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Crítica Militante

Parte II – A caminho do dissenso

Em artigo para a revista Bravo!, no final dos anos 90, o diretor e professor Sérgio de Carvalho sentenciava: “O processo de esvaziamento da crítica teatral na imprensa brasileira já dura mais de duas décadas. E esses que aí estão talvez constituam o nosso último grupo de críticos”.[1] Curiosamente, mais de quinze anos depois um crítico da geração atual, Diego Reis, salvo engano sustenta juízo aproximado, ao anunciar no resumo do seu ensaio, já neste ano de 2016: “Este ensaio tem por objetivo pensar o campo da crítica de arte nos últimos vinte anos. E, de modo especial, a crítica teatral diante do diagnóstico de esvaziamento e perda de força com que se depara, seja com a redução do espaço da crítica nos veículos de comunicação de massa, seja o lugar de estabilidade entre o cânone e o consenso que parece caracterizar os exercícios críticos recentes”.[2] Leia mais

Crítica Militante

Precisamos desenvolver a sensibilidade histórica para que ela se torne um verdadeiro deleite sensual. Quando nossos teatros apresentam peças de outros períodos, eles gostam de aniquilar a distância, preencher as lacunas, minimizar as diferenças. Mas onde então fica o prazer derivado das comparações, da distância, da dissimilitude – que é, ao mesmo tempo, um prazer vindo daquilo que é próximo e próprio a nós mesmos?

Bertolt Brecht

“Inspirar movimentos de aproximação entre o teatro e aqueles que lutam por justiça social”: tal o objetivo do primeiro volume da coleção Cadernos de Teatro e Sociedade, editado pelo Laboratório de Teatro e Sociedade (LITS) em parceria com a editora Expressão Popular. O projeto do grupo de estudos e laboratório, encabeçado por pesquisadores e artistas da Universidade de São Paulo, teve como mote não só publicar algumas peças relativas ao momento de fértil “hegemonia cultural de esquerda”, mas recriá-las crítica e pictoricamente com base nas experiências cênicas daquele período.

Não à toa, o passo inicial envolveu a publicação de Mutirão em novo sol, obra escrita coletivamente, em 1961, por Nelson Xavier, Augusto Boal, Benedito Araújo, Hamilton Trevisan e Modesto Carone, que permanecia inédita até então. Leia mais

Crítica Militante

A estreia, em 1965, de Liberdade, liberdade, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, foi um grande sucesso, mas não durou muito nos palcos brasileiros, pois tão logo o regime militar, recém-instaurado no Brasil, se deu conta do conteúdo da peça, ela foi imediatamente censurada. Leia mais

Entrevista

Embora a história contada nos livros tenha sido tão negligente com a trajetória de tantas mulheres que ofereceram contribuições fundamentais ao Brasil; embora, em 2016, a luta pelos direitos das mulheres ainda precise estar em marcha, basta olhar para as ruas, para as redes sociais e para os movimentos da sociedade civil e identificar o forte protagonismo de muitas “Marias” que colocam sua inteligência, coragem, força e sensibilidade na construção de novos mundos. A baiana Maria Marighella, atriz, gestora cultural, mãe de Zeca e Bento, pertence a essa linhagem Leia mais

Crítica Militante

Em oposição à inflamada onda de discursos fundamentalistas e conservadores incoerentes com a modernidade professada nos tempos atuais, pululam nas artes cênicas contemporâneas, cada vez mais, os debates amplos e heterogêneos acerca das questões de gênero e sexualidade. Leia mais

Crítica Militante

O afastamento cultural entre o Brasil e os outros países da América Latina é bem maior do que a distância geográfica, principalmente quando se trata de acesso recíproco ao que se produz nos países do continente. Falando especificamente sobre publicações de dramaturgia, vertente que atinge um público bastante restrito, menor do que o de literaturas não dramáticas, como romances, teoria ou poesia, por exemplo, esse afastamento é ainda maior. Leia mais

Crítica Militante

Em Paris

E a deusa Afrodite desce dos saltos da imortalidade à procura de amor.  Busca um amor de natureza bastante particular. O que a move é a atração pelo desprezível, pela sujeira, pela indiferença. Em Phèdre(s), mais recente incursão teatral do encenador polonês Krzyszstof Warlikowski, a deusa opta por encarnar-se mulher, (des)humanizando-se na pele de Fedra. Leia mais

Crítica Militante

Resultado da adaptação do conto homônimo do escritor francês Emmanuel Carrère, O bigode – montagem que ganhou segunda temporada agora, no Teatro Maison de France, depois do período em que permaneceu no Teatro Glauce Rocha, ambos localizados no Centro do Rio de Janeiro – contrasta o procedimento da narração, que sugere pleno domínio da história relatada, com o tema da quebra das certezas, imperante no percurso do protagonista dessa obra, transportada para o cinema pelo autor em 2005. Leia mais

Reportagem

Ocupas

30.5.2016  |  por Valmir Santos

Com a colaboração de Beth Néspoli

Na série de ocupações de espaços públicos vinculados ao Ministério da Cultura, iniciada há 17 dias e logo espalhada pelas 27 unidades federativas, a de Curitiba transcorria em precárias condições de alojamento até sábado, dia 28, quando as barracas de camping foram reforçadas ou mesmo substituídas por lonas pretas doadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, o MST. Leia mais

Artigo

Que flecha é aquela no calcanhar daquilo?

Leminski, no Catatau

 

Almas femininas mediadas pela arte do teatro, Joelma e Jacy plantaram suas histórias na Bahia e no Rio Grande do Norte. Cirandaram por outras terras, mas foi nas respectivas cidades em que foram literalmente criadas, Ipiaú, no sul baiano, e Natal, a capital, que cumpriram o eterno retorno. Joelma é transexual, adjetivo e substantivo de dois gêneros. Jacy é a mulher. Joelma pressupõe ficção e pende ao documentário. Jacy flerta com o documental e tem um pé na ficção. Leia mais