que agora ganha pernas próprias com o recém-criado Núcleo Experimental dos Satyros, “Rua Taylor nº 214 – Um Outro Ensaio sobre Nelson” cumpre temporada a partir de hoje, somente às segundas-feiras.
A montagem busca originalidade ao pisar o universo rodrigueano. Não se trata de coleta de crônicas, trechos de peças ou afins. Antes, os personagens são deslocados do original para cenas escritas em colaboração pelo elenco de 17 atores, sob coordenação dramatúrgica de Nora Toledo e Jarbas Capusso Filho.
Assim, Moema (de “Senhora dos Afogados”), Glorinha (“Perdoa-me por Me Traíres”), Sônia (“Valsa nº 6”), Leleco (“Boca de Ouro”), Pimentel (“A Falecida”) e outras tipos marcantes são envolvidos em cenas curtas. O título faz referência à rua Taylor, na Lapa carioca, para onde o núcleo projeta o bordel imaginário, ponto comum dos personagens, cuja dona pode ser Senhorinha (“Álbum de Família”), ou Madame Clessy (“Vestido de Noiva”).
“A peça ganhou muito em narrativa cênica”, diz o diretor Alberto Guzik, 60, que arrematou o espetáculo após a pesquisa do elenco, supervisionada por Ivam Cabral e Vázquez.
Com “Rua Taylor”, vão para nove as peças que revezam o cartaz durante a semana nos Satyros: “Num Dia Comum” (ter. e qua., às 21h30), “Amor” (qua., às 20h), “O Ovo ou a Metáfora do Sacrifício Feminino” (qui. e sex., às 20h), “Cosmogonia – Experimento nº 1” (qui. e sex., às 21h30), “Transex” (sáb., às 21h30, e dom., às 20h30), “A Filosofia na Alcova” (sex. e sáb., à meia-noite), “Os Assassinos de Inês de Castro” (sáb., 19h30) e “O Céu é Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt” (dom., às 18h30).
Crítico e repórter no site Teatrojornal – Leituras de Cena, que edita desde 2010. Publicou em periódicos como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes (SP). Autor de livros ou capítulos afeitos à memória e à história do campo teatral. Formado em Comunicação Social, habilitação jornalismo. Cursou doutorado e mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP, com pesquisas em crítica e teatro de grupo, e especialização em jornalismo cultural pela PUC-SP. Colabora em curadorias, consultorias ou comissões para mostras e festivais em iniciativas públicas e privadas, bem como elabora textos para enciclopédias e catálogos. Fez parte da fase amadora do Grupo Pombas Urbanas, no bairro de São Miguel Paulista.