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Publicações com a tag:

“Valmir Santos"

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Crítica

O solo Eu não dava praquilo se sobressai ao historiar a vida de Myrian Muniz (1931-2004) e, com ela, rememorar personalidades e situações indicativas da modernização do teatro brasileiro em seu período essencial de consolidação nas décadas 1960 e 1970.

Cassio Scapin, na atuação e coautoria do roteiro, e Elias Andreato, na direção, evitam os tons saudosista ou didático. Vão direto ao ponto: simplesmente dão passagem ao pensamento humanista e à arte que a atriz paulista tomava por sagrada. Leia mais

Crítica

Como dar corpo à meticulosa dramaturgia de subversões ao personagem, ao ator, ao narrador, ao diálogo, ao observador, ao título? Em Circo negro, tudo está em suspenso feito o pisar tenso do trapezista no arame de aço, sob o mar de olhos estupefatos a seus pés. Leia mais

Artigo

Cada um é a soma de signos e atos que carrega em seu mundo desde o primeiro respiro. A palavra, o gesto, o toque, o silêncio e o que as mulheres e os homens fazem deles dizem muito do indivíduo. Conforme Hannah Arendt, em A condição humana, “essa qualidade reveladora do discurso e da ação vem à tona quando as pessoas estão com outras, isto é, no simples gosto da convivência humana, e não ‘pró’ ou ‘contra’ as outras”. As personagens de Sueli Araujo não conseguem estar com ninguém nas peças aqui reunidas. Algumas tentam companhia, mas não vingam plenamente; já se bastam na luta para suportar a própria. São umbilicalmente deslocadas. Desassossegadas consigo, com o outro, com a casa, com a cidade. O anônimo, o vizinho e o consanguíneo são divisados desde a beira do fosso. Uma ponte pênsil imaginária estendida até o lado de lá regula minimamente os acenos, gritos, sussurros, risos, choros. Leia mais

Crítica

Com frequência, elas são vistas participando ou protagonizando montagens infantojuvenis. Quando contracenam com adultos, não raro roubam a cena. Mas a presença de crianças em Materia prima, na grafia em espanhol, é justamente a substância motriz do projeto singular da companhia La Tristura, de Madri, em turnê inédita pelo Brasil. Leia mais

Crítica

O corpo enquanto documento ganha contornos pungentes na obra do bailarino, ator e coreógrafo Panaibra Gabriel Canda. Ele transpira sua pátria e seus ancestrais em Tempo e espaço: os solos da marrabenta, uma experiência antiespetacular. A economicidade nos elementos de cena relativiza os pesos da mimese e da representação em favor de um manifesto em que o corpo é fala e música e estas o reverberam. Não apartando, naturalmente, o lugar e o coração de sua arte, Moçambique. Os horizontes histórico, político e social vão dar no entroncamento da galáxia corporal, a escala do humano. Leia mais

Crítica

Acostumado às adaptações teatrais em que Clarice Lispector é nublada por conceitos existencialistas ou, mais diretamente, violentada pela autoajuda, o público brasileiro depara com uma abordagem mais solar da sua obra na transposição cênica de alguns dos seus textos pelas mãos meticulosas do encenador e dramaturgo francês Bruno Bayen. Leia mais

Crítica

A obsessão é um traço comum aos grandes artistas. Em Fogo-fátuo, Samir Yazbek confessa a sua. Dono de projeto artístico centrado na condição de dramaturgo, ele lança – em coautoria com Helio Cicero – provocações aos pares do teatro e a todos que gravitam a arte e a cultura nos planos da criação, da produção e da recepção em tempos de hegemonia do entretenimento como fim e meio. Leia mais

Crítica

Em celebração a Uivo (Howl), poema épico de Allen Ginsberg e precursor da geração beat, a companhia parisiense La Ricotta imprime em cena o espírito da contracultura desabrochada em meados da década de 1950 e culminante no decênio seguinte. A performance de Douglas Rand, praticamente um dueto no acompanhamento incisivo do músico e compositor Jean-Damien Ratel, pode ser lida como um manifesto. Ou, precisamente, uma hagiografia declamada da geração inconformista que ousou roer com unha, dente e arte algumas estruturas da sociedade, a americana à frente. Leia mais

Crítica

A arte do teatro pensada com a cabeça no cinema é um axioma possível para adentrar o universo de Discurso do coração infartado. A parceria da atriz Silvana Stein com o diretor Ricardo Alves Jr. pipoca textos visuais, sonoros e corporais numa dramaturgia porosa esculpida em cena limpa, de poucos objetos e preponderância do vazio. A paisagem em preto e branco condiz com a alma cinzenta da figura do velho comediante enclausurado entre quatro paredes e ainda assim atravessado pelo mundo de fora que lhe captura os gestos, a fisionomia, a memória, o devaneio. Leia mais

Crítica

Em sua segunda sessão, ainda como trabalho em processo, Submersa expõe complexidades de conteúdo e abordagem dignos de nota. O solo em dança-teatro apresenta uma intérprete criadora segura, Maria Cloenes, quanto ao que deseja falar. A saber, evocar reminiscências das enchentes na infância. São episódios de calamidade que a marcaram por aprender, desde cedo, a contornar as instabilidades do existir, outrora causadas pelas águas das chuvas que faziam transbordar o rio vizinho e invadiam sua casa. Leia mais