28.3.2014 | por Valmir Santos
Em Abnegação, os atos de fala são privados, mas incidem frontalmente na vida pública. Fala-se muito e grosso nesse circuito fechado do negócio da política partidária encruada no poder. No entanto, tudo que esses sujeitos botam da boca para fora soa espasmódico. A interjeição “opa” é recorrente nesses enunciados tensos e quebradiços. A dramaturgia de Alexandre Dal Farra tem suas potencialidades multiplicadas quando o espectador, no caso, dá menos importância ao expressado verbalmente e deixa-se pautar pelo inaudito. A falha como linguagem projeta-se enquanto realidade da cena. Com ela, afloram o caráter de quatro homens e uma mulher que corrompem a própria palavra em sua ambição desmedida. Os cochichos ao pé do ouvido são reveladores do conluio. Leia mais
28.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
De repente, um romeno se torna o autor mais popular do teatro brasileiro. Há um ano, Matéi Visniec era praticamente um desconhecido no País. A recente edição de suas obras em português, porém, parece ter despertado um séquito de interessados em sua dramaturgia. Durante o Festival de Curitiba, a maior vitrine das artes cênicas nacionais, o escritor merece duas montagens: 2 x Matei, dirigida por Gilberto Gawronski, e Espelho para cegos, versão de Marcio Meirelles. Em São Paulo, a tônica não é diferente. Estreia na cidade História do comunismo contada aos doentes mentais, com encenação de Miguel Hernandez e André Abujamra. Leia mais
27.3.2014 | por Teatrojornal
O Teatrojornal – Leitiuras de cena sugere ao internauta e espectador os seguintes espetáculos em cartaz na programação de hoje, ordenado por horário, conforme sinopse e dados da organização da mostra paralela Fringe no Festival de Teatro de Curitiba:
Gafanhoto
Drama | Mini-Guaíra – Aud. Glauco Flores de Sá Britto, 16h
Em uma casa de campo, um doente terminal recebe os cuidados de sua esposa. Um invasor entra na casa, violenta e mata a mulher diante do olhar do homem indefeso e inerte. A ação é vista sob as diversas camadas de sexualidade, prazer e violência. A experiência da destruição trazida por uma nuvem de gafanhotos.
Companhia: FALA Companhia de Teatro | Direção: Don Correa | Autoria de texto: Paulo Zwolinski | Elenco: Eduardo Ramos, Maíra De Aviz, Sávio Malheiros
Duração: 40 min | Curitiba / PR | Valor: R$ 10,00
Um pequeno animal selvagem
Drama | TEUNI – Teatro Experimental da UFPR(0), 17h
Seca, direta e ágil, a peça abre discussões de temas sensíveis e humanos, entre eles, a justiça social feita pelas próprias mãos. Qual será o futuro de nossos adloescentes, diante à corrupção clara e estampada nos meios sociais que os cercam?
Companhia: Os Cogitadores Cia de Teatro | Direção: Ricardo Matioli | Autoria de texto: Zeno Wilde | Elenco: Alison Bernardes , Giovani Milani, Lawrence Garcia , Matheus Leonel
Duração: 60 min | São José do Rio Preto / SP | Valor: R$ 20,00
Verbo
Monólogo | Mini-Guaíra – Aud. Glauco Flores de Sá Britto, 19h
Na sala de uma família de classe média, uma mulher narra e reconstitui, detalhadamente, os acontecimentos que se deram na noite em que descobriu a infidelidade de seu marido, relembrando as ações, o cenário e as imagens de um episódio de vida conjugal que levanta questionamentos sobre os limites de nossos juízos.
Companhia: Isso Não É um Grupo | Direção: Cássio Pires | Autoria de texto: Cássio Pires | Elenco: Michelle Gonçalves
Duração: 60 min | São Paulo / SP | Valor: R$ 10,00
Emiliano
Monólogo | Cia. do Abração – Sala Simone Pontes, 19h30
Um soldado, lutando numa guerra, conhece o amor de uma mulher. Lá também aprende com a sabedoria de um ancião e canta. Em suma, a viagem de uma vida inteira com os textos de Emiliano R. Fernandez, personagem paraguaio que cantou sua vida e suas experiências na guerra do Paraguai, na língua guarani.
Companhia: Fabio Chamorro | Direção: Edith Correa | Autoria de texto: Emiliano Fernandez | Elenco: Fabio Chamorro
Duração: 60 min | Asuncion / Asuncion / Paraguai | Valor: R$ 30,00
Solo paraguaio ‘Emiliano’, com Fabio Chamorro
Insone
Experimental | Sala Londrina, 20h
O espetáculo se utiliza das linguagens de teatro e dança para debruçar-se sobre os estados de sono e vigília do homem. Os sonhos, pesadelos e insônia, o homem contemporâneo entre a sua necessidade de descanso e repouso e as exigências de um mundo cada vez mais veloz, vertiginoso.
Companhia: Grupo Z | Direção: Carla Van Denbergen | Autoria de texto: Fernando Marques | Elenco: Alexsandra Bertoli, Daniel Boone, Ivna Messina, Luciano Rios
Duração: 60 min | Vitória / ES | Valor: a confirmar
27.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Na mostra paralela do Festival de Curitiba, o Fringe, sempre foi possível encontrar criações de todas as regiões do País. Mas o que 2014 parece trazer de novidade é a organização de várias dessas obras em representações estaduais, com curadoria e financiamentos próprios. Até o dia 6, o público terá a oportunidade de conferir três mostras especiais dedicadas a esse segmento: a mostra Baiana, o ESemCena e a mostra Ademar Guerra. Leia mais
27.3.2014 | por Helena Carnieri
O Festival de Teatro de Curitiba escolheu uma peça de rua para fazer sua abertura na noite da última terça-feira. Mas a opção por colocar a chilena El hombre venido de ninguna parte entre as quatro paredes do Expo Renault Barigui trouxe perdas à apresentação. A última sessão programada para hoje à noite, na Praça Santos Andrade, na região central, deverá ser mais autêntica em relação à proposta do grupo La Reyneta, um dos principais do Chile e interessado em investigar o teatro “callejero”, de rua. Leia mais
26.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Cerca de 2.500 pessoas participaram ontem, dia 24, da abertura da 23ª edição do Festival de Curitiba. A cerimônia, realizada na Expo Renault do parque Barigui, reuniu representantes dos patrocinadores do evento, o diretor do Festival, Leandro Knopfholz, além de autoridades dos governos federal, do Estado e do município. Em meio aos discursos de praxe, que saudaram a longevidade do Festival e sua representatividade nacional, houve o anúncio de uma nova política pública para o teatro local. Marcos Cordiolli, presidente da Fundação Cultural de Curitiba, lançou o programa Casa Cheia, um incentivo para que o público frequente as mostras em cartaz. Quem assistir a um espetáculo paranaense, ganha no ato da compra do ingresso R$ 10 de desconto. O repasse de recursos, garante Cordiolli, irá diretamente para os artistas envolvidos.
Após as formalidades, foi apresentado o espetáculo El hombre venido de ninguna parte, da cia. chilena La Reyneta. A partir de restos de materiais, como ferro e madeira, o grupo cria uma série de artifícios para contar a história de um homem que viaja no tempo. Após sofrer um acidente, o dono de um restaurante é levado a outras épocas, nas quais encontra amores e enfrenta batalhas. Quase sem diálogos, a peça possui apenas um breve monólogo do protagonista, que foi devidamente traduzido para o português.
A simplicidade e a precisão dos recursos utilizados na montagem são seu maior atrativo. Um mesmo compartimento de metal pode se transformar em cápsula do tempo, em navio que atravessa tempestades no mar ou em automóvel.
Concebido para ser apresentado na rua, o espetáculo foi prejudicado pelo espaço fechado em que ocorreu a abertura. Ficou a impressão de que ganharia corpo se encenado em um espaço público, sujeito às intervenções e ao contato com a plateia.
As sessões para o público, gratuitas, acontecem hoje, dia 26, e amanhã, na Praça Santos Andrade, às 21h30.
26.3.2014 | por Teatrojornal
A mesa-redonda Cenografia brasileira em debate reúne o diretor Antunes Filho, os cenógrafos José de Achieta e José Dias e a diretora de arte Vera Hamburger na noite desta quarta-feira no Sesc Anchieta, em São Paulo, a partir das 19h. O diálogo é estimulado pelo livro Cenografia brasileira – Notas de um cenógrafo, de J.C. Serroni, também participante do encontro. A obra lançada há pouco pelas Edições Sesc São Paulo, de 374 páginas, pode ser adquirida na ocasião por R$ 69, já com desconto de 30%.
Desde os anos 70, áreas muito díspares têm caminhado pela atividade cenográfica. Esses novos agentes provocaram o alargamento das fronteiras da cenografia. A fragmentação gerou uma pulverização da atividade do cenógrafo, e uma consequente crise de identidade. A junção de práticas cenográficas tão diferentes com o velho e o novo leva à procura pela definição da profissão do cenógrafo, quais são os novos limites para a criação e qual seria o espaço ideal para a encenação teatral nos nossos dias. Estes, entre outros assuntos, serão abordados no debate.
O rio-pretano J.C. Serroni, criador e pesquisador
O livro de Serroni condensa conhecimento e experiências acumulados em mais de quatro décadas de ofício. A obra é focada na documentação da profissão a partir da montagem de Vestido de noiva, em 1943. O arquiteto criou cenários e figurinos para o teatro e trabalhou durante 11 anos no Núcleo de Cenografia do Centro de Pesquisa Teatral (CPT), coordenado por Antunes Filho no Sesc Consolação.
A partir de textos e imagens resultantes de ampla pesquisa, o livro traça um panorama da história da cenografia brasileira e discorre sobre épocas de raros relatos da produção, entre o início do século 20 e os dias atuais, destacando o perfil de 31 dos seus pares de profissão, entre eles Flávio Império, Luiz Carlos Mendes Ripper, Gianni Ratto e Gabriel Villela.
Serviço:
Cenografia brasileira em debate
Quando: quarta-feira, dia 26, às 19h
Onde: Teatro Anchieta – Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo, tel. 11 3234-3000).
Quanto: Grátis. Retirar ingresso na bilheteria com 1 hora de antecedência.
25.3.2014 | por Miguel Anunciação
Levei uma amiga para ver um espetáculo do/no Teatro Oficina, São Paulo, pela primeira vez: tinha quase 80 anos, estava habituada a ir ao teatro em Belo Horizonte, mas basicamente a espetáculos com globais. Temi como reagiria a uma encenação de mais de quatro horas (a primeira montagem de As bacantes), em que José Celso Martinez Corrêa a elegeu na plateia para compartilhar um vinho e sentar-se nu em seu colo. Ao final, me surpreendeu ouvi-la afirmar: “Adorei, isto é que é teatro”. Leia mais
25.3.2014 | por Maria Eugênia de Menezes
Um festival para celebrar Shakespeare. No ano em que o maior autor teatral da história completa 450 anos de nascimento, o Festival de Curitiba reservou parte considerável de sua programação para homenageá-lo. O mais esperado título de 2014, The rape of Lucrece, é uma criação da prestigiosa Royal Shakespeare Company. Inspirado em um poema do escritor inglês, trata-se, segundo seus criadores, de uma “terrível fábula sobre a luxúria, o estupro e a política”. Leia mais
25.3.2014 | por Teatrojornal
O 6º Festival Internacional de Teatro de Rua de Porto Alegre acontece de 20 a 29 de abril. Entre os convidados desta edição, estão o grupo francês Générik Vampeur, com a montagem Bivoac e o artista catalão Roger Bernat, que traz o espetáculo A sagração da primavera. Do Brasil destacam-se dois grupos de Goiânia: o Teatro que Roda, com Das saborosas aventuras de Dom Quixote de La Mancha e seu fiel escudeiro Sancho Pança; e o Teatro Nu Escuro, com Gato negro. De Brasília vem a Cia. de Teatro Andaime, com Serpentes que fumam. Os grupos do Rio Grande do Sul também tem forte presença. A tribo de atuadores Ói nóis aqui traveiz traz sua nova criação Onde? ação Nr. 2. Leia mais