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Autoria

Jornalista, crítico e pesquisador com mestrado em artes cênicas pela USP. Idealizador e coeditor do site Teatrojornal – Leituras de Cena. Repórter de teatro desde 1992, tendo publicado nos jornais Folha de S.Paulo, Valor Econômico e O Diário de Mogi, de Mogi das Cruzes, bem como nas revistas Bravo! (SP) e Cavalo Louco (RS). Escreveu a análise histórica que acompanha o livro de fotografia O Tapa no Arena: repertório em imagens (2015). Autor dos livros Teatro Faap: a história em cena (2010), Aos que virão depois de nós - Kassandra in process: o desassombro da utopia (2005) e Riso em cena – os dez anos de estrada dos Parlapatões (2002). Assinou curadorias ou consultorias em mostras ou festivais realizados em João Pessoa, Natal, Recife, Belo Horizonte e São Paulo. Integrou comissões do Prêmio Shell de Teatro São Paulo, Prêmio Governador do Estado e Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA. É membro da Associação Internacional de Críticos de Teatro, a AICT-IACT (www.aict-iatc.org), filiada à Unesco.

Reportagem

Foto: Otávio Cardoso

Uma dor assim pungente

27 de outubro 2017 |
por Valmir Santos • São Paulo

Narrador de 12 anos sai de casa para comprar pão, na periferia leste da cidade, sofre abordagem abusiva de um policial e empreende fuga com fortes tintas de realismo fantástico.  No centro, travestis e prostitutas são igualmente vítimas de perseguição durante a ditadura civil-militar em entrecho documental que não desbotou. Vide o que se passa noutra geografia mais difusa, onde homens e mulheres soam exasperados nos lugares de fala e discursos intolerantes.

As três peças selecionadas no edital da IV Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos, iniciativa do Centro Cultural São Paulo, pintam uma realidade cortante por meio das formas de violência – as dores físicas e morais – que traumatizam as relações interpessoais e sociopolíticas nos dias de hoje. Leia mais

Crítica

Foto: Victor Balde

A ‘refazenda’ de João Miguel

17 de outubro 2017 |
por Valmir Santos • São Paulo

Diante da remontagem de Bispo (2001), solo do ator João Miguel, é possível raciocinar segundo o artista e pensador francês Antonin Artaud (1896-1948): “Tenho uma única preocupação: refazer-me!”.

A “refazenda” do também diretor baiano com a criação que o projetou nacionalmente mostra-se relevante por causa do percurso que esse artista inscreve nas entranhas da obra exibida pela primeira vez no início deste século, sob codramaturgia e codireção de Edgard Navarro, o inventivo cineasta conterrâneo (Eu me lembro, 2005). Leia mais

Crítica

Foto: Bob Sousa

Tempos gritantes

01 de setembro 2017 |
por Valmir Santos • São Paulo

Certos espetáculos permitem exercitar a livre associação com obras de outros tempos, mesmo se não as presenciamos. Sutil violento, da Companhia de Teatro Heliópolis (SP), por exemplo, reverbera inversamente Um grito parado no ar, de Gianfrancesco Guarnieri, encenada pela primeira vez em 1973, por Fernando Peixoto.
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Crítica

Foto: Leekyung Kim

O desencanto regurgitado

26 de junho 2017 |
por Valmir Santos • São Paulo

O ascensorista de Refluxo, Dário, pode ser lido como uma síntese do camponês e do guarda da parábola Diante da lei, que Franz Kafka escreve na forma de conto e depois incorpora ao romance O processo. Ao transcrever a obra ao cinema, Orson Wells transformou a parábola em prólogo. Leia mais

Crítica

Foto: Paulo Amaral/FCCR

A imaginação no poder

13 de janeiro 2017 |
por Valmir Santos • São Paulo

Segundo sábado de propaganda gratuita no rádio e na televisão, aquecimento da campanha para as eleições municipais de 2016. Na feira do Jardim Colonial, na zona sul de São José dos Campos, carros de som e cabos eleitorais (em sua maioria contratados) aproveitam a manhã movimentada para vender seu peixe. Foi ali que o Grupo Pombas Urbanas (SP) ligou a parabólica do teatro de rua para pensar a democracia à luz da realidade. Em sua premissa fabular, Era uma vez um rei destila crítica sobre os projetos de poder – um pleonasmo à esquerda, à direita ou ao centro de qualquer sistema de governo, mas também no nível interpessoal de todo cidadão. Leia mais

Crítica

Foto: Paulo Amaral/FCCR

Evoé, Marçal de Souza

07 de janeiro 2017 |
por Valmir Santos • São Paulo

Num poema que costuma acompanhar as edições da peça Rasga coração (1974), intitulado Somos todos profissionais, Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, riscou o chão: “(…) viemos aqui cumprir nossa missão/ a de artistas/ não a de juízes de nosso tempo/ a de investigadores, a de descobridores/ ligar a natureza humana à natureza histórica”. O grupo Teatro Imaginário Maracangalha, de Campo Grande (MS), pratica esta filosofia com precisão no espetáculo de rua Tekoha – Ritual de vida e morte do Deus Pequeno (2010). Leia mais

Crítica

Foto: Paulo Amaral/FCCR

Ações enamoradas das ideias

27 de dezembro 2016 |
por Valmir Santos • São Paulo

Quando da primeira edição, em 1605, O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha era mais ouvido que lido. O romance alcançava grandes auditórios em vez do cume calmo dos olhos. Afinal, a maioria dos cidadãos era analfabeta. Uma voz mediava o imaginário segundo as páginas de Miguel de Cervantes. A alusão ao contexto barroco da prosa do século XVII vem do prazer em fruir a inteligência cômica popular impressa no solo O incansável Dom Quixote, parceria do ator Maksin Oliveira com o diretor Reynaldo Dutra, numa produção da Magnífica Trupe de Variedades (RJ). Leia mais

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