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Crítica

Mesmo de olhos bem fechados, não deixamos de ver o horror. O impacto da pandemia de Covid-19 no sono dos brasileiros tem sido estudado: até 50% da população relata insônia nos últimos meses. Mas, ainda entre aqueles que conseguem vencer a ansiedade e adormecer, sentem-se os efeitos. Os temores e lutos do novo cotidiano transformaram-se em matéria para os sonhos – ou pesadelos. 

Para a construção do espetáculo Sonhos de uma noite com o Galpão partiu-se declaradamente desse fenômeno. Na dramaturgia assinada por Pedro Brício, relatos oníricos coletados entre cerca de 150 pessoas servem de base. Costurados, os sonhos são narrados ou encenados durante a peça do tradicional grupo mineiro Galpão.

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Crítica

A loucura merece novas camadas. Em 2006, quando Gerald Thomas estreou Terra em trânsito, George Bush era presidente dos Estados Unidos, o 11 de Setembro ainda ardia como uma ferida aberta e a pandemia da Covid-19 não existia nem como pesadelo. A retomada da peça, passados 15 anos, pode ser compreendida por várias questões de ordem prática – como a facilidade de se recriar a mise-en-scène para o formato digital. Revisitá-la, porém, continua sendo uma maneira oportuna de o diretor jogar luz sobre o absurdo vigente.

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Biocritica - Uma questão de conta...

Caminhante

26.2.2021  |  por Maria Eugênia de Menezes

O trajeto percorrido pelo site Teatrojornal durante sua primeira década está exemplarmente exposto em seu próprio nome. Valmir Santos, Beth Néspoli e eu, que compartilhamos a edição da plataforma, fomos seduzidos inicialmente pelo teatro. Depois, passamos ao universo do jornal, com suas técnicas e regras. Para mais adiante, encerrados nossos ciclos dentro das redações, habitarmos um lugar de síntese, onde pretendíamos que os dois universos se comunicassem.

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Crítica

É fácil entender o desejo da atriz Helena Cerello de transpor o romance O peso do pássaro morto para o teatro. Ainda que tenha sido escrito como um longo poema – ou um fluxo de consciência – o texto de Aline Bei carrega na oralidade, cabe na boca sem esforço e não pede alterações profundas para se converter na encenação que atualmente cumpre temporada virtual.

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Crítica

O corpo atravessa Stabat Mater. É a partir dele que surgirão as imagens e ideias manipuladas por esse espetáculo concebido e atuado por Janaina Leite. O corpo será espaço para o real – evocado constantemente nessa criação. O corpo será o símbolo da sacralidade e da profanação: o corpo imaculado da Virgem Maria, o corpo eviscerado das mulheres assassinadas em filmes de terror, o corpo da mãe.

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Crítica

Quando estreou, em 2014, Caros ouvintes era uma peça que falava do passado. Na obra, escrita e dirigida por Otávio Martins, apareciam em destaque personagens de um mundo às vias de extinção. No fim dos anos 1960, enquanto o Brasil assistia ao acirramento da ditadura militar, crescia o poderio das redes de televisão e chegava ao fim a era das rádios. Cantores, sonoplastas, dubladores, operadores de som e atores das radionovelas perdiam seus empregos e buscavam se recolocar em um mundo transformado.

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Crítica

As razões para matar o pai. Em Tebas land, peça de Sergio Blanco, essa questão parece organizar a trama. Como nas outras montagens do franco-uruguaio que puderam ser vistas no Brasil recentemente – caso de A ira de Narciso e o O bramido de Düsseldorf –, uma morte surge como disparadora das ações. Como se o espanto diante da ideia de matar ou de morrer incitasse o dramaturgo a pôr em funcionamento uma máquina que mistura ficção e autobiografia.

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