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Crítica

Foto: Cristiano Prim

A claustrofobia da dor

26 de abril 2017 |
por Afonso Nilson • Florianópolis

O bailarino Diogo Vaz Franco e a coreógrafa Elke Siedler, em sua pesquisa sobre a dor em Oscar Wilde, mais especificamente a partir do texto epistolar De profundis, nos trazem uma metáfora sobre o tempo e seu fluxo como referência ao sofrimento. Não há uma narrativa, não há um personagem, não há alusões ao período em que Wilde ficou preso por sodomia e “comportamento indecente” na conservadora Londres do final do século XIX. Mas há no espetáculo de dança contemporânea Recluso a dor em sua latência, em sua contínua expansão dentro do espaço Leia mais

Crítica

Foto: Nilton Russo

Figuras sem rosto num mundo claustrofóbico

13 de abril 2017 |
por Daniel Schenker • Rio de Janeiro

Chão de pequenos, montagem da Companhia Negra de Teatro, de Belo Horizonte, apresentada no Festival de Curitiba, é estruturada a partir da conciliação de procedimentos contrastantes: a concretude dos depoimentos em off sobre a problemática da adoção e a movimentação poética dos atores que dimensiona, sem reiterar, o desamparo dos personagens, dois meninos, um negro e um branco, confinados, à espera de uma família que os acolha. Leia mais

Crítica

Foto: Lina Sumizono

Mover-se em contraste e aproximação

09 de abril 2017 |
por Daniel Schenker • Rio de Janeiro

Em Ficção, uma das criações anteriores da Cia. Hiato, os atores do grupo realizaram solos nos quais trouxeram à tona determinados aspectos de suas vidas. Na frente do público, de um conjunto de estranhos, revelaram questões íntimas de maneira direta. Diante desse material assumidamente confessional, o título provocava, de início, uma sensação de contraste, mas sintetizava, com precisão, o sumo do projeto: a percepção de que a evocação da própria história implica numa ficcionalização, na medida em que não há como acessar de modo imparcial os acontecimentos como se deram, mas “tão-somente” como foram introjetados por aqueles que passaram pelas experiências. Os atores não apresentavam os fatos puros, e sim uma versão deles (portanto, uma ficção).

Amadores, novo trabalho do grupo conduzido por Leonardo Moreira e incluído na Mostra Oficial do Festival de Curitiba, confirma o apreço pelo depoimento pessoal. Leia mais

Crítica

Foto: Leonardo Pastor/Fiac Bahia

Dois sujeitos em busca de autonomia

26 de março 2017 |
por Beth Néspoli • São Paulo

Todo ato de fala é alterado pelas reações de quem escuta. Se a interlocução é desatenta ou inquieta, se os que interagem estão mais empenhados em falar do que em ouvir, a tensão e a urgência afetam o autor do discurso que tende a eliminar da argumentação as sinuosidades da dúvida e a análise multifacetada. O problema do encurtamento da capacidade de atenção das plateias contemporâneas deixa de ser um fantasma a rondar o palco para se tornar matéria de trabalho no espetáculo Hamlet – processo de revelação, solo de Emanuel Aragão, que tem direção do Coletivo Guimarães (DF), formado pelos irmãos Adriano e Fernando, e dramaturgia de cena assinada pelo ator. Leia mais

Crítica

Foto: Sammi Landweer

Para escutar o som da floresta

22 de março 2017 |
por Beth Néspoli • São Paulo

Gestos, odor, movimentos, olhar, respiração, um corpo em tudo diferente daquele que habita o cotidiano urbano. São corpos assim os que vêm para a cena na mais recente criação da Lia Rodrigues Companhia de Danças, Para que o céu não caia, apresentada na 4ª MITsp e que segue em curta temporada no Sesc Belenzinho. Leia mais

Crítica

Foto: Felipe Fredes/Fundación Santiago a Mil

Dialética de uma derrota

21 de março 2017 |
por Patricia Freitas • Santos/São Paulo

O espetáculo Mateluna, escrito e dirigido por Guillermo Calderón e apresentado no MITsp, constrói pontos de aproximação entre o espírito revolucionário latino-americano durante as ditaduras militares nas décadas de 70 e 80 e os modos de resistir ao estado de coisas atual. Para tanto, o grupo de seis atores se detém em uma narrativa prismática sobre um personagem real: o ex-guerrilheiro chileno Jorge Mateluna, com quem o elenco manteve contato durante a criação do espetáculo Escuela (2013). Leia mais

Crítica

Foto: Guto Muniz/Foco in Cena

Prefiro não

21 de março 2017 |
por Mateus Araújo • Recife/São Paulo

Durante esta semana, em cartaz no Itaú Cultural como parte da programação da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp), a atriz sul-africana Ntando Cele, mulher negra, nos traz vários símbolos ligados ao racismo em seu espetáculo Black off. Mas entre eles prevalece na memória a fala pragmática: “Estou aqui, e sou negra. Mas não estou aqui para ser negra”. Leia mais

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