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Publicações com a tag:

“Valmir Santos"

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“Valmir Santos"

Crítica

Mário Bortolotto comete alguns espetáculos surpreendentemente adoráveis. São 22h de domingo, última sessão do espetáculo e do Fringe naquela noite. Palquinho de um auditório escolar. A garrafa de uísque (cênico?) em punho. Enésima citação jocosa a um best-seller (sobrou para Paulo Coelho). Desprezo por uma banda ou cantor de época (dos aos 80, no caso). Adoração pelo blues e pelo rock na trilha, música na veia do também vocalista. A codependência das histórias em quadrinhos. O andar balangante (dessa vez pés no chão, o coturno ficou na coxia). E ainda assim, ou por tudo isso, o espectador afeito ao trabalho do Grupo Cemitério de Automóveis sai de Whisky e hambúrguer (título difícil de engolir) com a plena sensação de que o teatro acontece, aconteceu naquela uma hora. Leia mais

Crítica

O encontro de Antunes Filho com Thornton Wilder diz mais sobre o ícone da encenação brasileira, o homem e o artista embarcados em seis décadas de trabalho, do que propriamente os vetores estéticos que o orientaram por pelo menos dois anos de pesquisa e ensaio. Nossa cidade mostra um criador nu e íntegro com a sua cena, mentor de espetáculos antológicos e ora sem o encalço da angústia da inovação a cada passo. Os códigos-fonte estão emocionalmente abertos no tablado do Teatro Sesc Anchieta, independente dos enigmas que a obra encerra. Não há um grande ator ou atriz a ancorar o projeto, como se condicionou aludir ao método sistematizado ao longo dos anos. A horizontalidade e o perfil multigeracional dos protagonistas do Grupo de Teatro Macunaíma/Centro de Pesquisa Teatral o deixa mais exposto à própria condição humana de mestre que também confronta crises e estas o provocam a destilar arte. Leia mais

Reportagem

Os grupos Ser Tão Teatro, de João Pessoa, e Cia. Les Commediens Tropicales, de São Paulo, cobram cachês que o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto teria se comprometido a pagar por apresentações, ajuda de custo e atividade reflexiva durante a edição de 2012. A soma das duas dívidas é de R$ 9.300,00, desconsiderando-se correções. Leia mais

Crítica

Em seus intentos artísticos, políticos e reflexivos, a Mostra Internacional de Teatro, a MITsp, honrou os marcos lançados em sua primeira jornada de 11 dias e 11 espetáculos encerrada ontem. Restabeleceu o lugar de um evento desse porte na agenda cultural da cidade, fora da escala da indústria do entretenimento (em analogia ao Festival Internacional de Artes Cênicas, de Ruth Escobar, que cumpriu nove edições entre 1974 e 1999). Incitou o interesse do espectador pelo teatro de pesquisa. Sublinhou a mediação crítica em todos os quadrantes, por um espectador ativo. E abriu-se aos estudantes e docentes de artes cênicas na graduação e na pós, inclusive vindos de outras praças. Leia mais

Crítica

A criação da companhia uruguaia Pequeño Teatro de Morondanga resplandece o todo em cada uma de suas partes. Somos convidados a acionar o espírito lúdico e cotejar os mínimos detalhes com a disponibilidade de um ourives. Há um engenhoso paroxismo de unidade nos sujeitos, cenas, objetos e espaços descentrados de Bem-vindo à casa (2012), composição de dois espetáculos umbilicais que pedem para ser vistos em sequência, episódios um e dois, por plateias e em horários distintos, ainda que plantados no mesmo lugar. Unidade porque impressiona como tudo funciona, até os tempos mortos pulsam na gangorra entre o que é e o que assim nos parece ser. Leia mais

Crítica

A fisionomia do olhar

9.3.2014  |  por Valmir Santos

A face onisciente de Cristo no pé-direito do palco, do queixo aos fios de cabelo, justapõe as escalas do sagrado, do humano e do espaço cênico em Sobre o conceito de rosto no filho de Deus. A imagem de forte carga simbólica e de construção histórica evidente redundaria o título da obra não fosse ela mesma convertida em dispositivo seminal da companhia Socìetas Raffaello Sanzio. Seu diretor, Romeo Castellucci, enquadra apenas a cabeça em vez do gesto e parte do torso da pintura do renascentista Antonello da Messina que o inspira. O enigma dessa fisionomia estabelece um campo autônomo ao observador que para ela desviará em muitas passagens do espetáculo em busca de significações ou ressignificações talvez menos exasperantes do que aquela que enreda pai e filho. Em vão. Leia mais

Artigo

Faz 40 anos que a cidade de São Paulo abriga, com intermitência, encontros internacionais de teatro na acepção moderna que esses certames adquiriram no mapa-múndi após a Segunda Guerra (1939-1945). Vide os dois festivais estabelecidos em 1947 e tão paradigmáticos como diversos em seus formatos: o de Avignon, na França, e o de Edimburgo, na Escócia. Popularizar a arte teatral, interagir com outras manifestações-irmãs como a dança, a ópera, a música e as artes plásticas e abrir-se à cultura de outros países e continentes são algumas das premissas instigadoras. As mesmas que, em certa medida, moveram a atriz e empresária Ruth Escobar a promover, em 1974, o pioneiro Festival Internacional de Teatro em São Paulo, dois anos após Paris fixar o seu no calendário cultural, o Festival de Outono. Eram incomensuráveis os desafios de Escobar no país subdesenvolvido, de “terceiro mundo” e às voltas com o décimo aniversário da ditadura militar. Leia mais

Crítica

No Brasil, ser espectador é padecer – recordo-me desta frase de Bárbara Heliodora – e concordo com ela quando penso em várias pessoas que, apesar de possuírem algum carinho pelas artes cênicas (em geral por terem mantido contato com o teatro, na adolescência), confessam-se perdidas diante da programação dos palcos, tateando entre as ofertas. Leia mais

Crítica

Em Tribos (2010), sua terceira peça, a inglesa Nina Raine correlaciona linguagem e pensamento com solidez digna das narrativas do conterrâneo Oliver Sacks, biólogo e neurologista conhecido pelo talento literário aplicado aos relatos clínicos. A dramaturga, que surgiu na cena londrina há oito anos, transforma a surdez congênita ou adquirida em epicentro semântico dos conflitos de uma família em que o filho caçula cresce alfabetizado pela leitura labial em detrimento da língua de sinais. O resultado é um drama de excertos cômicos que combina arte, ciência e cidadania sem moralizar ou soar piegas. No que a montagem brasileira capta bem nas formas e ideias do diretor Ulysses Cruz e dos produtores e atores Antonio Fagundes e Bruno Fagundes. Leia mais

Reportagem

Início da década de 1970, Curitiba natal. Nos primeiros anos de vida a atriz e cantora Anna Toledo foi acalentada pelos principais sucessos da música popular brasileira por meio da performance ao vivo da avó Léa Vargas. Ela era uma apaixonada pelo canto e legou à neta sonoridade e ritmo para radicar os ofícios do palco, do microfone e do estúdio de gravação tal qual realmente vingou na vida. Uma das reminiscências dessa educação pelos ouvidos veio do cancioneiro de Lupicínio Rodrigues. Leia mais