Menu

Assine nossa newsletter

Crítica

Nesses tempos ruidosos em que múltiplas e contraditórias narrativas disputam a apreensão da chamada realidade e uma estetização generalizada parece capturar todos os campos da existência, perceptível desde o mais caseiro selfie ao noticiário dos telejornais, o excesso de ficção no espaço público pode ser um problema para a arte. O enfrentamento dessa questão move, no teatro, a valorização da cena documental e dos depoimentos pessoais ou ainda a aposta na presença do corpo como matéria expressiva da cultura nele es(ins)crita.

O risco dessa linha de criação, em todas as suas variações, é o de não se descolar do cotidiano, resultando em manifestação de linguagem com igual carga de brutalidade ou de trivialidade. Inserido na vertente documental, Hotel Mariana alcança densidade poética mesmo se elabora matéria colada à vida Leia mais

Reportagem

Se os museus brasileiros, locais destinados à preservação e pesquisa da História e da Cultura, não recebem a devida atenção, imagine a dificuldade das companhias de teatro para manter acervos de uma arte intrinsecamente associada ao efêmero. Na tentativa de dimensionar ao menos em parte o problema, o Teatrojornal entrevistou integrantes de alguns grupos brasileiros que além da lida cotidiana por recursos para a criação de espetáculos e sedes para a preparação de suas obras – processo que envolve investigação de temas, leituras, espaço físico para ensaios e experimentação com materiais, para pesquisa de figurinos, de luz e de sonoridades – têm de lidar também com a dificuldade de conservação de trajes, cenografia, objetos de cena e registros de memória tais como fotos, programas, publicações. Leia mais

Crítica

Colhida pulsante no tempo presente, a matéria de que é feita a peça Insones, com dramaturgia de Victor Nóvoa e direção de Kiko Marques, é apresentada ao espectador quase que ainda colada ao cotidiano mais prosaico e, ao mesmo tempo, tornada profundamente estranha. Não há fábula ou narrativa a ser seguida, apenas uma situação compartilhada: a reunião de quatro amigos, dois homens e duas mulheres, no curto período que antecede a passagem de ano. Juntos, eles fracassam fragorosamente a cada tentativa de instaurar a atmosfera de celebração, alegria e troca afetiva pedida pela ocasião. Leia mais

Crítica

Convite à liberdade

19.6.2018  |  por Beth Néspoli

A informação de que o elenco do Cabaret transperipatético, dirigido por Rodolfo García Vázquez, fundador d’Os Satyros, é inteiramente formado por performers não cisgêneros, ou seja, por pessoas cujas mentes e corpos não se enquadram no padrão binário homem/mulher, pode provocar recusa à priori naquela parcela de espectadores ainda arredia às questões de gênero. O espetáculo, porém, tem forte potencial para conquistar o público não afinado com o tema. Leia mais

Crítica

Hamlet é como uma esponja. Ele absorve imediatamente todos os problemas de nosso tempo. Tal afirmação, do polonês Jan Kott, ganha inusitada concretude na criação conjunta do diretor e dramaturgo suíço Boris Nikitin e do perfomer e músico eletrônico alemão Julian Meding intitulada Hamlet e apresentada na MITsp – Mostra Internacional de São Paulo. Nesse trabalho, o campo da luta política é o da normatividade social e sua incidência sobre os corpos. Leia mais

Crítica

Uma pergunta ressoa após a apresentação de Palmira: Seria possível aplicar na arte o princípio homeopático de que a substância que envenena também cura? O espetáculo da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo parte da destruição de monumentos arquitetônicos na cidade síria que dá título à obra. Pode-se moldar uma poética com a mesma matéria brutal que se pretende criticar? Leia mais

Crítica

Numa mesa de bar conversam Peixoto e Edgard: “Você está alto, eu estou alto, hora de rasgar o jogo, de tirar todas as máscaras: você é o que se chama de mau caráter?” São essas as primeiras palavras da peça Bonitinha, mas ordinária, de Nelson Rodrigues. Ao longo do diálogo a pergunta se desdobra: “Você quer subir na vida? É ambicioso? O que você faria para ficar rico?

É possível dizer que as mesmas indagações, em outros termos, detonam a ação da peça A visita da velha senhora, do suíço Friedrich Dürrenmatt (1921-1990), em cartaz no Teatro do Sesi-SP. Leia mais