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Crítica

Uma das primeiras experiências presenciais no país após sete meses de recolhimento da produção teatral, Protocolo Volpone, um clássico em tempos pandêmicos tem na sua proximidade física distanciada a melhor tradução para o gesto da Companhia Bendita Trupe de dotar a farsa do início do século XVII de efeitos imunizantes ante a funesta realidade da qual o trabalho emerge. A supervalorização mórbida de si, pelo agiota endinheirado do título, imprimiu tons mais tétricos à comédia ao refletir o estado de morte à brasileira nas falhas governamentais no enfrentamento ao novo coronavírus.

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Reportagem

Como todo outubro em São Paulo, a Mostra Internacional de Cinema reserva interfaces com as artes cênicas em seu vasto panorama global. Pela primeira vez as exibições serão em ambiente online, uma plataforma própria, ou em espaços drive-in. Em 2009 o festival foi dos pioneiros ao levar parte do conteúdo para a internet, mas a escala atual muda paradigmas sem precedentes sob pandemia viral.

Dentre os 198 filmes desta 44ª edição, de 22 de outubro a 4 de novembro, relacionamos títulos que envolvem direta ou indiretamente aspectos do circo, da performance e do teatro. Há transposição de peça, cinebiografia, atriz assinando longa-metragem, teatrólogo se indagando sobre como agir politicamente nos dias de hoje, atores de grupo no elenco de uma obra ou outra, palhaço encantando a adolescência no sertão, enfim, experiências que guardam algum atravessamento com as artes da presença. Seja nas películas, seja no percurso de seus artistas.

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Crítica

É fácil entender o desejo da atriz Helena Cerello de transpor o romance O peso do pássaro morto para o teatro. Ainda que tenha sido escrito como um longo poema – ou um fluxo de consciência – o texto de Aline Bei carrega na oralidade, cabe na boca sem esforço e não pede alterações profundas para se converter na encenação que atualmente cumpre temporada virtual.

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Reportagem

Para além da pandemia, conjecturou a atriz e dramaturga, existe uma situação extremamente instável na maneira como os artistas sobrevivem ao longo da história do Brasil. Grace Passô falou durante a mesa virtual que abordou as “Novas teatralidades e estratégias para a existência do teatro”. Afinal, a quem as artes vivas se destinam e quem detém os meios para fazê-las, seguiu problematizando. Ato contínuo, lançou a pergunta-ensaio que pode ser considerada determinante para um balanço do que foi dito e pensado durante o Seminário CPT 2020, realizado nas manhãs dos três primeiros dias de setembro, no marco das atividades de relançamento do Centro de Pesquisa Teatral do Sesc SP. Grace indagou: “Os legados são delegados a quem?”.

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Encontro com Espectadores

O espetáculo Stabat Mater (2019) concentra avanços entre teoria e prática elaboradas pela artista Janaina Leite desde Festa de separação: Um documentário cênico (2009), passando por Conversas com meu pai (2014), ambos gestados em paralelo às atividades do Grupo XIX de Teatro, do qual é cofundadora em São Paulo, em 2001, além de se desdobrar em núcleos de estudo com os quais montou o díptico Feminino abjeto 1 [2017] e Feminino abjeto 2 – O vórtice do masculino [2019]. Convém contextualizar ainda a condição de mãe de dois filhos e a perseverança da também performer e doutoranda em não abdicar do trabalho continuado, rejeitando o que considera o violento lugar da mulher abnegada na sociedade patriarcal.

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Crítica

Em uma das peças menos conhecidas de Mário Bortolotto, À queima-roupa , escrita em 1993, Cardan é um homicida que deixa a cadeia após cumprir 12 anos de pena. Em poucos dias na rua, assassina mais dois homens. À bala, em assalto a um professor. E por enforcamento, ao terceirizar uma vingança: o irmão de seu melhor amigo “roubou” a namorada deste. Em diferentes partes da história, um mendigo  aborda o ex-detento para manifestar sua fome, mas não angaria a caridade alheia. Até o desfecho, quando pede um pedaço de cachorro quente que ele está comendo. Ato contínuo, o protagonista abocanha o restante do lanche e, mastigando, coloca um revólver na mão do pedinte que, atônito, aos poucos se recompõe, empunha a arma e mira a plateia. Blecaute seco. A leitura de À queima-roupa traz as digitais da desenvoltura com que Bortolotto dirige Barrela, seu primeiro Plínio Marcos em cerca de 40 anos de dramaturgia. As afinidades eletivas vão além da superfície quando se trata de sujeitos marginalizados pela sociedade ou entranhados na marginalidade.

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Encontro com Espectadores

A atriz Denise Fraga e o diretor Luiz Villaça participaram do 35º Encontro com Espectadores, sob mediação da jornalista Beth Néspoli. Um público diversificado lotou a Sala Vermelha do Instituto Itaú Cultural, apoiador da ação realizada por este site de crítica Teatrojornal – Leituras de Cena. O espetáculo em foco, Eu de você, finalizava sua primeira temporada no Teatro Vivo e, na ocasião, nenhum dos presentes poderia imaginar que seria uma das últimas edições do EE, em 24 de novembro de 2019. Ou seja, antes de um longo e até hoje indeterminado período de suspensão devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus. O teor da conversa derivada do solo, em especial no que diz respeito à valorização da arte, ganhou ainda mais pertinência nesses tempos de isolamento social.

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