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Reportagem

Para o sociólogo José de Souza Martins, “prestar atenção nos movimentos corporais de quem nos governa é um meio de compreender em tempo o que será o governo e de que tipo serão suas crises”. No caso do novo presidente, os idealizadores da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, estavam de olho no discurso das “arminhas” com as mãos desde a campanha eleitoral. As formas de violência subjacente em muitas promessas de campanha tornaram-se concretas nas primeiras e longas 11 semanas de gestão – serão 208 até 2022. Leia mais

Crítica

Em Nós (2016) e Outros (2018), desenvolvidos em parceria com o diretor Marcio Abreu, o Galpão problematizou a relação grupo-sujeito-sociedade com agudeza de espírito. Os espetáculos realçaram o caráter progressista da alteridade por meio do fenômeno artístico, atando consciências crítica e autocrítica como raramente se viu em seu repertório, ainda que sempre aberto a temas sociais e políticos. Leia mais

Artigo

A reedição da peça Rasga coração e a inédita adaptação cinematográfica de mesmo nome, dirigida por Jorge Furtado, transformaram o recesso teatral de fim/início de ano em oportunidade de acercamento ao último texto de Oduvaldo Vianna Filho para teatro. Livro e filme demonstram o quanto o drama tem a dizer à sociedade 44 anos depois de Vianinha, como era conhecido, concluí-lo a duras penas, num 23 de abril, mesmo dia da morte de Shakespeare no século XVII e a 85 dias de sua própria morte, em 16 de julho de 1974. Leia mais

Crítica

A equipe de criação de Ossada conhece bem a distância entre nascer e tornar-se mulher, construção sociocultural examinada por Simone de Beauvoir há 90 anos. O espetáculo não cita diretamente O segundo sexo, livro central na obra da filósofa francesa, mas fomenta o pensamento feminista buscando novos modos de enunciar a violência causada pela desigualdade de gênero, tão premente ontem como hoje. A atriz e diretora Ester Laccava e as desenhistas de luz e imagem Mirella Brandi e Aline Santini elaboram outros vocabulários para a cena a partir do cruzamento de sensações e sombras. Leia mais

Artigo

[Artigo publicado originalmente na Conjunto – revista de teatro latinoamericano, editada pela Casa de las Américas, de Cuba, nº 187, abril-junho 2018, pp. 19-23, traduzido para o castelhano por Vivian Martínez Tabares]

Arte por natureza efêmera, o teatro vive subvertendo os próprios desígnios ao não perecer graças à memória das mulheres e dos homens que lhe dão vida. Quando os pilares humanos de um espetáculo de meio século atrás são os mesmos a alicerçá-lo nos dias de hoje, esses artistas elevam sua criação à quinta-essência. A coragem reacendida no presente, em 2017, é feita da matéria dos sonhos de 1967, e vice-versa. É desse ponto de vista que observamos os entrelaçamentos do tempo histórico e do tempo cênico na remontagem da peça O rei da vela, de Oswald de Andrade (1890-1954), pela Companhia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Leia mais

Crítica

Estrangeiros às dores do povo chileno durante a ditadura militar, saímos pungidos da experiência de Villa, a peça de Guillermo Calderón montada por Diego Moschkovich. A empatia do espectador não decorre apenas da abordagem artística do material em torno do terrorismo de Estado. As entrelinhas gritam o avançado grau de discussão daquela sociedade sobre as sequelas do governo do general Pinochet (1973-1990). Leia mais

Crítica

Os espetáculos AI-5: a peça, concebido e dirigido por Paulo Maeda; Comum, com o Grupo Pandora de Teatro; e Roda morta, com a Cia. Teatro do Perverto conectam suas dramaturgias a episódios do período da ditadura civil-militar no Brasil. As variações de como os direitos foram sequestrados, assim como as delineações estéticas dos trabalhos, permitem constatar os perigos que rondam a democracia vigente e sabidamente imperfeita. Não custa lembrar que o restabelecimento desse sistema político aconteceu há 33 anos. Cada peça transmite a medida do tempo histórico e suas reverberações no presente. Leia mais

Crítica

Vozes encorpadas

5.10.2018  |  por Valmir Santos

O desinvestimento da vida em populações latino-americanas é um traço histórico a partir do qual artistas reagem feito um grito desengasgado. Elaboram poéticas do espanto diante de realidades brutais. Nos espetáculos Para não morrer e Há mais futuro que passado – um documentário de ficção, por exemplo, as estruturas de silenciamento e apagamento levam artistas, majoritariamente mulheres, a reavivarem as lutas e perspectivas daquelas que vieram antes e abriram caminhos até a contemporaneidade. Corpo e voz forjados para denunciar o machismo disseminado em sociedades patriarcais e colonizadas. Leia mais

Crítica

Santos – Antes da leitura crítica acerca do espetáculo La despedida (A despedida), um episódio testemunhado em Bogotá, cidade do grupo Mapa Teatro.

Meados de março de 2010, entrada do Teatro Fanny Mikey, em Bogotá. O público é revistado à porta por um militar fardado e armado. Os espectadores estão ali para assistir ao diretor estadunidense Bob Wilson atuando em A última gravação de Krapp. Leia mais

Reportagem

Dentre os significativos festivais internacionais pelo país, a maioria sob as rédeas da economicidade neste ano de 2018, alinhamos três deles que operam sob os sentidos de resistir e se reinventar. Dois acontecem neste setembro, o terceiro em outubro. Os eventos em Recife, Belo Horizonte e Londrina não são os únicos a colocar esses verbos em ação em algum momento de suas histórias. Aliás, integram o Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil composto de oito representantes. Leia mais