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Folha de S.Paulo

São Paulo, sábado, 03 de maio de 2008

TEATRO 

Em “Loucos por Amor”, Francisco Medeiros tenta fugir dos estereótipos do caubói
Em cartaz no Coletivo Fábrica, montagem de texto de Sam Shepard tem no elenco Umberto Magnani, que completa 40 anos de palco

Em “Loucos por Amor”, Francisco Medeiros tenta fugir dos estereótipos do caubói

Em cartaz no Coletivo Fábrica, montagem de texto de Sam Shepard tem no elenco Umberto Magnani, que completa 40 anos de palco 

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

O Oeste que conforma a base da dramaturgia do americano Sam Shepard, 64, surge de forma mais interiorizada que explícita na montagem de “Loucos por Amor” que Francisco Medeiros, 59, estreou ontem no Coletivo Fábrica, como diretor convidado do Grupo Já. 
 
A figura do caubói quarentão, machista, esmerado em pôr a espora na bota, em exibir o revólver, a habilidade com o laço e o trato com os cavalos -afetos freqüentemente inversos ao que destina à mulher pela qual é apaixonado- aparece sem essas convenções. Ele se aproxima mais do ser urbano. “Não dava para trazer o tipo caubói para cá. O country no Brasil é uma coisa maquiada, “fake”. Não teria sentido veicular essa imagem arquetípica”, diz Medeiros. Ainda assim, os personagens Eddie (interpretado por Charles Geraldi), caminhoneiro que transporta cavalos, e Velho (por Umberto Magnani), o ser espectral que pontua a história, não deixam de refletir a sociedade patriarcal, individualista e autoritária. 
 
Com tradução e adaptação de Alexandre Tenório, despontam os conflitos de Eddie e Mae (Rennata Airoldi), namorados que vão e vêm numa paixão de 15 anos. Em um quarto de hotel à beira de um deserto (mas poderia ser em um apartamento paulistano, sugere o diretor), a chegada de Martin (Paulo Almeida), aguardado por ela, precipita lembranças e revelações. 
 
No plano da fantasia, que dialoga o tempo todo com essa realidade do triângulo esboçado, a figura do Velho também constitui peça-chave no quebra-cabeça à disposição do espectador. “A atmosfera é de suspense hitchcockiano”, diz Medeiros. Com “Loucos por Amor”, Magnani completa 40 anos de palco. Ele estreou profissionalmente em “Esse Ovo É um Galo” (1968), de Lauro César Muniz, quando ainda estudava na Escola de Artes Dramáticas. 



Peça: Loucos por Amor 
Onde: teatro Coletivo Fábrica (r. da Consolação, 1.623, tel. 3255-5922) 
Quando: sex. e sáb., 21h30; dom., 20h 

Quanto: R$ 5 (promoção até 11/5) e R$ 20 (ao longo da temporada) 

 

Folha de S.Paulo

São Paulo, sexta-feira, 02 de maio de 2008

TEATRO 
Atriz fez pesquisa de campo para “Eu Quero Ver a Rainha” 

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

A atriz Fabiana Fonseca, 29, passou parte de 2005 convivendo com prostitutas do Jardim Itatinga, em Campinas. A pesquisa de campo sobre a sexualidade e o erotismo femininos é retratada no espetáculo solo “Eu Quero Ver a Rainha”, que veio à luz naquele mesmo bairro, em 2006, e estréia hoje no Espaço dos Satyros 2.
O título é homônimo da letra de Jorge Ben Jor e, também, citação à figura da pombajira na umbanda. Fonseca diz ter consciência do quão complexo é focar o corpo da mulher no âmbito das profissionais do sexo, aferir desejos, medos, dores e prazeres.
“Foi um mergulho intenso, pesado, pleno em contradições que mexem com o íntimo. Sei que a criação artística reflete apenas parte daquele universo, em que também encontrei muito de mim.”
A “rainha” surge inicialmente como caricatura da garota dona de si, desbocada e na defensiva. Aos poucos, expõe histórias, feridas físicas e emocionais, até dar lugar à mulher comum, como tantas em que Fonseca viu refletir a si mesma na fala, no jeito de se vestir, na ilusão do grande amor.
Ela é acostumada a traduzir realidades marginalizadas por meio de técnicas como “mimese corpórea” (imitação) e Teatro do Oprimido (Augusto Boal). Atuou nos grupos Matula e Boa Cia. O solo a enredou por iniciativas sociais junto a associações de prostitutas.
No final do mês, organizará debate nos Satyros e, em junho, desfile da grife carioca Daspu na praça Roosevelt.
EU QUERO VER A RAINHA
Onde: Espaço dos Satyros 2 (pça. Franklin Roosevelt, 134, tel. 0/xx/11/ 3258-6345)
Quando: sex. e sáb., à 0h. Até 28/6
Quanto: R$ 5 a R$ 20

A atriz Fabiana Fonseca, 29, passou parte de 2005 convivendo com prostitutas do Jardim Itatinga, em Campinas. A pesquisa de campo sobre a sexualidade e o erotismo femininos é retratada no espetáculo solo “Eu Quero Ver a Rainha”, que veio à luz naquele mesmo bairro, em 2006, e estréia hoje no Espaço dos Satyros 2.

O título é homônimo da letra de Jorge Ben Jor e, também, citação à figura da pombajira na umbanda. Fonseca diz ter consciência do quão complexo é focar o corpo da mulher no âmbito das profissionais do sexo, aferir desejos, medos, dores e prazeres.

“Foi um mergulho intenso, pesado, pleno em contradições que mexem com o íntimo. Sei que a criação artística reflete apenas parte daquele universo, em que também encontrei muito de mim.

“A “rainha” surge inicialmente como caricatura da garota dona de si, desbocada e na defensiva. Aos poucos, expõe histórias, feridas físicas e emocionais, até dar lugar à mulher comum, como tantas em que Fonseca viu refletir a si mesma na fala, no jeito de se vestir, na ilusão do grande amor. 

Ela é acostumada a traduzir realidades marginalizadas por meio de técnicas como “mimese corpórea” (imitação) e Teatro do Oprimido (Augusto Boal). Atuou nos grupos Matula e Boa Cia. O solo a enredou por iniciativas sociais junto a associações de prostitutas. 

No final do mês, organizará debate nos Satyros e, em junho, desfile da grife carioca Daspu na praça Roosevelt. 



Peça: Eu quero ver a Rainha
Onde: Espaço dos Satyros 2 (pça. Franklin Roosevelt, 134, tel. 0/xx/11/ 3258-6345) 
Quando: sex. e sáb., à 0h. Até 28/6 
Quanto: R$ 5 a R$ 20

Folha de S.Paulo

São Paulo, quinta-feira, 01 de maio de 2008

TEATRO 

Reencontro de triângulo amoroso é tema de “Tape”, de Belber, que estréia amanhã
Espetáculo que entra em cartaz no teatro Sérgio Cardoso põe três amigos de colégio num quarto de hotel passando histórias a limpo

Reencontro de triângulo amoroso é tema de “Tape”, de Belber, que estréia amanhã

Espetáculo que entra em cartaz no teatro Sérgio Cardoso põe três amigos de colégio num quarto de hotel passando histórias a limpo 

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Um mal-ajambrado triângulo amoroso de dez anos atrás implode de vez no reencontro de dois rapazes e uma garota que se conheceram no colegial. 
 
Encerrados no quarto de um hotel, eles passam a limpo as mágoas juvenis que, sobretudo nos homens, deixaram um travo na garganta. 
 
“A peça fala de amigos magoados”, diz o diretor Mário Bortolotto, 45. Magoados porque Vince namorou com a moça, mas foi Jon quem transou com ela, como está amarrado em “Tape”, do americano Stephen Belber, produção independente (leia-se sem patrocínio ou prêmios) que a Cia. Provisório-Definitivo estréia amanhã, no teatro Sérgio Cardoso. Jon virou cineasta. Vince, traficante. E Amy, o vértice amoroso, advogada. Ela surge da metade em diante, quando Vince já “pegou pesado” com a cocaína e com o ardil que arma para o “muy amigo”, convencendo Jon de que aquele sexo “selvagem” com Amy na verdade foi um “estupro”. Às agressões física e verbal, misturam-se culpas e hipocrisias nem sempre sinceras. 
 
Até que Amy bate à porta do quarto, conforme a bem bolada articulação de Vince, que tomou o cuidado ainda de gravar toda a lábia confessional de Jon sobre remorsos do passado. A fita cassete, convertida a “prova do crime”, expõe ainda mais o ridículo a que os homens estão se submetendo. 
 
“Quando a mina entra na parada, ela arrebenta com os dois. Eu entendo o sentimento egoísta deles”, diz Bortolotto. 

Identificação com Belber
Diretor convidado, ele identificou-se com a dramaturgia de Belber, de frases curtas, de não-julgamento dos personagens. A tônica é do seu grupo, o Cemitério de Automóveis, já que também adaptou o texto e assina desenho de luz e trilha. 
“A inversão de papéis nos chamou a atenção: o mocinho que tem lá o seu lado obscuro e o sujeito aparentemente obscuro que mostra seu lado ingênuo”, diz o ator Pedro Guilherme, 27, que contracena com Marcelo Selingardi (Vince) e Carolina Fauquemont (Amy). 
 
Quem sugeriu a montagem de “Tape” foi o ator Henrique Stroeter, dos Parlapatões, que assistiu à versão para o cinema da peça de Belber (de 1964), sob roteiro do próprio, pelo diretor Richard Linklater, em 2001, com Ethan Hawke e Uma Thurman no elenco. 
 
A Cia. Provisório-Definitivo foi criada em 2001 e costuma trabalhar com textos realistas nas produções para o público adulto. Entre os espetáculos, estão “Verdades, Canalhas”, de Mário Viana, “O Colecionador”, de John Fowles, “Bulgóia, Repenique & Tropeço”, de Hugo Possolo e Arnaldo Soveral, e “Todo Bicho Tudo Pode Sendo o Bicho que se É”, de Pedro Guilherme. 



Peça: Tape
Onde: teatro Sérgio Cardoso -sala Paschoal Carlos Magno (r. Rui Barbosa, 153, tel. 3288-0136) 
Quando: estréia amanhã; sex. e sáb., às 21h30, e dom., às 20h; até 29/6 
Quanto: R$ 10 a R$ 20 

Folha de S.Paulo

São Paulo, quarta-feira, 30 de abril de 2008

TEATRO 
Companhia La Mínima estréia amanhã outra peça baseada em quadrinhos

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local

Clown noir? Atmosfera de suspense cinematográfico? Resgate de um nariz mutilado? Não causa espanto se se está falando da Companhia La Mínima, projeto de circo dos mais sólidos no teatro brasileiro.
A dupla Domingos Montagner, 46, e Fernando Sampaio, 43, a mesma que costura em paralelo o Circo Zanni (2004), volta ao universo de Laerte, cartunista da Folha. O espetáculo “A Noite dos Palhaços Mudos” entra em cartaz amanhã no Espaço Parlapatões.
Depois da premiada montagem de “Piratas do Tietê – O Filme” (2003), chegou a vez de adaptar a história em quadrinhos homônima que Laerte publicou pela primeira vez em 1987, na “Circo”. O clima é sombrio, digno de narrativa policial: dois palhaços empenhados em resgatar um terceiro, capturado por sujeitos que se dizem “próceres da sociedade” dispostos a exterminar a “praga” (a HQ está disponível em www.laerte.com.br).
No roteiro co-adaptado com o diretor convidado Alvaro Assad (Centro Teatral e Etc e Tal, do Rio), o que está em resgate é um nariz de palhaço mutilado.
Sem palavras, ancorando o humor físico, a dupla penetra em uma sociedade secreta. A missão inclui driblar a intolerância com truques e brincadeiras, até empreender uma fuga.
Os vilões institucionais são vividos pelo ator Fabio Espósito, que já trabalhara em “Piratas do Tietê”. Diminui a ênfase na figura da dupla clássica de palhaços (o “augusto” espevitado de Sampaio versus o “branco” austero de Montagner) a favor da dramaticidade que a história pede. Mas eles são os condutores da peça, misturando real e fantasia.
Quer no palco italiano (“À La Carte”, 2001), na rua (“Luna Parke”, 2002) ou nos esquetes de acrobacia (“La Mínima Cia. de Ballet”, 1997, gênese da companhia), Montagner e Sampaio acumulam uma linguagem que não desdenha a tradição. “A gente costuma repetir a velha frase sobre a serragem na veia injetada por mestres como o Roger [Avanzi, o Picolino 2]”, diz Sampaio.
A NOITE DOS PALHAÇOS MUDOS
Quando: estréia amanhã, às 21h; qui., às 21h; até 29/5
Onde: Espaço Parlapatões (pça. Franklin Roosevelt, 158, tel. 3258-4449)
Quanto: R$ 20

Clown noir? Atmosfera de suspense cinematográfico? Resgate de um nariz mutilado? Não causa espanto se se está falando da Companhia La Mínima, projeto de circo dos mais sólidos no teatro brasileiro.

A dupla Domingos Montagner, 46, e Fernando Sampaio, 43, a mesma que costura em paralelo o Circo Zanni (2004), volta ao universo de Laerte, cartunista da Folha. O espetáculo “A Noite dos Palhaços Mudos” entra em cartaz amanhã no Espaço Parlapatões. 

Depois da premiada montagem de “Piratas do Tietê – O Filme” (2003), chegou a vez de adaptar a história em quadrinhos homônima que Laerte publicou pela primeira vez em 1987, na “Circo”. O clima é sombrio, digno de narrativa policial: dois palhaços empenhados em resgatar um terceiro, capturado por sujeitos que se dizem “próceres da sociedade” dispostos a exterminar a “praga” (a HQ está disponível em www.laerte.com.br).

No roteiro co-adaptado com o diretor convidado Alvaro Assad (Centro Teatral e Etc e Tal, do Rio), o que está em resgate é um nariz de palhaço mutilado.

Sem palavras, ancorando o humor físico, a dupla penetra em uma sociedade secreta. A missão inclui driblar a intolerância com truques e brincadeiras, até empreender uma fuga. 

Os vilões institucionais são vividos pelo ator Fabio Espósito, que já trabalhara em “Piratas do Tietê”. Diminui a ênfase na figura da dupla clássica de palhaços (o “augusto” espevitado de Sampaio versus o “branco” austero de Montagner) a favor da dramaticidade que a história pede. Mas eles são os condutores da peça, misturando real e fantasia. 

Quer no palco italiano (“À La Carte”, 2001), na rua (“Luna Parke”, 2002) ou nos esquetes de acrobacia (“La Mínima Cia. de Ballet”, 1997, gênese da companhia), Montagner e Sampaio acumulam uma linguagem que não desdenha a tradição. “A gente costuma repetir a velha frase sobre a serragem na veia injetada por mestres como o Roger [Avanzi, o Picolino 2]”, diz Sampaio. 



Peça: A noite dos Palhaços mudo
Quando: estréia amanhã, às 21h; qui., às 21h; até 29/5 
Onde: Espaço Parlapatões (pça. Franklin Roosevelt, 158, tel. 3258-4449) 
Quanto: R$ 20 

Folha de S.Paulo

São Paulo, terça-feira, 29 de abril de 2008

TEATRO 
Dirigido por Cacá Rosset, grupo monta terceiro Shakespeare, “A Megera Domada”, e celebra em livro a irreverência de três décadas 

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Maio de 1977. Antunes Filho arquiteta “Macunaíma” para o ano seguinte. José Celso Martinez Corrêa ziguezagueia no exílio entre Portugal e Moçambique, prestes a retornar. Em meio à ditadura militar (1964-85), o termo porão ganha outros contornos nas mãos da atriz e professora Maria Alice Vergueiro e de seus pupilos Luiz Roberto Galizia e Cacá Rosset, da Escola de Comunicações e Artes da USP.
O trio dá o que falar em “Os Mais Fortes”, espetáculo levado a um espaço improvisado do teatro Oficina, no Bexiga. É ali que o público lota sessões alternativas, inclusive à meia-noite.
O boca-a-boca é movido pela irreverência com a qual a criação coletiva trata os textos curtos do sueco August Strindberg, um embate de forças (ou de cérebros) sob a ótica darwiniana da sobrevivência da espécie.
E depois veio Brecht, contundência sócio-política lida em chave cômica. E depois vieram Molière, Shakespeare e Alfred Jarry, para citar clássicos que ajudaram o Teatro do Ornitorrinco a inscrever seu nome na história do teatro no país.
O grupo desenvolveu uma linguagem que funde circo, dança, teatro, música e o ímpeto desenfreado pela iconoclastia. Os mesmos ingredientes que a crítica percebe manejados sem a consistência de antes em produções de 1998 para cá (“O Avarento”, “Scapino” e “O Marido Vai à Caça!”).
“Megera”
Agora, quase 31 anos depois, o Ornitorrinco volta à carga com um novo Shakespeare, “A Megera Domada”, que estréia dia 30/5 no teatro Sérgio Cardoso. É a terceira visita à obra do dramaturgo inglês. A projeção internacional do grupo veio justamente em “Sonho de uma Noite de Verão” (1992). As fadinhas seminuas chamaram a atenção de público e crítica nas apresentações ao ar livre no Delacorte Theatre do Central Park, em Nova York.
As três décadas serão lembradas ainda com o lançamento, em junho, de “Teatro do Ornitorrinco – Para Vosso Prazer, para Vosso Deleite e para Vossa Diversão!” (Imprensa Oficial, 336 págs., preço a definir). O livro autobiográfico terá depoimentos e imagens de quem atravessou o grupo ou segue vinculado à sua história. O texto é de Guy Corrêa, com projeto gráfico de Victor Nosek, capa de Angeli e coordenação editorial de Christiane Tricerri.
Em “Megera Domada”, é ela, Tricerri, 46, ligada ao grupo desde 1985, quem interpreta Catarina, a mulher que não aceita ser subjugada por ninguém e que tenta resistir aos galanteios do brutamontes Petrucchio (Rosset). A irmã da protagonista, Bianca (Maureen Miranda), também entra na torcida para que se casem logo, já que só assim poderá ser liberada a um pretendente, como condiciona o pai.
Lutar é verbo-motriz nessa comédia, prato cheio para a ação física que o Ornitorrinco aprecia acentuar. “Há uma passagem entre Petrucchio e Catarina toda pontuada por golpes, com voadoras e tudo”, afirma Rosset, 54, também o diretor.
Segundo Tricerri, o espetáculo reforça a metalinguagem do prólogo, muitas vezes visto de soslaio. Shakespeare inverte os papéis de um funileiro bêbado e de um lorde. Paramentados no palácio, é a eles que uma trupe de atores apresenta a peça dentro da peça.
São 24 artistas no palco, músicos incluídos. Parte do elenco esteve em produções anteriores, caso de Eduardo Silva, William Amaral, Rubens Caribé, Guilherme Freitas e Anderson Faganello. Direção de arte e figurinos são de José Anchieta.
Ubu governador
Rosset considera “Ubu – Folias Physicas, Pataphysicas e Musicaes” (1985) a montagem mais bem-sucedida no currículo. Foi vista por cerca de 350 mil pessoas em dois anos e três meses em cartaz. Resultou uma colagem de textos da obra do francês Alfred Jarry em torno do rei que usurpa o trono em um lugar imaginário. Imprimia frenético vaivém em meio a malabares, engolidores de fogo, trapézios e banda ao vivo, para deleite do público jovem.
A “patafísica”, ou “ciência das soluções imaginárias”, colou de tal modo que invadiu a realidade: Rosset encarnou pai Ubu em happening, a ponto de o Tribunal Regional Eleitoral protocolar sua candidatura sob o slogan “Horror por horror, Ubu governador”.
“Hoje, o Ornitorrinco é mais um estado de espírito do que um grupo. Somos pessoas com afinidades, que reciprocamente se escolhem”, diz Rosset.
Em suas diferentes fases e faces, foi cepa de comediantes como Rosi Campos, José Rubens Chachá, Ary França, Norival Rizzo e cantores como Cida Moreira, Edson Cordeiro e Elba Ramalho. Sem contar a influência em projetos como Circo-Escola Picadeiro, Parlapatões e Acrobático Fratelli.

Maio de 1977. Antunes Filho arquiteta “Macunaíma” para o ano seguinte. José Celso Martinez Corrêa ziguezagueia no exílio entre Portugal e Moçambique, prestes a retornar. Em meio à ditadura militar (1964-85), o termo porão ganha outros contornos nas mãos da atriz e professora Maria Alice Vergueiro e de seus pupilos Luiz Roberto Galizia e Cacá Rosset, da Escola de Comunicações e Artes da USP.

O trio dá o que falar em “Os Mais Fortes”, espetáculo levado a um espaço improvisado do teatro Oficina, no Bexiga. É ali que o público lota sessões alternativas, inclusive à meia-noite.O boca-a-boca é movido pela irreverência com a qual a criação coletiva trata os textos curtos do sueco August Strindberg, um embate de forças (ou de cérebros) sob a ótica darwiniana da sobrevivência da espécie.

E depois veio Brecht, contundência sócio-política lida em chave cômica. E depois vieram Molière, Shakespeare e Alfred Jarry, para citar clássicos que ajudaram o Teatro do Ornitorrinco a inscrever seu nome na história do teatro no país.

O grupo desenvolveu uma linguagem que funde circo, dança, teatro, música e o ímpeto desenfreado pela iconoclastia. Os mesmos ingredientes que a crítica percebe manejados sem a consistência de antes em produções de 1998 para cá (“O Avarento”, “Scapino” e “O Marido Vai à Caça!”).

“Megera”
Agora, quase 31 anos depois, o Ornitorrinco volta à carga com um novo Shakespeare, “A Megera Domada”, que estréia dia 30/5 no teatro Sérgio Cardoso. É a terceira visita à obra do dramaturgo inglês. A projeção internacional do grupo veio justamente em “Sonho de uma Noite de Verão” (1992). As fadinhas seminuas chamaram a atenção de público e crítica nas apresentações ao ar livre no Delacorte Theatre do Central Park, em Nova York.

As três décadas serão lembradas ainda com o lançamento, em junho, de “Teatro do Ornitorrinco – Para Vosso Prazer, para Vosso Deleite e para Vossa Diversão!” (Imprensa Oficial, 336 págs., preço a definir). O livro autobiográfico terá depoimentos e imagens de quem atravessou o grupo ou segue vinculado à sua história. O texto é de Guy Corrêa, com projeto gráfico de Victor Nosek, capa de Angeli e coordenação editorial de Christiane Tricerri.

Em “Megera Domada”, é ela, Tricerri, 46, ligada ao grupo desde 1985, quem interpreta Catarina, a mulher que não aceita ser subjugada por ninguém e que tenta resistir aos galanteios do brutamontes Petrucchio (Rosset). A irmã da protagonista, Bianca (Maureen Miranda), também entra na torcida para que se casem logo, já que só assim poderá ser liberada a um pretendente, como condiciona o pai.

Lutar é verbo-motriz nessa comédia, prato cheio para a ação física que o Ornitorrinco aprecia acentuar. “Há uma passagem entre Petrucchio e Catarina toda pontuada por golpes, com voadoras e tudo”, afirma Rosset, 54, também o diretor.Segundo Tricerri, o espetáculo reforça a metalinguagem do prólogo, muitas vezes visto de soslaio. Shakespeare inverte os papéis de um funileiro bêbado e de um lorde. Paramentados no palácio, é a eles que uma trupe de atores apresenta a peça dentro da peça.

São 24 artistas no palco, músicos incluídos. Parte do elenco esteve em produções anteriores, caso de Eduardo Silva, William Amaral, Rubens Caribé, Guilherme Freitas e Anderson Faganello. Direção de arte e figurinos são de José Anchieta.

Ubu governador
Rosset considera “Ubu – Folias Physicas, Pataphysicas e Musicaes” (1985) a montagem mais bem-sucedida no currículo. Foi vista por cerca de 350 mil pessoas em dois anos e três meses em cartaz. Resultou uma colagem de textos da obra do francês Alfred Jarry em torno do rei que usurpa o trono em um lugar imaginário. Imprimia frenético vaivém em meio a malabares, engolidores de fogo, trapézios e banda ao vivo, para deleite do público jovem.A “patafísica”, ou “ciência das soluções imaginárias”, colou de tal modo que invadiu a realidade: Rosset encarnou pai Ubu em happening, a ponto de o Tribunal Regional Eleitoral protocolar sua candidatura sob o slogan “Horror por horror, Ubu governador”.”Hoje, o Ornitorrinco é mais um estado de espírito do que um grupo. Somos pessoas com afinidades, que reciprocamente se escolhem”, diz Rosset.

Em suas diferentes fases e faces, foi cepa de comediantes como Rosi Campos, José Rubens Chachá, Ary França, Norival Rizzo e cantores como Cida Moreira, Edson Cordeiro e Elba Ramalho. Sem contar a influência em projetos como Circo-Escola Picadeiro, Parlapatões e Acrobático Fratelli. 

Folha de S.Paulo

São Paulo, segunda-feira, 28 de abril de 2008

TEATRO 

Para a companhia Générik Vapeur, polícia impediu encenação; PM diz que houve “sugestão em comum acordo’
O secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, admitiu que a polícia tomou um “susto” e disse que a ferida de 2007 ainda está aberta

Para a companhia Générik Vapeur, polícia impediu encenação; PM diz que houve “sugestão em comum acordo’

O secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, admitiu que a polícia tomou um “susto” e disse que a ferida de 2007 ainda está aberta 

VALMIR SANTOS
Da Reportagem Local 

Uma das atrações de artes cênicas mais aguardadas na Virada, a companhia francesa de teatro de rua Générik Vapeur teve cancelada a segunda apresentação de “Bivouac” (prevista para as 3h30 de ontem). Para os franceses, a Polícia Militar impediu a encenação. De acordo com a polícia, houve uma “sugestão em comum acordo”.
 
Segundo o adido cultural da França em São Paulo, Philipe Ariagno, a PM implicou com a atuação do grupo, que atraiu centenas de espectadores na primeira sessão, às 21h30 de sábado. A apresentação alternou instantes de correria e concentração, em meio a efeitos de fogos de artifício, gelo seco e o agito da música tocada ao vivo. Os atores do grupo criavam uma espécie de coreografia com a multidão, ora erguendo latões, ora arrastando-os.
 
A outra sessão foi adiada, segundo o setor de comunicação da PM, porque havia receio de que alguém se machucasse. “O coronel sugeriu, em comum acordo com a organização, que não repetissem toda a performance em deslocamento porque, naquele momento, a concentração era muito grande”, disse ontem, por telefone, a coronel Maria Aparecida de Carvalho Yamamoto, da Comunicação Social da PM. “Foi só uma sugestão. Em nenhum momento a PM impediu.”
 
“Não dimensionamos bem a quantidade de gente e de carros [estacionados] no percurso. Quando acabou [a primeira sessão], imediatamente fui advertido [pela PM] de que teríamos de fazer modificações”, disse o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil.
 
A Folha apurou que o que mais incomodou o comando da PM foi a cena final, quando uma pirâmide de 102 latões foi derrubada e, por trás dela, surgiu um carro demolido, cuja pintura e a grafia “police” remetiam às viaturas de filmes hollywoodianos. Segundo Ariagno, a PM condicionou a segunda sessão à retirada da alusão à viatura e à execução do som apenas sob o viaduto do Chá. A companhia aceitou a primeira (a palavra “police” foi apagada), mas achou que a falta de som descaracterizaria completamente o espetáculo.
 
“A solicitação era para que tirassem o adesivo, porque era a simulação de uma viatura sendo destruída. Havia receio de que isso incitasse a população a fazer o mesmo em outros veículos”, disse Yamamoto.
 

Calil, que tentou negociar com o comando da PM durante a madrugada, admite que a polícia tomou um “susto”. “A ferida do ano passado ainda está aberta. Não podemos ser ingênuos para que a festa não tenha contaminações desnecessárias”, disse, aludindo ao tumulto ocorrido em 2007 na Sé.

 

Folha de S.Paulo

São Paulo, quinta-feira, 24 de abril de 2008

TEATRO 

VALMIR SANTOS 
Da Reportagem Local 

Atração obrigatória nas “Noites Brancas” de Paris, a companhia francesa Générik Vapeur finalmente vem a SP para duas únicas apresentações na Virada Cultural.
O espetáculo “Bivouac” é teatro de cortejo de rua com intervenção no espaço público, variação do que Belo Horizonte viu anos atrás. No chão ou num caminhão-cenário, que serve de touro de ventas fumegantes, vêm 18 atores ou músicos com corpos pintados de azul.
Eles interagem pontualmente com os espectadores, com rock, luzes e fogos de artifício. A idéia é mudar a percepção do centro da cidade. Importa a experiência de deslocamento coletivo, o “percurso emocional”. Bivaque, em português, é a área que acolhe a tropa. A duração é de 60 minutos.
Inicia em frente à Galeria Olido (av. São João), passa pela pça. da República, ruas Ipiranga e Sete de Abril, e acaba na pça. do Patriarca, diante de uma pirâmide de 102 latões coloridos.
Criado em 1989, “Bivouac” alude ao Muro de Berlim. A companhia foi fundada em 1984, motivada pelas relações entre ator e máquina. “Bivouac” inclui um cão cenográfico de metal e um carro que é demolido. O projeto é parceria da Prefeitura de SP com o Consulado da França e o órgão Culture France. (VALMIR SANTOS)
BIVOUAC
Saída: em frente à Galeria Olido (av. São João, 473)
Quando: sáb., às 21h30; dom., às 3h30
Quanto: grátis

Atração obrigatória nas “Noites Brancas” de Paris, a companhia francesa Générik Vapeur finalmente vem a SP para duas únicas apresentações na Virada Cultural. 

O espetáculo “Bivouac” é teatro de cortejo de rua com intervenção no espaço público, variação do que Belo Horizonte viu anos atrás. No chão ou num caminhão-cenário, que serve de touro de ventas fumegantes, vêm 18 atores ou músicos com corpos pintados de azul. 

Eles interagem pontualmente com os espectadores, com rock, luzes e fogos de artifício. A idéia é mudar a percepção do centro da cidade. Importa a experiência de deslocamento coletivo, o “percurso emocional”. Bivaque, em português, é a área que acolhe a tropa. A duração é de 60 minutos.

Inicia em frente à Galeria Olido (av. São João), passa pela pça. da República, ruas Ipiranga e Sete de Abril, e acaba na pça. do Patriarca, diante de uma pirâmide de 102 latões coloridos. Criado em 1989, “Bivouac” alude ao Muro de Berlim. A companhia foi fundada em 1984, motivada pelas relações entre ator e máquina. “Bivouac” inclui um cão cenográfico de metal e um carro que é demolido. O projeto é parceria da Prefeitura de SP com o Consulado da França e o órgão Culture France.



Peça: Bivouac
Saída: em frente à Galeria Olido (av. São João, 473) 
Quando: sáb., às 21h30; dom., às 3h30 
Quanto: grátis