Menu

Assine nossa newsletter

Reportagem

A reatividade como mecanismo de defesa vem dando lugar ao ato criador por essência em tempos de guerra anticultural no Brasil. Artistas, produtores, estudantes, pedagogos, gestores e demais sujeitos em diferentes áreas de expressão articulam modos mais horizontais, inventivos e politicamente perspicazes de confrontar o autoritarismo de Estado.

Mobilizações ocorridas em São Paulo desde o final de 2019, ao ar livre ou em espaços culturais, sinalizaram procedimentos mais inspiradores na hora de pensar, organizar e articular poeticamente ações e discursos contra o estado de coisas. Afinal, quem atua junto às ciências humanas possivelmente tem amigos ou familiares com transtornos de somatização diante das medidas desse governo doentio que mina os direitos sociais e põe a democracia em risco. Daí redobrar resistências físicas e psicológicas para ir à luta.

Leia mais

Crítica

Eu sempre gostei de tratar de coisas que eu mesmo não sei nomear, afirmou o dramaturgo e diretor Alexandre Dal Farra ao participar da 32ª edição do Encontro com Espectadores, junto ao ator e diretor Clayton Mariano. Ele se referia ao modo como investiga as relações sociais e políticas em sua obra: no calor dos acontecimentos, sem a visão panorâmica trazida pelo distanciamento temporal. Pois tal operação poética, que vê nas incertezas do presente a matéria por excelência a ser tratada no palco, constitui a peça Floresta, com direção e texto de sua autoria.

Leia mais

Crítica

Em seu espetáculo mais recente, Bom Retiro meu amor – ópera samba, o Teatro União e Olho Vivo fornece respostas poéticas a questões que outros grupos ou companhias também se fizeram ao assumir uma prática artística de ambição popular. Uma passagem pode ilustrar o nível de inquietude movida décadas atrás. No 1º Seminário de Teatro Independente que ajudou a realizar em São Paulo, em 1976, na Fundação Getúlio Vargas, constavam as seguintes provocações:

Leia mais

Encontro com Espectadores

Livre inspiração para o teatro do livro homônimo do filósofo francês Didier Eribon, o solo De volta a Reims foi objeto de debate da 29ª edição do Encontro com Espectadores, no dia 26 de maio de 2019, ação do site Teatrojornal. O ator Pedro Vieira e o dramaturgo Reni Adriano falaram sobre os caminhos percorridos desde o momento em que uma adaptação francesa desse ensaio autobiográfico foi vista no Festival de Avignon, passando pela conquista da liberação dos direitos após a resistência do autor com a versão brasileira, até a temporada em São Paulo. No fim do ano, em novembro, o solo ainda participaria da programação do Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente (Fentepp).

Leia mais

Crítica

A sublevação pelo riso

11.12.2019  |  por Valmir Santos

O palhaço e bufão argentino Chacovachi, nome artístico de Fernando Cavarozzi, costuma sugerir aos pares: “O público deve escutar não apenas o que você diz, mas o que pensa”. Essa proposição é levada a sério nos espetáculos Ordinários e O circo bélico. O Grupo LaMínima e a Trupe Lona Preta, respectivamente, consagram o riso crítico nos limites de quem está pisando em campo minado e, mesmo assim, não se dobra aos tempos de brucutus.

Leia mais

Crítica

O corpo atravessa Stabat mater. É a partir dele que surgirão as imagens e ideias manipuladas por esse espetáculo concebido e atuado por Janaina Leite. O corpo será espaço para o real – evocado constantemente nessa criação. O corpo será o símbolo da sacralidade e da profanação: o corpo imaculado da Virgem Maria, o corpo eviscerado das mulheres assassinadas em filmes de terror, o corpo da mãe.

Leia mais

Crítica

Arte em tempos de cólera

23.11.2019  |  por Beth Néspoli

“O que a poeta valorizava sobremaneira era a vida comum, na qual sempre encontrava motivo para assombro”, escreve Regina Przybycien no prefácio do livro Amor sem fim que reúne poemas da polonesa Wislawa Szymborska (1923-2012). O comentário dá uma pista sobre o que motiva a escolha de alguns dos versos dessa escritora, premiada com o Nobel de Literatura em 1996, para integrar a dramaturgia do solo Eu de você, da atriz Denise Fraga, dirigido por Luiz Villaça. A coleta de histórias reais a partir de uma convocação em diferentes mídias está na gênese desse espetáculo no qual elas surgem fragmentadas, editadas e entrelaçadas a poesias, trechos de romances e canções.

Leia mais