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“Maria Fernanda Vomero"

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Resenha

Prólogo

“Não vão nos matar agora”, diz Jota Mombaça, “apesar de que já nos matam”.

“A gente combinamos de não morrer”, fala Dorvi, rapaz da quebrada, personagem de Conceição Evaristo em Olhos d’água (Pallas, 2014), sobre o pacto feito com os companheiros. “Morremos nós, apesar de que a gente combinamos de não morrer”.

“Não vão nos matar agora porque ainda estamos aqui”, reafirma Mombaça.

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Resenha

No início, há apenas a voz ─ e essa voz é. Em seguida, a voz escolhe um corpo para habitar: o corpo de uma mulher negra. E esse corpo também é. Assim, em Vaga carne, tanto a peça (2018) de Grace Passô quanto o média-metragem (2019) codirigido por ela e por Ricardo Alves Jr., voz e corpo ora se fundem, ora se confundem, se conformam e se confrontam. Toda uma história se narra nas modulações, nos tons, nos ritmos da voz ─ e em seus silêncios. O íntimo e o coletivo permeiam cada gesto, cada movimento do corpo, cada pequena coreografia ─ e suas pausas. Em sua performance, Passô mobiliza também o invisível e o indizível. Assistimos ao encontro entre voz e corpo no agora da encenação, mas as experiências que ambos carregam não se limitam ao tempo linear ou cronológico. Por fim, o desconcerto: o que vai ser do corpo, daquele corpo, quando a voz se desgrudar dele?

Vaga carne é um dos espetáculos citados pela poeta, ensaísta, dramaturga e professora Leda Maria Martins em Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela (Cobogó, 2021), como exemplo das criações artísticas brasileiras que têm reconfigurado a representação do negro em cena. Trata-se de um repertório crescente de poéticas, que, por meio de ousados procedimentos e elaborações estéticas, afirmam as corporeidades negras como episteme, exercitando uma memória cultural que atualiza acervos cognitivos e performáticos de matrizes africanas e afro-brasileiras. Um aporte urgente e fundamental para a cena teatral (e política) brasileira, que em muitos momentos ainda se revela resignada diante de narrativas desgastadas, modos de produção excludentes ou exclusivistas, estruturas colonialistas e racistas etc.

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Encontro com Espectadores

As inquietações da Companhia de Teatro Heliópolis ao pesquisar e criar o espetáculo Sutil violento, bem como o impacto da linguagem corporal na construção de imagens críticas e poéticas reveladoras do quanto a opressão tem sido naturalizada no cotidiano, nortearam o 12º Encontro com o Espectador Leia mais