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Crítica

Pode soar familiar ao espectador brasileiro um texto desagradável, na acepção que Nelson Rodrigues (1912-1980) impingiu ao próprio teatro pela diligência às “obras pestilentas, fétidas, capazes, por si sós, de produzir o tifo e a malária na platéia”. Ele declarou isso na primeira década de produção dramatúrgica, nos anos 1940, coerente com sua verve. Aquela frase bastante citada, e de certo modo amortecida com o tempo, reaviva a memória diante de um espetáculo como Hilda, que introduz o teatro da romancista Marie NDiaye entre nós, por meio do Núcleo Caixa Preta, com a fundadora Cácia Goulart no elenco e tendo Roberto Audio como diretor convidado. Leia mais

Crítica

Mulheres fora da ordem

31.5.2018  |  por Kil Abreu

De Fassbinder a Ester Rios (ou de Ester Rios, fictícia autora de novelas, a Fassbinder), do folhetim televisivo à experiência viva do teatro, L, o musical é espetáculo que transita por muitos diferentes caminhos, arranjados em um chão comum pelo dramaturgo e diretor Sérgio Maggio. A peça trata de mulheres fora da ordem, do amor lésbico e da perspectiva trans. Leia mais

Crítica

A margem como centro

27.5.2018  |  por Kil Abreu

A noite de Ano-Novo, momento tomado pela maioria de nós como o espaço imaginário de uma passagem, pode perfeitamente ser vista como metáfora que ganha significados além dos usuais na nova montagem d’Os Satyros, O incrível mundo dos baldios. O espetáculo sintoniza de fato algo em plena transição que, no entanto, é mais que a mera mudança no calendário. Leia mais

Crítica

No monte composto por milhares de partículas tênues ou na espessa lama que aos poucos seca na superfície do chão ou da pele, o pó é elemento essencial em dois trabalhos recentes do Grupo Sobrevento: Terra (2016) e Escombros (2017). A fonte primal do solo da natureza (donde a conhecida apropriação bíblica que modela o homem a partir da argila) está na base dramatúrgica capaz de instaurar campos narrativos de fertilidade e aridez, respectivamente. O primeiro espetáculo permite vislumbrar o caminho imaterial, a via do afeto. O segundo, a condição humana sob as formas do abandono material. Leia mais

Crítica

Minutos acesos no tempo

12.5.2018  |  por Kil Abreu

Existem ao menos duas frentes amplas e da maior importância no trabalho artístico audacioso da Trupe Sinhá Zózima, que há 11 anos concebe e apresenta seus espetáculos nos ônibus em trânsito pelas ruas de São Paulo, por vezes estacionados também. A primeira talvez seja mais evidente: a escolha política, o fazer do teatro um acontecimento não só rente ao cotidiano como, deliberadamente, próximo à vida de quem não o procura justo porque em geral precisa daquele tempo para ganhá-la. A decisão dos criadores, de permanecerem atuando nos seus lugares de classe de origem, se vista neste panorama de mais de uma década de militância já seria por si algo digno de admiração. Leia mais

Encontro com o Espectador

O projeto “Semear _ por uma arte do encontro sem fronteiras”, da Trupe Sinhá Zózima, foi tema do 16º. Encontro com o Espectador, que aconteceu no Ágora Teatro em 27 de novembro de 2017. Estiveram presentes, entre outros – e além dos artistas pesquisadores do núcleo artístico permanente do grupo –, a dramaturga Cláudia Barral, autora de Cordel do amor sem fim (2007) e de Os minutos que se vão com o tempo (2016) – pela ordem de criação, primeiro e terceiro espetáculos abarcados nesse projeto; o dramaturgo Rudinei Borges, autor de Dentro é lugar longe (2013), a montagem intermediária; e Luiz Gayotto, músico e diretor musical do espetáculo mais recente. Leia mais

Crítica

Em Curitiba

Talvez a cena mais emblemática na segunda noite de Extinção, no Festival de Curitiba, no mês passado, tenha sido a dos aplausos. Denise Stoklos vai à boca de cena ladeada por dez profissionais. Entre eles o codiretor Francisco Medeiros, numa extremidade da fila formada no palco, com quem trabalha pela primeira vez, e o cenógrafo J.C. Serroni, noutra ponta, que colaborou em um dos seus espetáculos nos anos 1980. Medeiros e Serroni são da mesma geração da atriz e versados em processos criativos verticais em equipe. Ela passou quase 40 dos 50 anos de carreira centrada em solos nos quais, em regra, controla funções-chave. Dirige, escreve e atua sozinha no que nomeia Teatro Essencial, buscando sistematizar atitude, pesquisa e treinamento em voz, corpo e memória. Leia mais