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Reportagem

Para o compositor Octavio Camargo, Curitiba tem uma tradição arcadista que remonta ao movimento simbolista encabeçado por Dario Velloso – e é dessa fonte, também preenchida por gente como Paulo Leminski, que ele bebe em seu projeto ilíadahomero. A partir de abril, ele e um grupo de 24 atores encenarão todos os cantos da Ilíada, em uma apresentação por mês, durante dois anos. O projeto tem o apoio do Teatro Guaíra e a intenção é realizar as récitas no Teatro Londrina, no Memorial de Curitiba. Leia mais

Nota

A próxima edição do FIT Rio Preto, de 21 a 30 de agosto, terá dez espetáculos internacionais entre as 44 obras consolidadas pela curadoria. Foram convidados núcleos de prestigiada trajetória, como o italiano Teatro Potlach, com Ventimilla leghe sotto i mari (adaptação do clássico de Júlio Verne, Vinte mil léguas submarinas; os ingleses do Gandini Juggling, com Smashed; os mexicanos do Lagartijas Tiradas al Sol, com El rumor del incêndio; e os chilenos do Teatro Cinema, com Historia de amor.

A programação inclui criadores pouco ou nada conhecidos entre nós, como os espanhóis do El Conde de Torrefiel, com La chica de la agencia de viajes nos dijo que había piscina en el apartamento, e o bailarino e coreógrafo argentino Pablo Rotemberg, com La idea fija.

O desafio da Prefeitura de São José do Rio Preto e do secretário da Cultura, Alexandre Costa, é afirmar a capacidade de autonomia do evento após o fim da parceria com o Sesc SP e manter a inquietude que o festival imprimiu nos últimos anos, independente da oscilação de uma edição ou outra.

'Las chicas...', do espanhol El Conde de TorrefielSem créditos

‘La chica de la agencia…’, do El Conde de Torrefiel

Fazem parte da curadoria a atriz e produtora Paula de Renor, do Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco, em Recife; o ator, diretor e produtor Cesar Augusto, da Companhia dos Atores e do Tempo Festival, do Rio de Janeiro; o diretor Antonio do Valle, de São Paulo; e o diretor e produtor Manoel Neves, do Grupo Teatral Riopretense, GTR.

Eis a relação de espetáculos oriundos de oito países e oito estados do Brasil:

Internacionais:

Ventimilla leghe sotto i mari – Teatro Potlach, Itália
Saxophonssimo – Misfits, França
Smashed – Gandini Jugling, Inglaterra
La chica de la agencia de viajes nos dijo que había piscina en el apartamento – El Conde de Torrefiel, Espanha
Bestiario – La Llave Maestra – Chile/Espanha
Sueños de gigante – La Gran Marcha de los Muñecones, Peru
Fuera – Maria Peligro, Argentina/Bélgica
La idea fija – Pablo Rotemberg, Argentina
Historia de amor – Teatro Cinema, Chile
El rumor del incendio – Lagartijas Tiradas Al Sol, México

Adulto nacional:

As estrelas cadentes do meu céu são feitas de bombas do inimigo – Cia.. Provisório Definitivo, São Paulo
Adágio – Artesanal Cia. de Teatro, Rio de Janeiro
As três irmãs – Traço Cia. de Teatro, Florianópolis
Uma história oficial – Cortejo Cia. de Teatro, Três Rios (RJ)
Calango deu! Os causos da dona Zaninha – Cia.. Caititu, Rio de Janeiro
Sinfonia sonho – Teatro Inominável, Rio de Janeiro
Cucaracha – Cia.. Teatro Independente, Rio de Janeiro
Sobre anjos & grilos – o universo de Mario Quintana – Companhia de Solos & Bem Acompanhados, Porto Alegre
Elefante – Probastica Cia. de Teatro, Rio de Janeiro
Esta criança [obra convidada] – Cia. Brasileira de Teatro, Curitiba

Diversidade:

Vampiras lésbicas de Sodoma – Treco Produções Cinematográficas Ltda., Rio de Janeiro
Joelma – Território Sirius Teatro, Salvador
BR-Trans, Coletivo Artístico As Travestidas, Fortaleza

Rua:

Na boca do Lixo – Cia.. Talagadá – Teatro de Formas Animadas, Itapira (SP)
Do fundo do mar – Cia.. Fios de Sombra, Campinas
Águas de l´avar – Teatro de la Plaza e Teatro por um Triz, São Paulo
Sandwalk with me – Improvável Produções, Rio de Janeiro
Dentro é lugar longe – Trupe Sinhá Zózima, São Paulo

Para criança:

O sapato que sabia andar – Mariza Basso Formas Animadas, Bauru
Meu pai é um homem pássaro – Cia.. Simples, São Paulo
Cocô de passarinho – Cia.. Noz de Teatro, Dança e Animação, São Paulo
Cabeça de vento – Pandorga Cia.. de Teatro, Rio de Janeiro
De Íris ao arco-íris – Produtores Independentes, Recife

São José do Rio Preto:

Pazsado – Uma fotografia – Jeff Telles
Veludinho – Cia.. Livre de Teatro
Plástico bolha – Cia. dos Pés
Cana.ã – Núcleo Arcênico de Criações
Condenada – G.A.L.
Por quê? – Cia. Cênica
O Tartufo – Cia. da Boca
Oroboro – Grupo Mon’onírico
Os meninos e as pedras – Cia. Girasonhos
Auto da anunciação – Cia. Cênica
Pequeno animal selvagem – Os Cogitadores

Reportagem

Os grupos Ser Tão Teatro, de João Pessoa, e Cia. Les Commediens Tropicales, de São Paulo, cobram cachês que o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto teria se comprometido a pagar por apresentações, ajuda de custo e atividade reflexiva durante a edição de 2012. A soma das duas dívidas é de R$ 9.300,00, desconsiderando-se correções. Leia mais

Crítica

A inquietação do personagem do Escritor, em Fogo-fátuo, texto de Samir Yazbek e Helio Cicero, interpretado pelos autores, não se refere apenas a voltar a produzir – uma crise o paralisa há algum tempo. Liga-se também, naturalmente, a desejar escrever obras que o justifiquem e que lhe permitam sobreviver à morte, ao tempo escasso, aos limites do corpo. Se não fosse assim, não haveria por que solicitar uma entrevista a Mefisto, o demônio, sempre ávido por almas íntegras. Leia mais

Nota

A exemplo do que já havia acontecido no Rio, o Prêmio Shell de São Paulo pulverizou as premiações e não elegeu um grande vencedor. Cantata para um bastidor de utopias mereceu dois troféus: melhor Cenário, para Rogério Tarifa, e melhor Música, por Jonathan Silva e William Guedes. Grande favorita da noite, Cais ou da indiferença das embarcações estava indicada em cinco categorias (autor, direção, ator, cenário, figurino e música). Levou apenas o prêmio de melhor autor, para Kiko Marques.

Houve também tom de crítica durante a cerimônia. Premiada como melhor atriz, Fernanda Azevedo, da peça Morro como um país – cenas sobre a violência do Estado, fez um protesto contra a petrolífera que patrocina o prêmio. Em seu discurso, ela relembrou um episódio de 1995, quando o gerente geral da Shell da Nigéria explicitou o apoio de sua empresa à ditadura militar no país: “para uma empresa comercial, que se propõe a realizar investimentos, é necessário um ambiente de estabilidade. As ditaduras oferecem isso”.

A atriz Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia.Sem créditos

A atriz Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia.

Chico Carvalho, de Ricardo III, foi considerado o melhor ator. O grupo Os Satyros foi agraciado na categoria inovação pela realização do evento Satyrianas.

Eva Wilma, que completou 60 anos de carreira, foi a homenageada especial da noite. Alguns dos momentos mais marcantes de sua trajetória foram lembrados pela apresentadora do evento, a atriz Renata Sorrah. Eva foi aplaudida de pé por vários minutos e se emocionou em seu discurso

O júri de São Paulo é formado por Alexandre Mate, Carlos Colabone, Marici Salomão, Mario Bolognesi e Renata Melo.

Renata Sorrah e Eva Wilma

Confira os vencedores do 26º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo:

Autor:

Kiko Marques por Cais ou da indiferença das embarcações

Direção:

Antunes Filho por Nossa cidade

Ator:

Chico Carvalho por Ricardo III

Atriz:

Fernanda Azevedo por Morro como um país – cenas sobre a violência de estado

Cenário:

Rogério Tarifa por Cantata para um bastidor de utopias

Figurino:

Miko Hashimoto por Operação trem-bala

Iluminação:

Fran Barros por Vestido de noiva

Música:

Jonathan Silva e William Guedes por Cantata para um bastidor de utopias

Categoria inovação:

Os Satyros pela projeção, permanência e abrangência do evento Satyrianas na condição de fenômeno histórico-artístico e social.

Crítica

O maior problema da MITsp foi o seu sucesso. Em sua primeira edição, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo surpreendeu a cidade e os organizadores com o imenso afluxo de público. Nos nove dias de programação, cerca de 14 mil pessoas acompanharam os espetáculos e as atividades paralelas. Mas um número muito maior do que esse acorreu às filas e ficou de fora. A espera por um espetáculo chegou a dez horas. E muitos não desistiam mesmo quando a chance de conseguir um lugar parecia ser mínima. Leia mais

Reportagem

Duas estrelas da música, um artista de grande esforço, uma política que marcou a história da Alemanha e um grupo de transformistas do Rio Grande do Sul e do Ceará tiveram suas vidas esmiuçadas em espetáculos que compõem a grade principal deste Festival de Teatro, que começa no próximo dia 26. A presença de personagens reais certamente é uma tendência nos palcos e ocupa um sétimo da Mostra Contemporânea do evento. Leia mais

Nota

O recente espetáculo de Robert Lepage, Playing cards, deverá ser visto no Brasil em outubro. Spades, que é a primeira parte de uma tetralogia baseada em cartas de baralho, merecerá montagem no Sesc Santo Amaro.

Um espaço da unidade deve ser adaptado para abrigar a produção, que não cabe em uma sala convencional de teatro. Lepage usa um palco giratório e apresenta a obra em 360º. Alçapões e plataformas também compõem a cenografia.

Quando estiver concluída, a tetralogia poderá ser assistida em conjunto e deve durar cerca de 12 horas. A primeira parte tem 3 horas de duração.

As peças se inspiram no mundo do jogo de cartas, assumindo suas regras, seus signos e sua mitologia.

Spades, que cumpriu temporada recentemente na Roundhouse, de Londres, trata de histórias entrelaçadas que acontecem em duas cidades desérticas: Las Vegas e Bagdá.

Em 2014, o festival Porto Alegre em Cena também tem planos de trazer um espetáculo de Lepage ao Brasil. Deve ser a versão diretor canadense para Hamlet.

Além de diretor teatral, Lepage é ator, roteirista e cineasta. Entre suas criações mais conhecidas estão Sete afluentes do rio Ota (montada em São Paulo sob condução de Monique Gardenberg) e Elsinore.

Reportagem

Cada palavra carrega em si uma determinada maneira de ver o mundo. Em japonês, o termo ‘komorebi’ serve para descrever o momento em que a luz do sol é filtrada pelas folhas. Para os alemães, ‘waldeinsamkeit’ é o modo preciso de se nomear o sentimento de solidão que uma pessoa experimenta quando está em contato com a natureza. Na Itália, ‘pentimento’ quer dizer arrependimento, mas é também o jeito de se falar da alteração em uma pintura. Aquela situação em que um quadro é restaurado e ficam evidentes seus rascunhos, mostrando que o artista mudou de ideia enquanto pintava. Leia mais

Crítica

Em seus intentos artísticos, políticos e reflexivos, a Mostra Internacional de Teatro, a MITsp, honrou os marcos lançados em sua primeira jornada de 11 dias e 11 espetáculos encerrada ontem. Restabeleceu o lugar de um evento desse porte na agenda cultural da cidade, fora da escala da indústria do entretenimento (em analogia ao Festival Internacional de Artes Cênicas, de Ruth Escobar, que cumpriu nove edições entre 1974 e 1999). Incitou o interesse do espectador pelo teatro de pesquisa. Sublinhou a mediação crítica em todos os quadrantes, por um espectador ativo. E abriu-se aos estudantes e docentes de artes cênicas na graduação e na pós, inclusive vindos de outras praças. Leia mais