Crítico e repórter no site Teatrojornal – Leituras de Cena, que edita desde 2010. Publicou acerca de arte e cultura em periódicos como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes (SP). Autor de livros ou capítulos afeitos à memória e à história no campo do teatro. Formado em Comunicação Social, habilitação jornalismo. Cursou doutorado e mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP, com pesquisas em crítica e teatro de grupo. E especialização em jornalismo cultural pela PUC-SP. Colabora em curadorias, consultorias ou comissões para mostras e festivais em iniciativas públicas e privadas, bem como elabora textos para enciclopédias e catálogos. Fez parte da fase amadora do Grupo Pombas Urbanas, no bairro de São Miguel Paulista.
Leia os 72
textos
dessa ação >
14.9.2014 | por Valmir Santos
O grupo chileno Teatro en el Blanco crava em La reunión o poder da retórica que enfeixa ator e voz no domínio técnico assim como, no plano das ideias, atrita história e ficção ao jogar com avatares dos processos de colonização. As figuras da rainha Isabel e do navegador Cristovão Colombo são catapultadas de cinco séculos atrás para uma arena expositiva das seduções do e pelo poder aplicáveis aos sistemas políticos de todas as épocas. Leia mais
7.9.2014 | por Valmir Santos
Em La imaginación del futuro, o diretor Marcos Layera e a Compañía de Teatro La Resentida revolvem uma passagem trágica do Chile: o golpe militar e consequente morte do presidente Salvador Allende, que teria cometido suicídio em 11 de setembro de 1973 sob bombardeio do Palácio La Moneda, no centro de Santiago (outra versão diz que ele foi assassinado por soldados). Não falta adrenalina ao espetáculo que abriu o 3º Mirada – Festival Ibero-Americana de Artes Cênicas de Santos, seja pela expressão física das atuações ou pela ousadia dessa jovem geração que está em cena, criou a dramaturgia em colaboração e maneja esse material explosivo incorrendo em riscos no exercício de dialogar com o mito e dessacralizar o estadista que influenciou o destino da nação. Leia mais
5.9.2014 | por Valmir Santos
Duas cenas curtas balizam a identidade artística do grupo espanca! construída ao longo de sua primeira década.
Em 2004, Por Elise, título homônimo do espetáculo desdobrado no ano seguinte, surpreende e encanta pela exposição de um sistema cênico aparentemente simples ancorado em requintada elaboração das escritas de texto, de cena e de atuação. Essa rara conjunção, almejada por todo criador atilado, finca raízes sob as mãos e pensamentos de moças e rapazes que, intuímos, não pactuam de largada a ambição de revolucionar a morfologia do teatro. Antes, jogam abertamente com os rastros existenciais, as inspirações artísticas embrionárias de suas escolas livres ou formais e a sincronia de época com outros pares inclinados à pesquisa permanente na capital mineira ou alhures. Condensação estilística e moldura poética inatas fixam a inquietação como princípio. Leia mais
3.9.2014 | por Valmir Santos
O espectador brasileiro conhece os talentos cômicos de Hugo Possolo para as artes do circo e do teatro. Há cerca de 30 anos ele aprendeu as técnicas de palhaço no Picadeiro Circo Escola, em São Paulo. E há 23 anos estava entre os fundadores do Grupo Parlapatões, dos mais profícuos da produção teatral da cidade. Mas a face de agitador cultural ganhou outras definições nos bastidores do trabalho de encantar ou provocar as pessoas pelo riso. Possolo mostrou tino para administrar o Espaço Parlapatões, a um só tempo teatro, bar, café e sede prestes a completar oito anos de atividade na praça Franklin Roosevelt, no centro paulistano. Também abraçou a militância por políticas públicas para os artistas circenses, muitas vezes menosprezados pelas autoridades culturais. Leia mais
30.8.2014 | por Valmir Santos
A peça Cuarteto del alba (2013), ou Quarteto do alvorecer, numa tradução livre, emenda falas, sentimentos, sensações, pensamentos, tempos e lugares como num plano sequencia que poderia se passar na cabeça de uma pessoa. O ato rememorativo que o barcelonês Carlos Gil Zamora deseja tornar presente no teatro vem modulado por quatro vozes multifacetadas. Elas são o dínamo de uma narrativa de extrações lírica e pungente. Leia mais
26.8.2014 | por Valmir Santos
O teatro de pesquisa tem na obra de Plínio Marcos o chamamento à apropriação de suas bases realistas, a fala batucada, os fotogramas duros e poéticos extraídos das precariedades material e humana na representação dos desvalidos, dos marginalizados. Abismos sociais resistentes há décadas com igual urgência que, de tão gritante, podem turvar o potencial inventivo a ser fundado em cena. Leia mais
24.8.2014 | por Valmir Santos
Percorrer a obra do coletivo espanhol El Conde de Torrefiel tem a ver com mergulhar numa instalação sensorial. Sentado na arquibancada semiarena, o público nem precisa abandonar o assento – e tampouco o faz – para ser guindado pelo fluxo narrativo dessa lancinante plataforma multidisciplinar de escrituras literária, visual, sonora e coreográfica. O expediente da acumulação enverga o sujeito da contemporaneidade em seu labirinto em La chica de la agencia de viajes nos dijo que había piscina en el apartamento, projeto em que tudo é movimento, a começar pelo título. Leia mais
23.8.2014 | por Valmir Santos
A Cia. Novos Candangos faz uma opção defensável ao levar à cena uma das peças mais difíceis de Nelson Rodrigues, Perdoa-me por me traíres (1957), cruzando-a esteticamente com o filme cult The Rocky Horror picture show (1975). O ritmo frenético do primeiro ato tem tudo a ver com a alta voltagem que o diretor australiano Jim Sharman imprime em sua mistura de musical, comédia e trash movie repleta de tipos estranhos e divertidos. Leia mais
22.8.2014 | por Valmir Santos
As quebras de expectativas no encontro dos bailarinos Pichet Klunchun e Jérôme Bel são inversamente proporcionais ao livro infinito dos vocabulários asiático e europeu que eles abrem pacientemente em cena a partir de suas biografias primeiras, o corpo. A via negativa serve a outras singularidades expressivas. Não há o tratamento espetacular em luz, som, espaço e figurinos, mas transparece a presunção de coreografia desse rico material organizado na cabeça do espectador. A impregnação do pensamento pela palavra – fala-se bastante com a mesma qualidade de atenção que um observa a “dança” do outro – intercala escutas e silêncios reveladores da gênese cultural do que vem a ser movimento, ação ou gesto nas composições discursivas e expositivas. Leia mais
21.8.2014 | por Valmir Santos
Conselho de classe explicita a urgência do seu tema com o mesmo pulso experimental dos melhores momentos da Cia. dos Atores em duas décadas e meia. O espetáculo é cirúrgico nos descaminhos da educação ao projetar o microcosmo de uma escola pública sob a ótica dos seus professores, ponte entre aprendiz e sociedade – se esta assim o desejasse. Do diagnóstico alarmante ao rancor seria um triz. Mas o quadro é mais complexo do que a realidade pinta. É sobre ela, realidade, que os criadores incidem dialeticamente, chamando o espectador à assembleia cidadã sem ungi-lo para tal. Um sistema de linguagem bem urdido dá conta disso justamente a partir das precariedades material e pedagógica expostas. E nos deparamos com o tamanho da resignação no país de Paulo Freire, Darcy Ribeiro ou Milton Santos que tanto se indignaram. Leia mais