22.11.2025 | por Valmir Santos
Três dias e meio antes de sua morte, vítima de parada cardíaca, a advogada Mércia Albuquerque Ferreira (1934-2003) fez a súmula da atuação profissional no último escrito: “Eu vi, vi o tempo passar, os jovens perdidos nas lutas pela cidadania, pela democracia, caírem mutilados, mortos, atapetando com sangue as ruas do Recife. Vi as lideranças presas, amordaçadas, assassinadas. A impunidade dominando, os homens de bem acuados. Não fiquei como a doce e romântica Carolina, de Chico Buarque de Holanda, que na janela não viu o tempo passar. Pulei a janela, levando minha caneta, e comecei a minha caminhada”.
O espetáclo Lady tempestade é nutrido da luta e da coragem dessa brasileira em celebrar a vitória da palavra humana com licença poética, a despeito dos corpos que, direta ou indiretamente, Mércia testemunhou desfigurados ou tombados sob o terror da ditadura civil-militar.
Leia mais12.5.2025 | por Teatrojornal
São múltiplas as afinidades entre os campos da advocacia e do teatro. Dramaturgias de diferentes regiões do planeta abordam noções de moralidade, ética e justiça em processos envolvendo defensores que despontam ao lado de seus clientes e em meio a juízes, promotores e júri. Já a técnica de interpretação costuma ser veiculada em cursos livres como ferramenta para o desempenho profissional em tribunais. No caso do espetáculo Lady Tempestade, a filosofia de vida, a militância e a coragem do trabalho da advogada Mércia Albuquerque Ferreira (1934-2003) estruturaram o ofício de defensora de pessoas presas, torturadas e muitas assassinadas por fazerem oposição à ditadura civil-militar (1964-1985) em Pernambuco e outros estados vizinhos na esteira do golpe que depôs o presidente democraticamente eleito João Goulart (1919-1976).
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