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Artigo

Foto: Ocupação Funarte SP

Artistas em ato Fora Temer organizado pela Ocupação Funarte SP em maio de 2016

Espaço e tempo da arte e da política

21 de junho 2016 |
por Francis Wilker • São Paulo/Brasília

Os últimos seis anos de nosso jovem século XXI apresentam elementos para reflexões profundas sobre as transformações sociais em curso. O fenômeno das ocupações de espaços públicos, muitas vezes articuladas pelas redes sociais, é um símbolo importante desse tempo de desestabilização, de crise de modelos políticos, econômicos, educacionais, midiáticos e sociais. A primeira década deste século, talvez, se assemelhe a uma parede com uma rachadura incontornável e que vai ao chão a qualquer momento. O que virá depois da ruína? Leia mais

Entrevista

Foto: Evelson de Freitas

Blanche, direção de Antunes Filho, com o Centro de Pesquisa Teatral e o Grupo de Teatro Macunaíma (ator Marcos de Andrade)

Os sentidos da voz interior em ‘Blanche’

20 de junho 2016 |
por Valmir Santos • São Paulo

Na noite em que completou 86 anos, em 12 de dezembro passado, Antunes Filho foi ao teatro vestindo camiseta branca. Estampava no peito palavras de Fernando Pessoa, leia-se Álvaro de Campos, em Tabacaria: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Na ocasião, já ensaiava Blanche, que entraria em cartaz dali a 103 dias. Leia mais

Crítica

Foto: Inês Correa

Blanche, direção de Antunes Filho, com o Centro de Pesquisa Teatral e o Grupo de Teatro Macunaíma (atores Marcos de Andrade e Andressa Cabral)

Sopros do fonemol

17 de junho 2016 |
por Valmir Santos • São Paulo

Um procedimento criativo de que lançou mão há 25 anos retorna feito bumerangue à cena de Antunes Filho. Substituir da boca dos atores o idioma corrente do espectador brasileiro por uma fala ininteligível, sob a alcunha de fonemol, foi o risco que ele assumiu em Nova velha estória, em 1991, relativizando o sistema de representação e o maniqueísmo no conto de fadas de Chapeuzinho Vermelho. Seria imprudente colar à obra sexagenária desse artista o gesto de repetir-se em Blanche Leia mais

Artigo

Foto: Theo Szczepanski

O autor de Claro enigma, Carlos Drummond de Andrade, segundo Theo Szczepanski em ilustração para o 'Jornal Rascunho'

Da inexistência de Deus

17 de junho 2016 |
por Fernando Marques • Brasília

Pode-se dizer da literatura – a dramaturgia, a ficção, a poesia – o que Drummond disse do amor: a palavra literária, assim como o sentimento amoroso, “não consola nunca de núncaras”. Ela se destina a fazer perguntas, mais do que a oferecer respostas, conforme sabemos. O próprio ato de indagar, no entanto, revela-se alentador porque, mesmo sem soluções à vista, já é alguma coisa reconhecer e elaborar certos problemas essenciais.

Foi assim com o dramaturgo William Shakespeare (1564-1616), com o romancista Machado de Assis (1839-1908) e com o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que lemos aqui em três de seus textos mais famosos e substantivos. Leia mais

Crítica

Foto: Bob Sousa

O grande inquisidor, direção de Roberto Lage (ator Celso Frateschi)

Atos de liberdade crítica

14 de junho 2016 |
por Beth Néspoli • São Paulo

Vive-se atualmente no Brasil um daqueles momentos históricos em que se torna plenamente possível compreender a força das narrativas socialmente compartilhadas para interferir na imaginação pública. Uma vez criadas, e bem difundidas, podem mudar os rumos da sociedade. Por outro lado, o momento também é propício para pensar como são moldadas tais construções simbólicas. Oferecer ao espectador a possibilidade de um exercício lúdico de aguçamento do espírito crítico sobre esses relatos é um dos principais atributos dos solos do ator Celso Frateschi, O grande inquisidor, e da atriz Denise Weinberg, O testamento de Maria. Leia mais

Artigo

Foto: Lenise Pinheiro

O mercado do gozo (2003), direção de Sérgio de Carvalho, com a Companhia do Latão, montagem precedida de seminário que discutiu mídia e poder (atores Emerson Rossini e Helena Albergaria)

Crítica teatral : da organicidade à deriva

14 de junho 2016 |
por Kil Abreu • São Paulo

Parte II – A caminho do dissenso

Em artigo para a revista Bravo!, no final dos anos 90, o diretor e professor Sérgio de Carvalho sentenciava: “O processo de esvaziamento da crítica teatral na imprensa brasileira já dura mais de duas décadas. E esses que aí estão talvez constituam o nosso último grupo de críticos”.[1] Curiosamente, mais de quinze anos depois um crítico da geração atual, Diego Reis, salvo engano sustenta juízo aproximado, ao anunciar no resumo do seu ensaio, já neste ano de 2016: “Este ensaio tem por objetivo pensar o campo da crítica de arte nos últimos vinte anos. E, de modo especial, a crítica teatral diante do diagnóstico de esvaziamento e perda de força com que se depara, seja com a redução do espaço da crítica nos veículos de comunicação de massa, seja o lugar de estabilidade entre o cânone e o consenso que parece caracterizar os exercícios críticos recentes”.[2] Leia mais

Resenha

Foto: Adailton Alves

O coautor e diretor Nelson Xavier com o núcleo da Brigada Semeadores do MST na montagem de Mutirão em novo sol (2012), no Distrito Federal

Arte e realidade social em mutirão

10 de junho 2016 |
por Patricia Freitas • Santos/São Paulo

Precisamos desenvolver a sensibilidade histórica para que ela se torne um verdadeiro deleite sensual. Quando nossos teatros apresentam peças de outros períodos, eles gostam de aniquilar a distância, preencher as lacunas, minimizar as diferenças. Mas onde então fica o prazer derivado das comparações, da distância, da dissimilitude – que é, ao mesmo tempo, um prazer vindo daquilo que é próximo e próprio a nós mesmos?

Bertolt Brecht

“Inspirar movimentos de aproximação entre o teatro e aqueles que lutam por justiça social”: tal o objetivo do primeiro volume da coleção Cadernos de Teatro e Sociedade, editado pelo Laboratório de Teatro e Sociedade (LITS) em parceria com a editora Expressão Popular. O projeto do grupo de estudos e laboratório, encabeçado por pesquisadores e artistas da Universidade de São Paulo, teve como mote não só publicar algumas peças relativas ao momento de fértil “hegemonia cultural de esquerda”, mas recriá-las crítica e pictoricamente com base nas experiências cênicas daquele período.

Não à toa, o passo inicial envolveu a publicação de Mutirão em novo sol, obra escrita coletivamente, em 1961, por Nelson Xavier, Augusto Boal, Benedito Araújo, Hamilton Trevisan e Modesto Carone, que permanecia inédita até então. Leia mais