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“Crítica"

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“Crítica"

Crítica

O santista Carlos Alberto Soffredini (1939-2001) parecia bastante consciente ao confrontar a matéria da desilusão na tragicomédia Vem buscar-me que ainda sou teu. Ele já antecipava: “Este trabalho é o resultado de um contato sincero com o artista ambulante. Fui lá procurando a essência da linguagem teatral brasileira. E encontrei pessoas. Procurando as ideias, encontrei a vida. Não dedico esta peça a eles porque eles jamais a lerão. E, se a lessem, não se interessariam por montá-la. E eles sabem o que fazem”.

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Crítica

As razões para matar o pai. Em Tebas land, peça de Sergio Blanco, essa questão parece organizar a trama. Como nas outras montagens do franco-uruguaio que puderam ser vistas no Brasil recentemente – caso de A ira de Narciso e o O bramido de Düsseldorf –, uma morte surge como disparadora das ações. Como se o espanto diante da ideia de matar ou de morrer incitasse o dramaturgo a pôr em funcionamento uma máquina que mistura ficção e autobiografia.

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Crítica

Árido e real é o território em que o dramaturgo pernambucano Newton Moreno colheu os fios com os quais tramou as asas das mulheres rebeladas na fábula As cangaceiras, guerreiras do sertão, dirigida por Sergio Módena. Nesse musical que subverte o papel do feminino no cangaço, o rigor da pesquisa documental constrói uma plataforma segura para que a ficção voe alto sem descuidar do arsenal pesado de contradições sociais e humanas envolvido no fenômeno do surgimento de agrupamentos nômades de sertanejos armados, em parte da região Nordeste do país, em fins do século XIX e início do XX.

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Crítica

Entrechoques de mundos

25.5.2019  |  por Valmir Santos

A expressão “sair do armário” não se aplica apenas ao reconhecimento da sexualidade ou da identidade de gênero, seja sobre si ou o outro. Ela assume o fosso das classes sociais no espetáculo De volta a Reims (a pronúncia aproximada é “rãs”). Ter acesso, ou não, a serviços essenciais, como a educação, marca a vida de qualquer indivíduo. No caso, as barreiras de uma sociedade capitalista não são apenas impostas, mas autoimpostas: as origens do ser resultam apagadas após o “milagre” da formação escolar e da mobilidade social que propiciaram ascender intelectual, afetiva e materialmente falando.

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Crítica

Dossiê Itajaí

24.5.2019  |  por Valmir Santos

Nenhum festival programa em sua noite de abertura o espetáculo Preto, da companhia brasileira de teatro (PR), e escala para o encerramento Nós, do Grupo Galpão (MG), sem que esteja em perfeita sintonia com o Brasil de 2019, as demandas de pautas identitárias e a oposição cerrada às mesmas pelo grupo político (e militar) instalado no Palácio do Planalto. “Não é de hoje que a cultura, a arte são artífices da construção do novo, do diferente”, escreveu o superintendente administrativo das fundações de Itajaí, Normélio Pedro Weber, na pensata institucional intitulado Trincheira de resistência, publicada no programa do Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha.

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Artigo

Entre  as últimas montagens de Antunes Filho, Nossa cidade (2013), a partir da peça de Thornton Wilder, e Eu estava em minha casa e esperava que a chuva chegasse (2018), de Jean-Luc Lagarce, podem ser lidas como cerimônias de adeus do artista que jogou até o fim em sete décadas de dedicação contínua à arte do teatro, incluída a fase amadora.

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Crítica

Foi com uma linguagem inventiva e próxima ao ideário do teatro pós-dramático que o Magiluth conquistou seu espaço na cena teatral nacional. Criado no Recife, em 2004, o grupo investia em propostas de criação coletiva, valorizando a desconstrução do texto e uma interpretação muito mais próxima do performativo do que da representação propriamente dita.

Por diferentes motivos pode-se considerar Apenas o fim do mundo como obra que sinaliza maturidade. Para compor o espetáculo, o grupo pernambucano trouxe muito da experiência acumulada em seus 15 anos de existência: o jogo performático permanece a dar o tom e o espectador, figura sempre central em seu trabalho, funciona como aspecto motor – adentrando os limites da encenação e impregnando-lhe o ritmo.

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