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Crítica Militante

Toda arte nasce de inquietações possíveis às mulheres e aos homens de determinada época e a ela se dirige. Desde as eras mais remotas, tenta-se driblar essa espécie de condenação à contemporaneidade – a imersão na cultura dificulta o corte crítico – por meio de narrativas deslocadas de seu território de origem, afastamento cujo objetivo, no fim das contas, é o retorno ao tempo vivido com algum elemento de dissenso. Salvo engano, tal movimento, tanto no ponto de partida quanto no de chegada, pode ser detectado no espetáculo Cabras – cabeças que rolam, cabeças que voam, criação da Cia. Teatro Balagan, baseada na tríade guerra-festa-fé, que tem direção de Maria Thaís e texto de Luís Alberto de Abreu.

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Crítica Militante

Em 17 de maio de 2016 foram comemorados os 150 anos de nascimento do compositor francês Erik Satie (1866-1925). Para celebrar a data, a Elefants Companhia de Teatro montou a única peça teatral do artista, A armadilha de Medusa, que estreou em 28 de setembro em Florianópolis. Leia mais

Crítica Militante

Evocando os mortos – Poéticas da experiência é um ponto fora da curva na história da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A atriz e produtora Tânia Frias enfeixa o caminho da individuação artística ao avançar em procedimento inaugural para ela e para os parceiros: a desmontagem. Trata-se de uma contradição aparente, mas indicativa da maturidade do grupo de Porto Alegre: há 38 anos imbuído da prática da criação coletiva. Leia mais

Crítica Militante

Desde sua estreia em 2010, com Vivienne, a Companhia de BifeSeco tem buscado criar espetáculos que surpreendam visualmente, mesmo que dispondo de poucos recursos – aquele primeiro trabalho foi gestado ainda dentro da faculdade. Uma das referências do grupo é o diretor norte-americano Bob Wilson, que, em Bifes_1 (2014), foi homenageado por meio de maquiagens e movimentações que lembravam as marcas características do mestre.

Daquela experiência brotou o recente Terrível incrível aventura – Um musical fabulesco marítimo (2016), cabaré que debocha de qualquer esperança em meio a citações da política atual. Leia mais

Crítica Militante

Em sua frase mais célebre, o crítico irlandês Vivian Mercier definiu Esperando Godot, de Beckett, como “uma peça em que nada acontece, duas vezes”, em referência aos dois atos do roteiro. Já O ano em que sonhamos perigosamente, que o grupo pernambucano Magiluth apresentou em setembro último no 23º Porto Alegre Em Cena, é um espetáculo no qual muitas coisas acontecem, mas não sabemos exatamente o quê. Leia mais

Crítica Militante

Luto e beleza

18.10.2016  |  por Kil Abreu

Kiko Marques reapresenta em Sínthia recursos formais experimentados no belo Cais ou Da indiferença das embarcações (2012). Ali já era perceptível a ambição que vai notabilizando o ator e diretor também como um dramaturgo importante na cena de São Paulo. Naquele espetáculo já se desenhava com rigor mais que razoável algumas coordenadas que talvez possam demarcar escolhas e características de estilo: Leia mais

Crítica Militante

O corpo transpassado pela experiência humana, posto como suporte político para o discurso sobre identidade de gênero, faz o ator Silvero Pereira se transmutar. No palco, o cearense, um dos fundadores do Coletivo As Travestidas, transita entre ele e seu alter ego, a travesti Gisele Almodóvar. Transita pelas duas identidades que, na verdade, se fundem em uma só, escritas em gestos e ditas em voz amplificadores de um teatro documental e militante. Leia mais

Crítica Militante

Sarah Kane (1971-1999) certa vez escreveu que frequentemente saía do teatro antes do fim, mas nunca fazia o mesmo em um jogo de futebol porque nunca se sabe quando um milagre pode acontecer. A venerada dramaturga inglesa julgava a performance muito mais interessante do que a atuação, mas sua noção não era a do conceito-fetiche da cena contemporânea. Performance, para ela, era uma partida do craque David Beckham ou um show da banda Jesus and Mary Chain, para citar duas de suas preferências. Essa é a autora homenageada pela companhia gaúcha Teatrofídico no espetáculo Cadarço de sapato ou ninguém está acima da redenção, que estreou no início de 2015 e teve novas sessões em setembro último no 23º Porto Alegre Em Cena. Leia mais

Crítica Militante

A função do curador na área de artes cênicas parece, para muitos, incluindo os próprios curadores, imprecisa. Apesar da multiplicação de festivais e mostras de artes cênicas, o termo curadoria ainda é polêmico e está em construção. Na etimologia da palavra, “curare” significa cuidar. O termo é utilizado amplamente nas artes visuais. Para o professor e crítico de arte Roberto Teixeira Coelho (2012), originalmente designava o processo de organização e montagem da exposição pública de um conjunto de obras de um artista ou conjunto de artistas. Leia mais

Crítica Militante

A ambivalência entre o real e o ficcional é um dos motes para a encenação de Cena morta, da Persona Cia. de Teatro, de Florianópolis. Esse duplo lugar onde o que de início parecia ser recepção informal e o que é de fato encenado engendra um modo de ver que oscila entre o riso, a dúvida e o desconforto. Leia mais