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“Clara Carvalho"

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Crítica

Faces da obscuridade

5.9.2021  |  por Valmir Santos

Retinas saturadas pela exposição diante das telas de celular e computador desde meados de 2020, quando artistas cênicos do mundo todo passaram a transmitir seus trabalhos dentro das possibilidades da internet, espectadores chegam ao Teatro Aliança Francesa (SP) como que tateando as poltronas vermelhas, atravessando fileiras em busca do assento indicado no ingresso digital acessado através do smartphone. Os lugares estão espaçados. A luz de plateia é baixa, contrasta a penumbra espessa no palco a ser habitado daqui a pouco pelos atores. Há um pacto não declarado de reeducação do olhar e do sentir, de disponibilidade à experiência que virá. E quis o destino que a primeira montagem presencial do Grupo Tapa, no 18º mês da pandemia, com público reduzido a 52 pessoas, 22% da capacidade da sala, imbricasse arte e realidade com perícia. O espetáculo Um Picasso, direção de Eduardo Tolentino de Araujo para o texto do estadunidense Jeffrey Hatcher, de 2003, cita diversas obras do pintor sem exibi-las, tampouco projetá-las, num claro elogio à força fabular da descrição. Ao passo que também descostura os mecanismos estatais de ocultação e censura à expressão criativa sob regimes totalitários. Daí para a tropa política medieval que está no poder no país e menospreza a cultura, sempre sob a conveniente indiferença do mercado que assiste de camarote ao desastre social, não precisa muito esforço de associação.

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Crítica

Ao celebrar seus 40 anos de existência, o Tapa – uma das mais longevas companhias brasileiras – escolheu montar O jardim das cerejeiras. Para um grupo que alcançou a maioridade levando ao palco justamente a primeira obra de Anton Tchekhov, Ivanov, em 1998, é significativo que a comemoração seja marcada por essa que é a última e mais brilhante das peças do autor russo. Leia mais

Encontro com Espectadores

Dirigida por Guilherme Sant’Anna e Brian Penido Ross, a montagem de Uma peça por outra, do francês Jean Tardieu (1903-1995), uma crítica em chave lúdica e cômica aos limites da linguagem, integrou a 10ª edição do Encontro com o Espectador, ação do Teatrojornal que propõe um diálogo triangulado entre críticos, criadores e espectadores. Ocorrido no dia 29 de maio de 2017, no Ágora Teatro, em São Paulo, tendo Brian Penido Ross e a atriz Clara Carvalho no centro do debate, esse foi talvez o mais dinâmico dos encontros no que diz respeito à participação da plateia e à amplitude dos temas discutidos. Leia mais

Crítica

Toda arte performática se constitui como processo dinâmico entre entretenimento e eficácia. O argumento é de um dos mais reconhecidos teóricos contemporâneos da performance, o norte-americano Richard Schechner. De acordo com ele, essas duas forças impulsionam desde o rito tribal realizado em torno da colheita ou da guerra, passando pela cena engajada ou pela experimentação radical de linguagem até os musicais da Broadway.

Evidentemente o que se considera eficácia muda ao longo dos tempos e das vertentes. No entanto, ainda na visão de Schechner, em qualquer época, a arte teatral floresce quando essas forças estão presentes em igual medida. Pois é possível dizer que se deve ao equilíbrio entre tais polos a fruição prazerosa proporcionada pelo espetáculo Uma peça por outra, de Jean Tardieu (1903-1995), na montagem do Grupo DasDores de Teatro. Leia mais

Crítica

Os atores mais calejados do Grupo Tapa são reconhecidos pelo primado da fala. O espectador senta na última fila do teatro e não importa: a dicção traz o colorido firme da palavra para além do que ela imprime. Em As criadas, essa virtude desfila junto com uma acentuada expressão de matriz gestual que valoriza o subtexto. Não se trata do gesto consignado ao corpo – como na dança, no teatro-dança –, mas à atitude farejadora dos inconscientes culturais presentes no drama de Jean Genet (Les bonnes). Leia mais

Reportagem

Filho bastardo e adotado na infância, o francês Jean Genet (1910-1986) passou a juventude em reformatórios e prisões. Tais espaços de exclusão e respectivos ocupantes involuntários são matéria-prima de seus romances, peças e roteiros de cinema. Uma existência crua e poeticamente orientada pela perspectiva das margens social, sexual, política e econômica. Leia mais

Nota

Na noite de segunda-feira (24/11) a comissão de teatro da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) definiu os indicados pela temporada do segundo semestre na cidade de São Paulo. As montagens de Preto no branco, do O homem de la Mancha, produção do Sesi SP, receberam duas indicações cada uma. A lista abaixo relaciona todos os indicados de 2014, sendo os deste semestre grafados em negrito. Às categorias aqui anotadas serão somadas as do Grande Prêmio da Crítica e a do Prêmio Especial. A votação final acontecerá na segunda-feira que vem (1º/12), na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. Leia mais