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“Sahika Tekand"

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“Sahika Tekand"

Crítica

O maior problema da MITsp foi o seu sucesso. Em sua primeira edição, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo surpreendeu a cidade e os organizadores com o imenso afluxo de público. Nos nove dias de programação, cerca de 14 mil pessoas acompanharam os espetáculos e as atividades paralelas. Mas um número muito maior do que esse acorreu às filas e ficou de fora. A espera por um espetáculo chegou a dez horas. E muitos não desistiam mesmo quando a chance de conseguir um lugar parecia ser mínima. Leia mais

Crítica

Em seus intentos artísticos, políticos e reflexivos, a Mostra Internacional de Teatro, a MITsp, honrou os marcos lançados em sua primeira jornada de 11 dias e 11 espetáculos encerrada ontem. Restabeleceu o lugar de um evento desse porte na agenda cultural da cidade, fora da escala da indústria do entretenimento (em analogia ao Festival Internacional de Artes Cênicas, de Ruth Escobar, que cumpriu nove edições entre 1974 e 1999). Incitou o interesse do espectador pelo teatro de pesquisa. Sublinhou a mediação crítica em todos os quadrantes, por um espectador ativo. E abriu-se aos estudantes e docentes de artes cênicas na graduação e na pós, inclusive vindos de outras praças. Leia mais

Crítica

A diretora turca Şahika Tekand foi certeira na escolha do título de seu espetáculo. Anti-Prometeu, montagem que integra a programação da MITsp, pode ser, de fato, considerado o avesso da saga do titã grego.

Na mitologia (e também na tragédia de Ésquilo), Prometeu é o herói que ousa desafiar os deuses. Rouba o fogo para se transformar em um protetor da humanidade. Opera por meio da astúcia e da coragem. Leia mais

Crítica

Eu não desejei fogo algum

14.3.2014  |  por admin

Antes que o desejo surja, Prometeu o satisfaz. Ele subverte a lógica da bondade e desloca o sujeito para a gratidão. E todos nós o saudamos, afinal, sua teimosia é inspiradora e, como visionário, ele entrega a nós o fogo e a bem-aventurança. Dizem de Prometeu como o herói civilizador, e ele se afirma em seu gesto – é que o fogo iluminou a arte, a cultura e o pensamento e somos gratos, então. Mas é preciso atentar-se, não existe nenhum virtuosismo em roubar o fogo e entregar à humanidade. Desconfio dos que assim insistem. Nem existe humanidade, o que existem são homens. É preciso discorrer sobre essa lógica de um deus que entende a entrega do fogo como um ato de amor e duvidar desse ato como sacrifício, pois proponho que talvez resida ai uma cruel compaixão. E assim começo a dizer da força que me arrebata em Anti-Prometeu, do Studio Oyunculari. Leia mais

Crítica

Sem fígado e sem fogo

14.3.2014  |  por admin

Em Anti-Prometeu, espetáculo da encenadora Şahika Tekand, da Turquia, os atores se movimentam e falam alternada e simultaneamente, obedecendo a uma gramática regida pelos comandos de som e pela dinâmica do dispositivo cenográfico, uma espécie de tabuleiro de luz. Dividida em três partes, a dramaturgia apresenta diferentes momentos da lida destes jogadores-peões com as demandas impostas por estímulos externos. Em um ritmo vertiginoso, o jogo ganha cada vez mais intensidade, desafiando a prontidão dos corpos na cena e das mentes na plateia. Leia mais

Nota

Anunciada em dezembro, até então com oito espetáculos confirmados, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, consolidou a lista de 11 obras que vão compor a programação da sua primeira edição, de 8 a 16 de março. As três que acabaram de ser fechadas elevam para quatro os núcleos artísticos baseados na América do Sul. Já se sabia de Cineastas, do argentino Mariano Pensotti. Bastante conhecido do circuito de festivais do país (Neva), o dramaturgo e diretor chileno Guillermo Calderón traz sua peça mais recente, Escola, de contundente abordagem política, como era de se esperar: na década de 1980, militantes de esquerda recebem treinamento paramilitar para resistir e derrubar a ditadura do general Pinochet. De Montevidéu, o grupo Pequeno Teatro de Morondanga apresenta  Bem-vindo à casa, encenação de Roberto Suárez considerada das mais inovadoras da temporada de 2012. Dividida em dois episódios, um por sessão, a peça é autodefinida como uma tragicomédia de humor negro em torno do destino “do incrível homem elefante”, aquele levado a público como aberração na Inglaterra vitoriana, drama histórico que David Lynch já abordou no cinema. A única criação brasileira na MITsp é assinada pelo coreógrafo, diretor e pesquisador Marcelo Evelin, cujo trabalho e a vida transitam há anos o Brasil e a Europa. De repente fica tudo preto de gente reúne cinco jovens performers vindos de Teresina, Kyoto, São Paulo, Ipatinga e Amsterdã. A ideia é investigar a massa como o pressuposto do comum numa multidão de singularidades. Uma das inspirações da sua companhia Demolition Inc. é o livro Massa e poder, do búlgaro naturalizado britânico Elias Canetti (1905-1994), que descreve a massa como fenômeno enigmático e universal. Nas próximas horas o site da MITsp detalhará a programação gratuita que ocupará oito espaços da cidade. Completando o menu: Sobre o conceito de rosto no filho de Deus (Romeo Castellucci/Societàs Raffaello Sanzio, Itália), Gólgota picnic (Rodrigo García/La Carnicería Teatro, Espanha), Hamlet (Oskaras  Koršunovas/OKT, Lituânia), Ali e Nós somos semelhantes a esses sapos (Compagnie Les Mains, les Pieds et la Tête Aussi/MPTA, França), Ubu e a comissão da verdade (William Kentridge/Handspring Puppet Company, África do Sul), Eu não sou bonita (Angélica Liddell/Atra Bilis Teatro, Espanha) e Anti-Prometheus (Sahika Tekand/Studio Oyunculan, Turquia).

Cena do espetáculo do diretor uruguaio Roberto Suárez