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“Teatro Argentino"

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“Teatro Argentino"

Crítica

“O futuro dos museus está dentro de nossas próprias casas”, prognostica o escritor Orhan Pamuk, autor de O museu da inocência (2008). O romancista turco reivindica a escala humana para as instituições fixadas em narrativas nacionais, de Estado, em detrimento das experiências dos indivíduos que efetivamente a viveram. Ao escrever e dirigir o espetáculo Família museu (Familia museo, 2013), resultado de formação universitária em Buenos Aires, Ariel Zagarese fez uma delicada aproximação da premissa daquele Nobel de Literatura Leia mais

Crítica

O teatro é feito da falta e sua correspondente melancolia. É o que costuma dizer o diretor argentino Daniel Veronese, como na entrevista ao site Alternativa Teatral em 2005. Talvez seja por conta dessa concepção que dois dos seus espetáculos atualmente em cartaz em Buenos Aires falem de perdas irreparáveis, ausências que a vida não dará conta de preencher. Leia mais

Crítica

Na Argentina, o trânsito de diretores entre os circuitos comercial e independente não causa espanto. As concessões de um artista em busca de dinheiro são entendidas como um mal necessário para manter vivas as propostas experimentais e de pesquisa. Em muitos casos, essa mão dupla leva a um resultado bem sucedido. Em outros, desastroso. Leia mais

Crítica

Buenos Aires é a cidade com a maior concentração de psicólogos e psicanalistas no mundo: um profissional para cada 120 habitantes. Uma região ao redor da Plaza Güemes, no bairro Palermo, é conhecida como “Villa Freud”, devido à grande concentração de consultórios por lá. Há livros entre os mais vendidos, revistas especializadas em bancas de jornal e programas de televisão totalmente voltados ao tema. E não é raro encontrar nas ruas gente usando termos como “histeria”, “paranoia” e “complexo de Édipo”. E, sim, há sempre alguma peça em cartaz tratando de neuroses e obsessões. Leia mais

Reportagem

Crise econômica, sujeira nas ruas, turismo em baixa. Buenos Aires já não está tão atraente como no passado. Mas no teatro, a cidade ainda pode se gabar da fama de capital europeia na América do Sul. A produção continua efervescente e dinâmica. Na Avenida Corrientes, reduto dos espetáculos comerciais, as filas e aglomerações são constantes nas portas dos teatros. Em Abasto e arredores, proliferam produções independentes. Leia mais

Crítica

Quando exibido na Suécia, em 1973, Cenas de um casamento foi considerado culpado pelo aumento do número de separações no país. O filme de Ingmar Bergman, dividido em seis capítulos, foi estrelado por Liv Ullmann e não pôde concorrer ao Oscar por ter sido transmitido integralmente na televisão. Quarenta anos depois, é difícil imaginar que algum dos 4.524 espectadores que semanalmente têm lotado o Teatro Maipo, em Buenos Aires, associem a peça aos índices de divórcio. Leia mais

contracena

óias que nos fizeram chegar até aqui no mar da vida.V

 


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Valmir Santos

A narrativa é coalhada por planos de memória, de ficção e de documento. Cheiros, toques, cores, sonoridades, palavras, volumes e um amontoado de sentimentos que dão liga às histórias pessoais, coletivas e geracionais coladas num painel afetivo de cenas de gente a um só tempo comum e singular.

 

O espetáculo Acá estoy chico cuando era yo, do núcleo Teatro Autobiográfico y Colectivo, radicado em Tandil, na Argentina, atinge universalidade ao partilhar o foro pessoal de quatro atores e de sua diretora. Junta revelações ou fabulações de um grau ínfimo de separação entre aqueles que habitam o mundo e por acaso – ou não – tem seus caminhos entrecruzados.

 

Uma baleia em cima do telhado do galinheiro, uma tia ovelha negra na família, os hábitos e costumes enfiados goela abaixo na infância – quem não carrega essas passagens formadoras da infância que impregnam toda a vida?

 

A dramaturgia é feita dessa natureza umbilical em colaboração da diretora Gabriela González com os atores Paula Fernández, Christian Roig e Sergio Sansosti. Participa ainda uma quinta atriz no elenco, Belén Errendasoro, cuja trajetória também traz subsídios à investigação.

 

Esse revolver de lembranças particulares poderia colocar seus criadores na berlinda em tempos de culto à devassidão pública da intimidade na internet e na televisão. Ao contrário, o trabalho apruma sua teatralidade de forma engenhosa. Alterna solilóquios com diálogos em franca abertura para o caráter dialético tanto na fala de quem narra como no conteúdo do que é narrado.

 

São quatro figuras (não exatamente personagens), dois homens e duas mulheres levados por memórias ora vívidas ora desbotadas, como nos velhos retratos de família que repousam no fundo da gaveta. Entre a melancolia do passado e as primeiras descobertas do mundo – não menos doloridas e encantadoras -, imprime-se o espírito lúdico em atos adultos de evocação. Bailam sapos e brincadeiras num espaço cênico de signos abertos, televisores, microfones, baldes, areia e tudo o mais em sentido relacional permanente no que os objetos podem comunicar sobre as janelas do vivido.

 

A mediação do verbo falado e escrito, palavras e desenhos superpostos na lousa ao fundo tal qual o diário em que o adolescente, o adulto ou mesmo a criança plasmam seu olhar ensimesmado sobre a vida que se leva, tudo converge para uma leitura cúmplice dessas biografias colocadas em relevo por meio da arte do teatro. 

 

Do prisma individual dos protagonistas acessamos a dimensão global. Em suas constituições cênica e dramatúrgica, Acá estoy chico cuando era yo, que estreou em setembro de 2009constrói uma delicadeza ética na disponibilidade de trazer à luz verdades tão pungentes colocadas em perspectivas com as verdades que os espectadores do agora carregamos do lado de cá. Ocorre a identificação com os pequenos enredos de salvação, bóias que também lançamos para chegar até aqui no mar da vida – como comporta o imaginário infantil em sua revolução permanente com as licenças poéticas.

 

PS: Parte do conteúdo documental e ficcional do espetáculo do Teatro Autobiográfico y Colectivo está disponível na internet. Clique aqui.

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Dias após postar a crítica, encontrei em meio aos papéis do escritório a carta que a diretora Gabriela González distribuiu aos espectadores naquela noite em Tandil, 16 de abril de 2010. Reproduzo-a abaixo, no espanhol original, por entender um complemento importante: o ponto de vista dos criadores.

 

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Acá estoy chico cuando era yo.

Teatro autobiográfico y colectivo

Teatro La Fábrica, 21hs. Pinto 367.

 

Acá estoy chico cuando era yo es una prueba de escenificacion fuertemente basada en Io

autobiográfico. En términos de proceso podemos conscientemente reconocer la inspiración temática en la novela The little friend, de Donna Tart, estímulo que, a medida que la explorador transcurria, se fue alejando de la ficción narrativa de este libro para acercarse a Ias ficciones más íntimas de los actores. Es posible también encontrar, en términos escénicos y, probablemente, dramatúrgicos rastros del teatro del grupo inglês Forced Entertainment, especialmente de su espectáculo Bloody mess.

 

En términos de discursos los actores re-vivieron y reinventaron algunas de sus historias familiares más antiguas, aquellos discursos repetidos que los marcaron cuando todavia no lês preocupaba si serían “ciertos” o una simple fábula familiar. Procesualmente, un largo buceo por coincidências generacionales, diferencias regionales, gustos, dichos, rituales familiares (no tan familiares para los demás), y ante todo por esas palabras repetidas, esas historias escuchadas una y mil veces, aprendidas sin querer. Largo viaje interior que sale a la luz, todo junto, mezclado, cortado, superpuesto, como los recuerdos. Relatos, susurros, fotos y videos cuentan, y no nos dejan mentir (?)

 

Actúan Belén Errendasoro, Paula Fernández, Christian Roig y Sérgio Sansosti, convocados por la idea y dirección general de Gabriela González. Asisten con los artilugios técnicos Pehuén Guitérrez y Aiejandro índio Ramírez Llorens; en vestuário y objetos apuntala Alejandro Páez. Como todo queda en família, el vestuário fue realizado por la mano experta de Guillermo González y Nélida Salguero; el asesoramiento en dicción quedo a cargo de Hilda Cândia de Roig y Ias vocês en o ff fueron robadas, no siempre con consentimiento, a Juan Roig, Horacio Sansosti y Susana Roig. Jerónimo Ruiz supo captar la esencia yuxtapuesta y caótica dei recuerdo, y generar ios temas musicales que acompanan el recorrido de los actores durante el espectáculo. Los videos fueron realizados cuadro a cuadro por Sérgio Sansosti – actor pero también Ingeniero – tu  vo que poner todas sus dotes a prueba haciendo adernas la página web y el afiche de promoción. También Christian Roig uso sus conocimientos de Sistemas para crear el diseno de postales y la página en Facebook dei espectáculo.