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Crítica

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Em 2000, Felipe Hirsch transpôs para a cena o romance em que o dono de uma loja de discos era fixado em classificar as cinco melhores ou piores canções pop com a régua das suas separações amorosas, entre outras tiradas. Lembramos de A vida é cheia de som e fúria porque as obsessões com as quais o diretor é confrontado em Democracia são de ordem institucional e mais complexas, também um espetáculo que partiu de um livro. Leia mais

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Retábulo de vozes

19.3.2019  |  por Valmir Santos

História de uma história coletiva, assim pode ser percebido o mais recente espetáculo do Grupo Sobrevento, Noite. Os criadores buscaram em lugares públicos e privados no entorno de sua sede, entre o Brás e o Belenzinho, memórias pessoais e urbanas que contribuíram para moldar a alma desses bairros do centro expandido de São Paulo. Leia mais

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Em estado de recusa

17.3.2019  |  por Beth Néspoli

Tudo mal havia começado quando um aventureiro chamado Diego Cao, o português, descobriu o estuário do rio Congo em 1482. Depois, no dia 26 de setembro do ano seguinte, ou seja, em 1885, uns gângsteres decidiram em Berlim que o Congo seria uma colônia francesa. E isso explica porque uma semana depois, 1960, nos emprestaram a independência em troca de um neocolonialismo negro no comando do país. Putos. Dois dias depois, em 1969, convidamos o marxismo e o leninismo pensando que iriam agradar, mas os europeus vieram em seus cavalos de conquistadores para acabar com a cultura do atraso, de golpes de estado e de tribalismos, e implantar a democracia de uma vez por todas.

Em tradução livre, o texto acima, com seus vertiginosos saltos temporais, é parte da dramaturgia de O alicerce das vertigens, do congolês Dieudonné Niangouna Leia mais

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Em Nós (2016) e Outros (2018), desenvolvidos em parceria com o diretor Marcio Abreu, o Galpão problematizou a relação grupo-sujeito-sociedade com agudeza de espírito. Os espetáculos realçaram o caráter progressista da alteridade por meio do fenômeno artístico, atando consciências crítica e autocrítica como raramente se viu em seu repertório, ainda que sempre aberto a temas sociais e políticos. Leia mais

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A equipe de criação de Ossada conhece bem a distância entre nascer e tornar-se mulher, construção sociocultural examinada por Simone de Beauvoir há 90 anos. O espetáculo não cita diretamente O segundo sexo, livro central na obra da filósofa francesa, mas fomenta o pensamento feminista buscando novos modos de enunciar a violência causada pela desigualdade de gênero, tão premente ontem como hoje. A atriz e diretora Ester Laccava e as desenhistas de luz e imagem Mirella Brandi e Aline Santini elaboram outros vocabulários para a cena a partir do cruzamento de sensações e sombras. Leia mais

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Ao celebrar seus 40 anos de existência, o Tapa – uma das mais longevas companhias brasileiras – escolheu montar O jardim das cerejeiras. Para um grupo que alcançou a maioridade levando ao palco justamente a primeira obra de Anton Tchekhov, Ivanov, em 1998, é significativo que a comemoração seja marcada por essa que é a última e mais brilhante das peças do autor russo. Leia mais

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Partindo da fábula bíblica da disputa entre os irmãos Caim e Abel, o espetáculo Terrenal – Pequeno Mistério ácrata, dirigido por Marco Antonio Rodrigues com texto do argentino Mauricio Kartun, oferece ao espectador o prazer de acompanhar um jogo lúdico e cômico que valoriza o contraditório como elemento intrínseco à complexidade da vida terrena – ou terrenal. Toda tentativa de simplificação da tarefa de organizar o mundo, o extermínio de oponentes entre elas, está destinada ao fracasso, é a síntese dialética que brota do embate entre Caim e Abel nessa teatralização do mito de fratricídio. Leia mais