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Publicações com a tag:

“Critica"

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Crítica

Matéria escura do Cena 11. Cena expandida. Já não mais estritamente presencial, necessariamente remota, mas presente enquanto campo aberto de forças, imantando visões, sensações, movimentos, internos e aparentes ou externos aos corpos, mas sistematicamente incomensuráveis e singulares. Pingos, pios, amplificados e estendidos como gritos, como estridências crescentes, como deformações ritmadas, dançantes, mas na contradança surpreendente, sempre, de não ser dança, de virar verso e ser ostensão de vida.

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Crítica

Qual o som do silenciamento? Essa pergunta ganha corpo e se torna cada vez mais incômoda na obra em torno da cantora lírica Maria d’Apparecida (1926-2017). A nossa ignorância a respeito da trajetória fulgurante dessa brasileira em solo europeu se agrava à medida que são expostos os níveis de preconceitos de raça e de gênero que circunstanciaram seus 91 anos de vida. A mulher negra, de pele clara, os enfrentou escudada em sua voz, seja interpretando ópera, no registro mezzosoprano, seja no repertório da canção popular ou do folclore de seu país, o mesmo que insistiu em asfixiá-la.

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Crítica

O teatro possível enfrenta o impossível. Ou uma cena plena em suas potências, traçada no espaço virtual como presença firme, nunca ausente.

Épico, da Cia Tercer Abstracto, parte de uma investigação honesta sobre um projeto canônico do século 20, o teatro épico, mas alcança, além de estabelecer uma versão inventiva, de raro frescor, sobre o seu ponto de partida, uma resposta franca às urgências do tempo. Tanto frente ao pandemônio em que o Brasil, ou seu desgoverno, transformou a pandemia, como às demandas dos meios disponíveis às encenações, sem abrir mão de alguma simultaneidade presencial e de vero impacto sobre os espectadores.

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Crítica

“Ela não quer mais ser Medeia”. “Eu não quero mais ser mulher”. Essas duas frases-falas proferidas pela protagonista de Terra Medeia, dramaturgia da sueca Sara Stridsberg escrita em 2009, são exemplos de como o elogio à opacidade como recurso ficcional no teatro e em outras artes e a crítica feminista (com algumas limitações ou contradições) são os aspectos que têm mais relevo na atual tradução e montagem da peça no Brasil, sob a direção da também sueca Bim de Verdier e com transmissão online e ao vivo na Plataforma Teatro.

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Crítica

Allegro delirium

14.5.2021  |  por Valmir Santos

Artista da imagem e iconoclasta por natureza – a ponto de jogar com a autoimagem deformada em seus escritos extracênicos –, Gerald Thomas aterrissa com suavidade na transposição de Terra em trânsito (2006) para o imperativo da internet. O caráter recorrente de obra aberta agora se estende às pupilas e aos poros de Fabiana Gugli, cuja atuação dignifica o trabalho de comediante com a devida complexidade que lhe cabe. Ela modera o intimismo do projeto com a pulsão espetacular inarredável do encenador. Apenas uma câmera captura sua presença enquanto a concepção audiovisual expande a percepção de quem a acompanha através da tela, desde a sala de sua casa convertida cenograficamente no camarim de uma diva prestes a interpretar o trecho de uma ópera. A distância entre a intenção e o ato se revelará tragicômica no curso do primeiro ao terceiro sinal.

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Biocritica Kil Abreu conta...

Biocritica - Uma questão de conta...

Neste momento não se pode começar um texto sobre crítica e sobre críticos senão reafirmando o estado atual das coisas. Que alcança a crítica mas vem antes e está além. Para nós que não nos sentimos capturados pelas políticas da morte (o que não nos faz melhores), a sensação é de que o humano está sendo devastado pela doença e pelo assassinato como política de Estado. Ponto crítico. É um momento da democracia em que se pode parafrasear os versos daquela canção falando sobre o aqui que ainda era construção, mas já é ruína. Os mais politizados perguntarão, com razão: “Mas quando não foi assim?”. A diferença fundamental é que no agora, como em poucos outros agoras, a ordem autoritária monta estratégias próprias. A matança, como sempre, tem endereços prioritários. Não cabe descer aqui a pormenores, não é o tema, mas cabe lembrar – não é questão de querer ou não – que este é forçosamente também o sítio da crítica. E a crítica não deve querer estar em suspenso sobre a nervatura do real, deve fazer parte dela.

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Biocritica Fátima Saadi conta...

Biocritica - Uma questão de conta...

A vida do teatro

16.2.2021  |  por Fátima Saadi

No prólogo e no epílogo de seu livro O teatro é necessário?, o ensaísta e professor Denis Guénoun (nascido em 1946) tece uma série de considerações a respeito da vida do teatro, que, cada vez mais, ultrapassa as atividades de formação e exercício das profissões estritamente relacionadas à criação de espetáculos teatrais e se espraia pelo que antes era considerado com certo desdém pelos profissionais das artes cênicas – e também pela imprensa – como marginal, menor, utilitário ou terapêutico.[1]

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