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Biocritica Satisfeita, Yolanda? conta...

Biocritica - Uma questão de conta...

Queridos editores do Teatrojornal,

Foi com um livro de ética nas mãos que esbarramos pela primeira vez. Ivana e Valmir. André Comte-Sponville forneceu a chave de uma amizade, depois multiplicada por outros corpos. Pequeno tratado das grandes virtudes, uma análise das virtudes, de nossos valores. Esse curto farol nos iluminou. Da polidez, passando pela temperança, coragem, justiça, generosidade, compaixão, até chegar ao amor, tudo era possível de ser aprendido, como preparar um bolo ou exercitar uma crítica.

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Biocritica Teatrojornal conta...

Biocritica - Uma questão de conta...

A história do Teatrojornal – Leituras de Cena é devedora da cultura de jornalismo. Entrei em contato com ela na adolescência, frequentando a  biblioteca pública de São Miguel Paulista, bairro da zona leste de São Paulo onde nasci e fui criado. Preferia ler jornais a gibis. No atual ensino médio, meados dos anos 1980, convenci a diretora da escola a apoiar a criação de um informe rodado em folhas de sulfite mimeografadas, o Matéria-Prima. Fazia as vezes de “editor” convencendo colegas da turma a escrever poemas, crônicas, notícias do cotidiano dos secundaristas. Nunca mais quis exercer outra profissão que não a de jornalista.

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Entrevista

“Você vê os gregos: o Pégaso, o cavalo que voa, é o símbolo da poesia. Nós deveríamos botar antes, como símbolo da poesia, a galinha ou o peru – que não voam. Ora, para o poeta, o difícil é não voar, e o esforço que ele deve fazer é esse”, declarou João Cabral de Melo Neto em 1966, mesmo ano da publicação de A educação pela pedra. Numa das passagens da alentada entrevista a seguir, a encenadora Maria Thais cita o escritor pernambucano para elucidar o caráter sertanejo que mora em si, natural de Piritiba, na região da Chapada Diamantina, sertão baiano.

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Biocritica Questão de Crítica conta...

Biocritica - Uma questão de conta...

A Questão de Crítica, revista eletrônica de críticas e estudos teatrais, foi inaugurada no final de março de 2008. Ela é de Áries, eu sou de Leão. As atividades da revista são indissociáveis da minha trajetória pessoal. Por onde eu vou, levo ela comigo, de uma maneira ou de outra. E ela já me levou a muitos lugares. Mas, melhor que isso, a Questão de Crítica sempre foi um projeto para conectar pessoas a partir da circulação de ideias.

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Biocritica Dossiê conta...

Biocritica - Uma questão de conta...

Rever raízes

4.1.2021  |  por Valmir Santos

Este Teatrojornal – Leituras de Cena completou dez anos em 20 de março de 2020, na esteira da chegada da pandemia e, com ela, tudo que se sabe. Diante do presente que dilata a qualidade ou estado do que é temporal, provisório e efêmero, assumimos o delay e criamos uma ação comemorativa da década de trabalho continuado do site. O dossiê Biocrítica vai reunir artigos acerca de nossa trajetória e de outros dez espaços empenhados na crítica de teatro na internet.

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Artigo

Artista acostumado a eviscerar a realidade por meio da ficção, nas escalas da pujança, da ousadia formal e do estranhamento, o dramaturgo e encenador Francisco Carlos construiu imagem à altura em um de seus textos mais recentes, Cosmos amazônico, definido por ele como “fotografias-verbais” e cujos preparativos para a montagem estava em curso em meio à restrição social, abrindo flancos para a transposição ao ambiente virtual/audiovisual. Caminho promissor para uma escrita de inclinação cinematográfica.

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Artigo

A obra de Nelson Rodrigues (1912-1980) está incorporada, há algum tempo, ao patrimônio cultural brasileiro – e vem sendo assimilada ao acervo internacional, com traduções e encenações que ampliam o seu alcance para além da língua portuguesa ou no próprio campo da lusofonia. Um livro com sete de suas peças, lançado em 2019 na Inglaterra, parece ser o episódio mais recente de uma série que inclui espetáculos feitos na França, baseados em seus textos, já nos anos 1990. 

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Reportagem

Cena de imersão

1.12.2020  |  por Teatrojornal

O Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, que abre hoje, e o Brasil Cena Aberta, festival em São Paulo convertido em ato, a partir de amanhã, vêm à luz no nono mês da pandemia com edições especiais. Acontecem online e emanam a mesma atitude que os moviam em tempos presenciais nas respectivas gerações, o primeiro na casa dos 25 anos e o segundo em seu ano 2.

Afinal, qual a extensão de um ato? Setenta e duas horas? Onze dias? Um átimo?

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Artigo

No momento em que o globo terrestre fixa atenção em quem vai ocupar a Casa Branca nos próximos quatro anos, a cinebiografia do dramaturgo tcheco Václav Havel (1936-2011) produz efeito luminoso similar àquele de quando se conhece a trajetória e as atitudes do florista e “chacareiro” uruguaio José Mujica: de como a ascensão de civis ao cargo máximo de uma nação pode, sim, transformar significativamente a face do poder a partir de suas presenças carregadas de passados humanistas. Uma fala do ator Viktor Dvořák no papel-título de Havel, atribuída a um dos professores do escritor, sintetiza o legado de pessoas como essas: “O mais importante da consciência é que sempre a carregamos conosco. Não podemos nos livrar dela mesmo que queiramos”.

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Crítica

Uma das primeiras experiências presenciais no país após sete meses de recolhimento da produção teatral, Protocolo Volpone, um clássico em tempos pandêmicos tem na sua proximidade física distanciada a melhor tradução para o gesto da Companhia Bendita Trupe de dotar a farsa do início do século XVII de efeitos imunizantes ante a funesta realidade da qual o trabalho emerge. A supervalorização mórbida de si, pelo agiota endinheirado do título, imprimiu tons mais tétricos à comédia ao refletir o estado de morte à brasileira nas falhas governamentais no enfrentamento ao novo coronavírus.

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