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Crítica

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Os espetáculos AI-5: a peça, concebido e dirigido por Paulo Maeda; Comum, com o Grupo Pandora de Teatro; e Roda morta, com a Cia. Teatro do Perverto conectam suas dramaturgias a episódios do período da ditadura civil-militar no Brasil. As variações de como os direitos foram sequestrados, assim como as delineações estéticas dos trabalhos, permitem constatar os perigos que rondam a democracia vigente e sabidamente imperfeita. Não custa lembrar que o restabelecimento desse sistema político aconteceu há 33 anos. Cada peça transmite a medida do tempo histórico e suas reverberações no presente. Leia mais

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Nesses tempos ruidosos em que múltiplas e contraditórias narrativas disputam a apreensão da chamada realidade e uma estetização generalizada parece capturar todos os campos da existência, perceptível desde o mais caseiro selfie ao noticiário dos telejornais, o excesso de ficção no espaço público pode ser um problema para a arte. O enfrentamento dessa questão move, no teatro, a valorização da cena documental e dos depoimentos pessoais ou ainda a aposta na presença do corpo como matéria expressiva da cultura nele es(ins)crita.

O risco dessa linha de criação, em todas as suas variações, é o de não se descolar do cotidiano, resultando em manifestação de linguagem com igual carga de brutalidade ou de trivialidade. Inserido na vertente documental, Hotel Mariana alcança densidade poética mesmo se elabora matéria colada à vida Leia mais

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As peças do uruguaio Sergio Blanco costumam se concentrar em único objeto: ele mesmo. Ao contrário, porém, do que se poderia esperar, a escrita desse autor não utiliza a própria identidade como forma de criar um teatro egocêntrico ou autocentrado. Em El bramido de Düsseldorf, que integrou o Mirada 2018 – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, em Santos, e foi encenada também em São Paulo, Blanco consegue desdobrar a si mesmo como um espelho do mundo. Leia mais

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Vozes encorpadas

5.10.2018  |  por Valmir Santos

O desinvestimento da vida em populações latino-americanas é um traço histórico a partir do qual artistas reagem feito um grito desengasgado. Elaboram poéticas do espanto diante de realidades brutais. Nos espetáculos Para não morrer e Há mais futuro que passado – um documentário de ficção, por exemplo, as estruturas de silenciamento e apagamento levam artistas, majoritariamente mulheres, a reavivarem as lutas e perspectivas daquelas que vieram antes e abriram caminhos até a contemporaneidade. Corpo e voz forjados para denunciar o machismo disseminado em sociedades patriarcais e colonizadas. Leia mais

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Navalha na nossa carne?

28.9.2018  |  por Kil Abreu

A lógica do processo social permite supor que as personagens de Plínio Marcos em Navalha na carne podem ser negras. No entanto, as representações mais conhecidas do texto têm contado majoritariamente com atrizes e atores não negros. Quando Lucelia Sergio, interpretando Neusa Sueli, entra em cena na montagem em análise tirando a peruca loira isso nos remete a algo acidental, a uma personagem se desfazendo da outra com a qual ganha a vida. O “desfazer-se” remete também a uma possível resposta à maneira como no teatro brasileiro a distinção racial se afirmou. A tentativa de desnaturalização deste imaginário é, entre outras coisas, o que Navalha na carne negra nos oferece. Somos levados a pensar aquelas personagens por fora das representações já inscritas, em que atrizes blonde como Tônia Carrero e Vera Fischer viveram a prostituta no palco ou no cinema. Leia mais

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Antunes, irmão de Lagarce

25.9.2018  |  por Kil Abreu

O dramaturgo francês Jean-Luc Lagarce morreu jovem (1957-1995), vítima da Aids. Só foi reconhecido como autor relevante em seu país depois da morte, o que já nos diz muito sobre a dificuldade do seu belo teatro, fora dos enquadramentos. Erudito, criou um teatro singular inspirado sobretudo em autores fora da ordem na cena moderna, como Beckett, com quem aprendeu tanto o valor da palavra, do verbo concentrado, como do silêncio, das frestas. E também o contraste trágico entre aquilo que está, que é, e o que não está presente, entre o que as coisas são e o que poderiam ter sido. Sua obra de volume considerável inclui peças como Music-hall, História do amor (últimos capítulos), já encenadas no Brasil, e esta Eu estava em minha casa e esperava que a chuva chegasse (na tradução de Maria Clara Ferrer), que o CPT do Sesc e Grupo de Teatro Macunaíma estreia neste momento sob direção de Antunes Filho. Leia mais

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Santos – Antes da leitura crítica acerca do espetáculo La despedida (A despedida), um episódio testemunhado em Bogotá, cidade do grupo Mapa Teatro.

Meados de março de 2010, entrada do Teatro Fanny Mikey, em Bogotá. O público é revistado à porta por um militar fardado e armado. Os espectadores estão ali para assistir ao diretor estadunidense Bob Wilson atuando em A última gravação de Krapp. Leia mais