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Os primeiros vestígios brasileiros de manifestação teatral têm quase os 512 anos do país. Foi no Brasil Colônia que a Companhia de Jesus manipulou a arte de representar para catequizar índios. Entre os padres, o espanhol José de Anchieta (1534- 1597), que pisou na Terra de Santa Cruz em 1553 e contava 19 anos, foi o mais bem-sucedido na criação de breves autos em verso, conforme raros documentos remanescentes. Aprendeu a língua tupi e se deixou contaminar pela cultura indígena, sem jamais perder de vista a religião. Leia mais

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Numa carta datilografada de 22 de novembro de 1979, Nelson Rodrigues consentia a Antunes Filho “um mergulho no infinito” de sua produção teatral. “Espero que saia uma obra-prima irretocável”, escreveu o dramaturgo, que morreu no final do ano seguinte, cinco meses antes de Antunes estrear Nelson Rodrigues, o eterno retorno (1981), com o Grupo de Teatro Macunaíma. Leia mais

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A crítica guarda especificidades no contexto de um festival. Trabalhar na recepção de um a três espetáculos diários requer empenho de reflexão correspondente ao espírito do evento. Quando sua natureza é local, penso sempre na contextualização junto ao espectador e aos artistas, em sua maioria em formação. É o caso da edição deste ano do Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente, o Fentepp.

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Mostra Strindberg

20.9.2012  |  por Valmir Santos

Cena da peça dirigida por André Guerreiro Lopes

Cena da peça dirigida por André Guerreiro Lopes

Programa sincronizado em quatro unidades do Sesc em São Paulo inclui espetáculos, leituras, debates, exposição e vivência em torno da dramaturgia, da vida e do pensamento do sueco Johan August Strindberg (1849-1912). Leia mais

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O dramaturgo sueco Johan August Strindberg (1849-1912) fez da pulsão artística um modo de purgar a existência. No romance autobiográfico “Inferno”, por exemplo, ele liga o fio terra a um material pessoal – os surtos de esquizofrenia que o acompanharam em boa parte dos 63 anos de vida – para dilatar experimentos de linguagem que superpõem registros de diário, ensaio e ficção. Leia mais

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É hora de rever aquela leitura de que a praia das comédias e dos musicais está no Rio enquanto São Paulo é congestionada por experimentos dramáticos em espaços não teatrais. O bom teatro não tem fronteiras, e as temporadas paulistana e carioca evidenciam cada vez mais afinidades do que divergências no modo como os espetáculos são criados, produzidos e recebidos nas duas cidades.
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À luz dos arquivos

10.9.2012  |  por Valmir Santos

No seminal estudo Mito y Archivo – Una teoría de la narrativa latinoamericana (1), o mexicano Roberto González Echevarría aproxima os primeiros escritos sobre a região (legado daqueles que testemunharam criminosos e conquistadores, séculos atrás) dos procedimentos de criação verificados no boom da ficção latino-americana a partir da década de 1960. Os romancistas como que rastreiam conflitos, mitos e traumas. Colaboram para gerar uma imagem literária do continente, em pleno período das conflagrações institucionais que maculam as democracias de turno. Os primeiros indícios saltam das páginas de Os passos perdidos, do cubano Alejo Carpentier, uma imersão arqueológica na Amazônia indígena, contrastando o modus vivendi daqueles povos e o dos ocidentais. Já em O jogo da amarelinha, do argentino Julio Cortázar, despontam os capítulos que podem ser rearranjados, textos que lançam mão de recortes de jornal como fonte. Em Cem anos de solidão, do colombiano Gabriel García Márquez, a noção de arquivo funda o romance, enquanto em O general em seu labirinto, do mesmo autor, a figura central é o general venezuelano Simón Bolívar, que encabeçou as guerras de independência da América espanhola, um livro consubstanciado por um numeroso acervo de cartas. Leia mais

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No seminal estudo Mito y Archivo – Una teoría de la narrativa latinoamericana (1), o mexicano Roberto González Echevarría aproxima os primeiros escritos sobre a região (legado daqueles que testemunharam criminosos e conquistadores, séculos atrás) dos procedimentos de criação verificados no boom da ficção latino-americana a partir da década de 1960. Os romancistas como que rastreiam conflitos, mitos e traumas. Colaboram para gerar uma imagem literária do continente, em pleno período das conflagrações institucionais que maculam as democracias de turno. Os primeiros indícios saltam das páginas de Os passos perdidos, do cubano Alejo Carpentier, uma imersão arqueológica na Amazônia indígena, contrastando o modus vivendi daqueles povos e o dos ocidentais. Já em O jogo da amarelinha, do argentino Julio Cortázar, despontam os capítulos que podem ser rearranjados, textos que lançam mão de recortes de jornal como fonte. Em Cem anos de solidão, do colombiano Gabriel García Márquez, a noção de arquivo funda o romance, enquanto em O general em seu labirinto, do mesmo autor, a figura central é o general venezuelano Simón Bolívar, que encabeçou as guerras de independência da América espanhola, um livro consubstanciado por um numeroso acervo de cartas. Leia mais

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A atriz Carmen-Maja Antoni, no papel-título

A atriz Carmen-Maja Antoni, no papel-título

Os vínculos umbilicais em Mãe coragem e seus filhos fazem da peça escrita em 1939 um exemplo bem-acabado de como Bertolt Brecht trata a emoção sem necessariamente esterilizá-la em busca da perspectiva crítica do espectador. Leia mais

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Bom Retiro 958 metros

26.8.2012  |  por Valmir Santos

O ator Roberto Audio na intervenção do Vertigem

O ator Roberto Audio na intervenção do Vertigem

O Teatro da Vertigem chega aos 20 anos ruminando a questão que lhe é cara desde o início: o lugar do teatro na cidade. As duas pontas desse ciclo vão do sagrado à dessacralização – uma igreja católica em O paraíso perdido, em 1992, porta de entrada para a Trilogia Bíblica, e um edifício teatral abandonado em Bom Retiro 958 metros, abrigo dos espectadores na reta final da intervenção que ocupa ainda corredores de um shopping de varejo, ruas e esquinas do bairro do centro velho de São Paulo. Leia mais