15.7.2013 | por Valmir Santos
13.7.2013 | por Valmir Santos
A sequência de espetáculos que o grupo Timbre 4 cria desde meados da década passada tem como matéria-prima a convivência interpessoal sob o mesmo teto, a casa e o trabalho como espaços de intimidade. Microcosmos velados que o diretor e dramaturgo Claudio Tolcachir dá a ver para além do contexto argentino. Em Emilia, a família mal pisa a nova residência, ainda em mudança, quando o chão se abre e os engole sob o efeito de como cada um tem habitado suas vidas. Leia mais
12.7.2013 | por Valmir Santos
Em Galvarino, a verossimilhança é o norte. Quase tudo aconteceu como narrado e mostrado sob o ponto de vista da Compañía Teatro Kimen. Em cerca de um terço de espetáculo restitui-se por meio de texto, cenografia e atuações um realismo radical como há tempos não víamos em cena. Leia mais
11.7.2013 | por Valmir Santos
Em sua formulação documentária da cena, na década de 1960, o alemão Peter Weiss (1916-1982) evitava “qualquer invenção” ao se debruçar os fatos. Era compreensível pensar assim em tempos de abates vietnamitas e americanos. O autodenominado laboratório de artistas Mapa Teatro jamais conseguiria tocar a história colombiana recente sem lançar mão da inventividade. Prova disso é a explosiva abordagem da falida guerra às drogas em Discurso de un hombre decente (2012), tão cara, política e financeiramente, a Bogotá e Washington. Leia mais
6.7.2013 | por Valmir Santos
A condição do artista, sobretudo a do artista brasileiro que se conhece de causa, ziguezagueia da primeira à última cena em Os bem intencionados (2012). Jogo de cintura natural à linha de tempo de convivência por décadas equilibrando-se no ofício dos tablados, galpões e praças.
O Lume Teatro evita a autorreverência ou a expiação a essa altura dos 28 anos. Prefere cortar a carne da memória e fazer troça de si. Bom humor rimando com a instância do ator, régua absoluta em tudo que o grupo de Campinas cria. Leia mais
30.6.2013 | por Valmir Santos
Bertolt Brecht e Walter Benjamin sonhavam publicar uma revista que, infelizmente, não vingou. Entre o outono de 1930 e a primavera de 1931, eles articularam, junto a outros pensadores de sua geração, como o compatriota alemão Ernst Bloch e o húngaro Georg Lukács, uma publicação na qual “a inteligência burguesa tomasse para si as exigências e os conhecimentos que, nas atuais circunstâncias, só a ela seria permitida uma produção com caráter de intervenção, com consequências, ao contrário das habituais produções arbitrárias”[1], conforme Benjamin esboçara naqueles meses em que o nazismo ascendia. O projeto editorial de inquietação marxista jamais saiu do papel, mas tampouco foi ilusório. Se o momento histórico conspirou contra as condições para a então pré-batizada Krise und kritik, ao menos germinava a ideia de intelectuais e artistas fundar uma revista custeada por eles mesmos numa sondagem ao próprio trabalho e aos interesses de seu entorno social e político sem perder a capacidade de discernir. Leia mais
29.6.2013 | por Valmir Santos
Três anos separam o aparecimento de A gaivota da inauguração do Teatro de Arte de Moscou, no final do século XIX. Trata-se do hiato entre um dramaturgo renomado pela condição de contista, cioso de diretores que elevassem o realismo e a simplicidade à enésima potência, e uma companhia teatral inquieta por novas visões estéticas, filosóficas e poéticas para o ator. Do futuro em que escrevemos, o encontro de Tchékhov com a equipe de Stanislavski e Nemirovitch-Dantchenko – a montagem da peça seminal da companhia estreia em 1898 – transformou paradigmas que continuarão a ecoar amanhã adentro. Leia mais
28.6.2013 | por Valmir Santos
A crítica de teatro vive dias aflitivos no jornalismo cultural do país. E ela não está só, não é de agora. As razões são deveras sistêmicas. Passam pela fusão das redações com a web, pela clássica redução de espaço editorial, queda no número de assinantes e na receita publicitária, chegando até à obsolescência da educação nos dias de hoje, isso tudo para ficar na seara do jornal impresso. É doloroso constatar refluxo justo na fase em que a ascensão do teatro de grupo trouxe novo alento ao diálogo inventivo com o espectador e com a cidade. Leia mais
5.6.2013 | por Valmir Santos
O pensamento articulado baliza os 21 livros publicados até o ano passado e traduzidos em várias línguas, descontadas as dezenas de ensaios e entrevistas. A presença e a palavra de Eugenio Barba, 76 anos, despertam interesse não só dos que participamos da Odin Week Festival, em agosto de 2012. Mas de qualquer estudante ou profissional das artes cênicas que passou pelo século XX ou está a bordo do século XXI.
Seu carisma combina com uma tensão permanente, um periscópio atento a cada encontro. O colete meticuloso e as sandálias franciscanas, clássicos de seu guarda-roupa, corroboram certa mística em torno da arte e das ideias semeadas desde a formação do Odin Teatret, em 1964. Leia mais
1.6.2013 | por Valmir Santos
Roberta Carreri é a força motriz da jornada Odin Week Festival. Quando a atriz italiana concebeu a primeira edição do encontro, em 1989, a perspectiva pedagógica era clara: transmitir aos participantes conteúdos práticos e teóricos sobre o treinamento de ator. Aos poucos, as bases espraiaram-se pelos princípios individuais e coletivos dessa arte de natureza gregária. O que era uma semana de atividades se transformou, atualmente, em dez dias de imersão na cultura de teatro forjada pelos artistas da equipe, entre elenco, técnicos e administradores do Odin Teatret. Leia mais