Crítico e repórter no site Teatrojornal – Leituras de Cena, que edita desde 2010. Publicou acerca de arte e cultura em periódicos como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes (SP). Autor de livros ou capítulos afeitos à memória e à história no campo do teatro. Formado em Comunicação Social, habilitação jornalismo. Cursou doutorado e mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP, com pesquisas em crítica e teatro de grupo. E especialização em jornalismo cultural pela PUC-SP. Colabora em curadorias, consultorias ou comissões para mostras e festivais em iniciativas públicas e privadas, bem como elabora textos para enciclopédias e catálogos. Fez parte da fase amadora do Grupo Pombas Urbanas, no bairro de São Miguel Paulista.
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11.2.2014 | por Valmir Santos
Início da década de 1970, Curitiba natal. Nos primeiros anos de vida a atriz e cantora Anna Toledo foi acalentada pelos principais sucessos da música popular brasileira por meio da performance ao vivo da avó Léa Vargas. Ela era uma apaixonada pelo canto e legou à neta sonoridade e ritmo para radicar os ofícios do palco, do microfone e do estúdio de gravação tal qual realmente vingou na vida. Uma das reminiscências dessa educação pelos ouvidos veio do cancioneiro de Lupicínio Rodrigues. Leia mais
Anunciada em dezembro, até então com oito espetáculos confirmados, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, consolidou a lista de 11 obras que vão compor a programação da sua primeira edição, de 8 a 16 de março. As três que acabaram de ser fechadas elevam para quatro os núcleos artísticos baseados na América do Sul. Já se sabia de Cineastas, do argentino Mariano Pensotti. Bastante conhecido do circuito de festivais do país (Neva), o dramaturgo e diretor chileno Guillermo Calderón traz sua peça mais recente, Escola, de contundente abordagem política, como era de se esperar: na década de 1980, militantes de esquerda recebem treinamento paramilitar para resistir e derrubar a ditadura do general Pinochet. De Montevidéu, o grupo Pequeno Teatro de Morondanga apresenta Bem-vindo à casa, encenação de Roberto Suárez considerada das mais inovadoras da temporada de 2012. Dividida em dois episódios, um por sessão, a peça é autodefinida como uma tragicomédia de humor negro em torno do destino “do incrível homem elefante”, aquele levado a público como aberração na Inglaterra vitoriana, drama histórico que David Lynch já abordou no cinema. A única criação brasileira na MITsp é assinada pelo coreógrafo, diretor e pesquisador Marcelo Evelin, cujo trabalho e a vida transitam há anos o Brasil e a Europa. De repente fica tudo preto de gente reúne cinco jovens performers vindos de Teresina, Kyoto, São Paulo, Ipatinga e Amsterdã. A ideia é investigar a massa como o pressuposto do comum numa multidão de singularidades. Uma das inspirações da sua companhia Demolition Inc. é o livro Massa e poder, do búlgaro naturalizado britânico Elias Canetti (1905-1994), que descreve a massa como fenômeno enigmático e universal. Nas próximas horas o site da MITsp detalhará a programação gratuita que ocupará oito espaços da cidade. Completando o menu: Sobre o conceito de rosto no filho de Deus (Romeo Castellucci/Societàs Raffaello Sanzio, Itália), Gólgota picnic (Rodrigo García/La Carnicería Teatro, Espanha), Hamlet (Oskaras Koršunovas/OKT, Lituânia), Ali e Nós somos semelhantes a esses sapos (Compagnie Les Mains, les Pieds et la Tête Aussi/MPTA, França), Ubu e a comissão da verdade (William Kentridge/Handspring Puppet Company, África do Sul), Eu não sou bonita (Angélica Liddell/Atra Bilis Teatro, Espanha) e Anti-Prometheus (Sahika Tekand/Studio Oyunculan, Turquia).
Cena do espetáculo do diretor uruguaio Roberto Suárez
4.2.2014 | por Valmir Santos
O Prêmio Molière deve ser reeditado no segundo semestre. No mês passado, o departamento de marketing de um dos maiores bancos do país avaliava a possibilidade de ser um dos patrocinadores. O principal articulador desse projeto redivivo é o diretor artístico da Maison de France no Rio de Janeiro, Cédric Gottesmann, há mais de década sonhando com a volta do prestigioso prêmio. Sua vigência, de 1963 e 1991, foi patrocinada pela Compagnie Nationale Air France. A empresa está disposta a voltar à carga mediante outros parceiros. Os contemplados terão direito a viajar a Paris, como dantes, “ponte aérea” decisiva na formação de alguns diretores e atores. Resta saber se o novo Molière captará o crescimento e a diversidade de ideias e formas da produção brasileira nos últimos anos. E se o tapete vermelho circunscreverá apenas a praça carioca. Durante pelo menos dez anos o ator, cantor e compositor Luiz Carlos Miele foi o apresentador oficial do Molière. Ouça aqui o inspirado esquete que ele protagoniza com Elis Regina durante cerimônia de entrega de 1970, não se sabe exatamente se no Municipal do Rio ou de São Paulo, palcos que revezavam a festa.
Escultura de Jean-Baptiste Poquelin (1622-1673)
1.2.2014 | por Valmir Santos
Quando os mitos e os rituais encontram-se sedimentados como ato criativo numa biografia de 35 anos, seu criador também é convertido, simbolicamente, em fonte primordial de outros mitos e rituais transmitidos às gerações de artistas e de públicos com os quais conviveu. Ou seja, gera uma tradição. Em sua antológica fricção poética com a realidade, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz sorveu a origem do mundo, palmilhou a natureza dos céus aos baixios, esculpiu em cena deuses, homens e heróis em suas falências e potências. E sublinhou injustiças, algumas ainda estanques, que por si mesmas ficariam emolduradas no histórico cultural não fosse disposição permanente do grupo para fazer valer seu projeto estético. Leia mais
1.2.2014 | por Valmir Santos
Companhias, coletivos e artistas teatrais organizados em torno do Fórum Setorial Permanente de Artes Cênicas de Florianópolis põem seu bloco na rua a partir de hoje com a Invasão Teatral – Mostra Cênica de Desterro (referência ao antigo nome da cidade). O objetivo é traçar um panorama da produção local “em um momento no qual as políticas culturais se mostram tão frágeis, (…) no qual se luta pelo reconhecimento da arte e da cultura como elementos estratégicos para o desenvolvimento da cidadania e das cidades”, informa o blog que traz o ideário e a programação. A mostra independente abre com um cortejo na manhã deste sábado (1º/2) e segue até o próximo dia 8. Leia mais
31.1.2014 | por Valmir Santos
O repórter Gustavo Fioratti informa na Ilustrada de hoje, na Folha, que a curadoria da próxima edição do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, de 16 a 17 de julho, será dividida por dois programadores de eventos afins em outros estados: César Augusto, da coordenação do Tempo Festival, no Rio, integrante da Companhia dos Atores, e Paula de Renor, do Janeiro de Grandes Espetáculos, no Recife, e também atriz e produtora. O Teatrojornal apurou que o convite formulado pelo secretário de Cultura, Alexandre Costa, ainda não teve sua negociação consolidada. Leia mais
23.1.2014 | por Valmir Santos
O texto a seguir foi publicado originalmente na revista eletrônica Questão de Crítica, sob o título Instabilidades na recepção crítica ao teatro de pesquisa. E consolidado a partir da palestra de abertura do 2º Encontro Questão de Crítica ocorrido no Rio de Janeiro em março de 2013. A imagem que o ilustra é uma cena da obra Origem destino (2013), da Companhia Auto-Retrato, que propõe ficção em deslocamento pela cidade de São Paulo entre a Praça da Sé, no centro, e o bairro de Santo Amaro, na zona sul. Leia mais
17.1.2014 | por Valmir Santos
Leia a seguir prefácio do livro Zé – Peça em um ato, de Fernando Marques. Professor do Departamento de Artes Cênicas da UnB, o jornalista, escritor e compositor adapta em verso e canções a peça Woyzeck, de Georg Büchner. A segunda edição teve o texto revisto e surge dez anos depois pelas mãos da É Realizações Editora, dentro da coleção Autores Nacionais. Mais informações deste lançamento, do texto de quarta capa assinado pela pesquisadora e professora da USP Maria Sílvia Betti e do ensaio adicional de Marques em que comenta a curta e esmerada obra do escritor alemão, aqui. Leia mais
24.12.2013 | por Valmir Santos
Estreada em Salvador a poucas semanas dos protestos de junho, A conferência exprime com argúcia o poder da arte em prenunciar becos e ser reticente quanto a saídas diretas – porque aí seriam outros quinhentos em termos de ativismo. Leia mais
18.12.2013 | por Valmir Santos
Há intimidades e intimidades. Em que medida desnudar-se é estar por inteiro diante do outro? A mão na face projeta poros da percepção da verdade que lentes de webcan não dão conta. O Grupo Bagaceira de Teatro compõe um realismo radical em todos os aspectos desse espetáculo, pode-se dizer, afluente da dramaturgia de Plínio Marcos (1935-1999) pelo talhe da carne e da alma. Veludos e Neusas Suelis são entreouvidos.