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Publicações com a tag:

“Yara de Novaes"

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“Yara de Novaes"

Crítica

Três dias e meio antes de sua morte, vítima de parada cardíaca, a advogada Mércia Albuquerque Ferreira (1934-2003) fez a súmula da atuação profissional no último escrito: “Eu vi, vi o tempo passar, os jovens perdidos nas lutas pela cidadania, pela democracia, caírem mutilados, mortos, atapetando com sangue as ruas do Recife. Vi as lideranças presas, amordaçadas, assassinadas. A impunidade dominando, os homens de bem acuados. Não fiquei como a doce e romântica Carolina, de Chico Buarque de Holanda, que na janela não viu o tempo passar. Pulei a janela, levando minha caneta, e comecei a minha caminhada”.

O espetáclo Lady tempestade é nutrido da luta e da coragem dessa brasileira em celebrar a vitória da palavra humana com licença poética, a despeito dos corpos que, direta ou indiretamente, Mércia testemunhou desfigurados ou tombados sob o terror da ditadura civil-militar.

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ANOTA

São múltiplas as afinidades entre os campos da advocacia e do teatro. Dramaturgias de diferentes regiões do planeta abordam noções de moralidade, ética e justiça em processos envolvendo defensores que despontam ao lado de seus clientes e em meio a juízes, promotores e júri. Já a técnica de interpretação costuma ser veiculada em cursos livres como ferramenta para o desempenho profissional em tribunais. No caso do espetáculo Lady Tempestade, a filosofia de vida, a militância e a coragem do trabalho da advogada Mércia Albuquerque Ferreira (1934-2003) estruturaram o ofício de defensora de pessoas presas, torturadas e muitas assassinadas por fazerem oposição à ditadura civil-militar (1964-1985) em Pernambuco e outros estados vizinhos na esteira do golpe que depôs o presidente democraticamente eleito João Goulart (1919-1976).

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Crítica

Dueto para subversões

30.6.2023  |  por Valmir Santos

“Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam”. O neologismo “velhar”, por subentendido, salta das primeiras linhas do conto Fita verde no cabelo (Nova velha estória), de João Guimarães Rosa, de 1964, feito verbo a sugerir seres inertes diante da vida. Seres, por assim dizer, antípodas às personagens assalariadas, moradoras na periferia urbana e ora desempregadas em Mãos trêmulas, a peça em que a mulher que costura figurinos para teatro há 60 anos e o auxiliar de cozinha que exerceu a função por 50 anos são pródigos em nadar contra a maré. Coisa que a equipe de criação do espetáculo também o faz em termos de contrapés temporais e espaciais na narrativa e na encenação abertas ao insólito e ao cotidiano para falar de afetos transformadores profundos no encontro de sujeitos sociais atuados por Cleide Queiroz e Plínio Soares.

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Reportagem

Há 12 anos o grupo e ao mesmo tempo site Teatro Para Alguém desbravou terreno em torno da pesquisa, fusão e concreção da mídia digital em interface com as fontes tradicionais do teatro. À mediação oceânica com a qual o planeta das artes cênicas teve de se haver nas telas e transmissões via internet, no enfrentamento da pandemia do vírus SARS-CoV-2, o TPA desfruta de memória respeitável carregada pela experiência dos seus idealizadores, a diretora e atriz Renata Jesion e o diretor de fotografia Nelson Kao.

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Reportagem

“Um amontoado de perguntas”. Foi assim que Francisco Medeiros traduziu sua sensação por e-mail dois dias após a roda de conversa realizada no Teatro Cacilda Becker, em São Paulo. Em 25 de outubro de 2016 ele trocou ideias com as atrizes Eloisa Elena, Miriam Rinaldi e Yara de Novaes, mais o dramaturgo Alexandre Dal Farra e este jornalista a propósito das presenças, autonomias e transformações nos processos criativos que envolvem as artes da cena. À época, o diretor lidava com os ensaios de On love, do inglês Mick Gordon, que estreou em 2017, nova parceria com a Cia. Barracão Cultural, a mesma de Facas nas galinhas (2012), do escocês David Harrower.

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Encontro com Espectadores

O espetáculo Love, love, love (2017), do Grupo 3 de Teatro, motivou a 23ª edição do Encontro com o Espectador em 26 de agosto passado. As atrizes convidadas Débora Falabella e Yara de Novaes ressaltaram aspectos do processo criativo deste que é o segundo texto consecutivo em que atuam sob a assinatura do inglês Mike Bartlett, dessa vez ao lado de mais três atores: Augusto Madeira, Alexandre Cioletti e Mateus Monteiro. Leia mais

Crítica

Nós da alienação

26.8.2018  |  por Valmir Santos

O desengajamento aparente de uma obra de arte pode ser estratégico para potencializar consciência crítica. Isso é perceptível no espetáculo Love, love, love, com o Grupo 3 de Teatro, que incide sobre alienação intrafamiliar. Sujeitos vivendo sob o mesmo teto tornam-se estranhos uns aos outros, corroendo o caráter e causando estranhamento à própria natureza de cada um. Leia mais

Crítica

Em Curitiba

Artistas da montagem brasileira de A ira de narciso viram-se condicionados a inventar um nível de intimidade com o dramaturgo, o franco-uruguaio Sergio Blanco, sem jamais olhá-lo nos olhos nas etapas de pesquisa e ensaios – ele está radicado em Paris. Certa intimidade deveria ser atributo comum a qualquer meditação criativa a partir de dramaturgia alheia, seja o autor vivo ou morto, até para encorajar escolhas autônomas. Em dramaturgia própria cultiva-se o oposto, alguma margem de distanciamento. O ator Gilberto Gawronski e a diretora Yara de Novaes tourearam a trama Leia mais

Crítica

O que é felicidade para você? Para o anti-heroi de O capote, marco da literatura russa do século XIX escrito por Nikolai Gógol, é um sentimento primitivo, que antecede a formação da sociedade. Leia mais

Reportagem

A afinidade entre um intérprete e determinado personagem tem servido, ao longo dos anos, como motor de criação de incontáveis encenações. Há quem sonhe em ser Hamlet, Medeia, Édipo, Lady Macbeth. Leia mais